Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 10/03/09 21:48 / 313 Artigos publicados
 

Fotofilosofia

Fotografia Zen!  (Fotofilosofia) Inserido Tuesday 02 February 2010 18:11

As oportunidades são como o nascer do Sol. Se esperar de mais acaba por perde-las. (William Arthur Ward)

PARA VARIAR dos artigos mordazes, vamos lá falar de fotografia. Penso que não há uma formula para criar imagens fantásticas, mas se as melhores delas (imagens) obedecem a certos princípios, talvez seja melhor estudá-los antes de nos metermos por outros atalhos, e quem sabe, até em trabalhos. Aliás compreender estes princípios, ou regras, é também compreender a melhor forma de quebrá-las. 

EMBORA nem todas as grandes imagens tenham essas características que vou enumerar a seguir, com certeza que pelo menos incorporam algumas. Afinal quais são essas características? Há com certeza mais, mas vou referir apenas meia dúzia delas, talvez as mais importantes. 

1ª- Tem uma composição forte 2ª-Captam a atenção. 3ª- Tem relativamente poucos elementos. 4ª- Não tem elementos excedentários. 5ª- Usam a luz ou os reflexos para obter a melhor tonalidade possível. 6ª Tem uma paleta limitada de cores (quando não são B/W) que tanto contrasta como se complementa entre si. Alem destas há a mensagem, a originalidade, a história que é contada, ou não, a memória, a qualidade técnica etc.

HÁ VARIAS maneiras de lidar com este tipo de listas, uma delas é obviamente ignorá-la, claro que não é a melhor opção, porque ela pode ser-lhe bastante útil quando encontra algo para fotografar. Para isso, basta perguntar a si mesmo, se está a fazer o melhor possível, para pelo menos cumprir uma destas características. A sua personalidade vem ao de cima, nestas águas turbulentas, que formam o rio fluido e agitado da criatividade. Aqui se vê, que tipo de imagens está inclinado a fazer.

 A MAIOR parte das imagens que qualquer um de nós acha relevante e com impacto, tem principalmente uma composição forte. Na verdade, uma boa composição é “meio caminho andado” para uma fotografia bem conseguida. No fundo, compor, é a melhor maneira de ver. Por exemplo; usar as sombras para delinear um assunto, ou como elementos da composição pode ser uma boa estratégia. Na ausência de boa luz, é sensato fotografar objectos que emitem reflexos, como a água, gelo ou vidro. Por vezes os elementos individuais duma imagem são bastante corriqueiros, a grande diferença está no talento do fotógrafo em captura-los todos juntos. Por isso mesmo não passe a vida á procura de imagens excepcionais. Na realidade elas não existem por si só, é você que tem que as criar. Para isso os seus esforços devem ser orientados para atingir um nível básico bastante elevado. Dessa base elevada podem surgir picos excepcionais.

É UMA ANALOGIA um tanto básica mas serve para ilustrar o que quero dizer; Ninguém escala o Everest directamente “cá de baixo”, a base de ataque, está a uns milhares de metros de altitude. Por isso mesmo, treine, treine, treine, ou seja fotografe, fotografe, fotografe, com o digital não tem desculpa para poupar filme. Interiorize tudo o que lhe disse antes, e depois esqueça. Pelo pouco que sei de fotografia, já verifiquei que tendemos a fazer melhore imagens, quando estamos menos conscientes daquilo que funciona melhor. Basta estar no sítio certo no momento certo. Parece fácil, mas não o é de todo. É como o momento Zen do tiro ao arco. Esqueça o alvo, o arco, a flecha e principalmente esqueça-se a si mesmo, e á sua maldita ambição de vir a ser o melhor fotógrafo do mundo e arredores. È capaz de ter uma surpresa. Boas fotos e divirta-se. OPV     

Fernando Cascais Photos  
http://kaskaisphotos.net23.net/

 

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Você é um Artista?  (Fotofilosofia) Inserido Tuesday 24 November 2009 20:58

NÃO SE ILUDA, isto não é uma espécie de inquérito que vai contribuir para revelar a sua veia artística. Simplesmente, encontrei esta interrogação juntamente com estas perguntas num site dum fotógrafo americano e achei interessante colocá-las aos meus putativos leitores. Embora, nestes tempos que correm a palavra “Artista” seja algo, ou até muito pejorativa, resolvi perguntar na mesma. A palavra Artista é pejorativa quando nos confrontamos com “artistas” como o arquitecto Troufa Real (só o pedantismo do nome enjoa) e a sua inenarrável igreja projectada para Lisboa. Quando vi a foto da maqueta, quase que vomitei e ainda hoje ando a por clorídrico nos olhos tal foram os danos. Imagino o que será ver tal coisa depois de construída. Vai haver mortos de certeza. È de tal maneira que não há palavras para descrever aquilo, horrível, aberração, monstruosidade não chegam para descrever aquele futuro monte de merda. Que o arquitecto esteja completamente ensandecido ainda compreendo, mas os padres e os bispos, aqueles que encomendaram a obra? Estarão bons da cabeça? Este “projecto” é mais uma prova de que deus não existe. Se existisse nunca permitiria que tal coisa visse a luz do dia, nem sequer em pensamento ou em pesadelos. Que deus possa ser cruel e não ser de confiança, como diz o Saramago, ainda aceito, mas que tenha maus gosto é que não engulo. 

