Por vezes não é preciso quebrar a cabeça para arranjar uma boa frase para definir algo ou alguem, neste caso, o que é um fotógrafo. Alguém já o fez antes e de uma maneira muito feliz, esta declaração que se segue, é uma das minhas favoritas.
"Dizem que os fotógrafos não são pessoas como as outras. Consta que caminham com metade dos olhos entre as mãos e não fazem separação entre o seu corpo e o Mundo, como as crianças e os animais", escreve Lídia Jorge na abertura do livro "Silencios" de Eduardo Gageiro. Sem duvida uma das definições mais inspiradas e inspiradoras que conheço.
Há décadas que faço fotografia e cada vez mais resumo tudo a uma palavra, Visão. Podemos tambem chamar-lhe imaginação, olhar, ou até "feeling", resume-se tudo á mesma coisa, a capacidade do fotógrafo de "prever" uma imagem final nos seus olhos e na sua mente, conseguindo concretizá-la com o instrumento que tem nas mãos. O poder de observação é tudo. Embora possa ser uma opinião controversa, para mim, Fotografia e Pintura é a "mesma coisa". Cada uma destas Artes usa a imaginação de forma tangível. A diferença é que o pintor pode trabalhar a partir da imaginação, do "zero" ou da tela em branco, enquanto a maioria de nós fotógrafos, parte da vida real, de uma imagem "real" ou "imaginada" que se nos depara. A ilusão é que a fotografia parece um "meio" muito mais fácil de usar e criar do que a pintura. Certamente que é mais facil manusear uma câmara do que tintas e pinceis. No entanto, como o "novato" descobre rapidamente, não basta ter a melhor câmera do mercado, e imagens tecnicamente aceitaveis e nitidas, para obter a glória e os resultados pretendidos. Não é por acaso, que alguns pintores e outros artistas (arquitectos ou escultores) conseguem pegar numa câmara "foleira" e fazer imagens interessantes. Isto porque sabem "ver" e tem noções basicas de composição e iluminação. Pouco ou nada se preocupam com as lentes, o ruido ou o WB. Em contrapartida há "fotógrafos" que levam anos a seguir as regras das exposições e compensações, temendo fazer algo que fuja ás "regras estabelecidas". Para quê? Para depois de centenas de fotos, chegarem á conclusão, que pouco ou nada fizeram de interessante. "Esqueça" o meio e concentre-se na mensagem. A Arte é a mensagem, não o meio. Colecionadores de arte e promotores de concursos, "passam-se" um bocado quando não conseguem definir qual é o "tipo" em que se enquadra a minha Fotografia. Isso importa para alguma coisa? Para nada! A minha paixão é a Fotografia em "si mesma", enquanto Arte. Não é de todo, o reconhecimento de "especialistas", a fama, ou o dinheiro. Quer aprender fotografia? Então estude pintura. Não perca tempo a sonhar em ganhar um milhão de euros por meia duzia de fotos. OPV


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