BOM, maus gostos á parte e não perdendo tempo com “artistas” políticos e afins, que esses, dariam para escrever um calhamaço do tamanho da bíblia, vamos ao que interessa. Como já disse, só coloco as perguntas, porque a resposta final cada um a encontrará, ou não, conforme vai respondendo. È evidente que responder sim (ou não) a tudo, não faz de si, ou de mim, um artista. Aliás, espero que as respostas sejam um bocado mais elaboradas do que o simples sim ou não. È ao reflectirmos sobre as perguntas, que poderemos encontrar respostas para aquilo que nos atormenta. No fundo pouco importa se é um Artista ou não, desde que seja honesto consigo próprio e tenha prazer naquilo que faz, neste caso, a Fotografia, o resto é irrelevante. OPV   

1º Cria as suas imagens para primeiro que tudo satisfazer-se a si próprio?

2º Mais do que querer, você sente que tem que fazer imagens?

3º É duro e exigente consigo mesmo no que toca á sua fotografia?

4º O reconhecimento não é nada de importante para si?

5º Importa-se com o que os outros pensam do seu trabalho?


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Será arte, será gente? Negocio não é certamente!  (Fotofilosofia) Inserido Saturday 17 October 2009 00:14

                  Negative firework

O FOTÓGRAFO pela etimologia da palavra é um “escritor” de luz, ou escreve com a luz. O objecto de uma fotografia pode ser um cão, uma queda de água ou uma montanha, mas o assunto é sempre a luz. Uma fotografia para ser artisticamente valiosa, não necessita obrigatoriamente de ser documental. Qualquer um de nós pode tirar fotos artisticamente interessantes, como por exemplo, as imagens abstractas. Eu pessoalmente, não acredito em regras quando a arte está envolvida. Se há regras, vamos quebrá-las. 

ISTO porque, embora o valor artístico de uma fotografia seja muito difícil de apreciar, nada nos impede de usar o poder das ferramentas laboratoriais, ou digitais, para transformar alguns itens que gostaríamos de ver alterados. Veja-se o caso do Man Ray. No caso da foto deste artigo, a alteração foi muito simples. Foi transformada em negativo. Sendo apenas uma foto da explosão de um fogo-de-artifício, ao ser transformada em negativo adquiriu outro carácter. Tornou-se evocativa (para mim) da pintura chinesa, minimalista e bidimensional. 

ARTE é sinónimo de liberdade de expressão criativa. Ser um “artista”, neste caso fotógrafo, é antes de mais, sentir-se livre para criar. È ser-se livre para expressar a nossa personalidade através da arte. Não tem nada a ver com fotografia profissional. Há uma crença generalizada que um fotógrafo “artista”, deve ganhar a sua vida, com a sua arte. Não necessariamente, na minha opinião, um fotógrafo que faz “Arte”, não tem obrigatoriamente que obter lucro da sua obra. Ter lucro é outra coisa, é ser empresário ou homem de negócios. Você pode perfeitamente fazer Arte e não a vender. Ou porque não quer, ou porque não consegue. Fazer Arte e vendê-la, é como ter duas profissões ao mesmo tempo. A profissão de artista e a de comerciante de arte. Não me interprete mal, se conseguir vender a sua arte, óptimo, se não, óptimo na mesma. Isto porque, ser capaz de ganhar a vida vendendo a sua arte, não é o que o define como um artista. È o que o define  como uma pessoa de negócios. O que o define como um artista é a capacidade de se sentir livre para expressar a sua personalidade através da sua arte. Lembre-se desta afirmação; O olho tem prazer no movimento, e o cérebro em enigmas! O que é isto que está a ver? É um reflexo, um movimento? Será Arte? Na realidade o que é que importa? O importante é se me deu prazer (ou outra emoção) criar esta imagem. Acima de tudo, fotografe muito e divirta-se outro tanto. O resto é negócio e isso é outro departamento. OPV   

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Fotografia renascentista?  (Fotofilosofia) Inserido Saturday 23 May 2009 21:47

Ao ver tantas fotografias feitas por esse mundo fora, chego á triste conclusão que a Fotografia é a mais mal entendida de todas as “Artes modernas”. Isto é particularmente grave se pensarmos que ela é a base técnica dos meios de comunicação do nosso tempo, a saber o cinema, vídeo e televisão.  A esmagadora maioria dos fotógrafos vive obcecado com a qualidade das lentes e por consequência da imagem. A definição da imagem, assim como as capacidades técnicas das câmeras modernas, ocupa triliões de bytes, que são expressos em inúmeros sites que se dedicam exclusivamente a analisar equipamentos. Algumas pessoas são “viciadas” em fotografia, mas a grande maioria deste pessoal, é viciado em equipamento. Em alguns sites há dezenas de respostas a uma simples pergunta sobre a abertura de uma determinada lente, ou sobre quantas fotos uma determinada câmera consegue tirar por segundo. Vai-se a ver as fotos colocadas nesses mesmos sites pelos “experts” de equipamento e o que se vê é um massacre de “hiper realismo”.  Pessoalmente, defendo a ideia que a fotografia não é necessariamente um espelho do real. Ela é um “texto” que se constrói através de uma articulação simples ou elaborada dos seus elementos expressivos. È um “texto” como outro qualquer, e não há mais ou menos manipulação numa foto do que num texto jornalístico, num documentário televisivo ou numa pesquisa sociológica. È evidente que existe uma “verdade” ou um “facto” do qual nos queremos apropriar, seja fotografando, ou escrevendo, mas essa apropriação, ou aproximação é sempre uma construção. Um dos logros visuais da fotografia, tal como nas pinturas do renascimento, é permitir ao observador colocar-se no lugar do autor. O observador assume essa perspectiva como “real”, sem se aperceber que o seu olhar é manipulado e dirigido. Alguma fotografia (pouca) procura desconstruir esse processo, produzindo imagens em que a perspectiva é propositadamente distorcida, ou as proporções não são respeitadas tornando a leitura mais difícil. Não há uma transferência imediata da subjectividade. Ora, o que todos os manuais ou escolas de fotografia ensinam basicamente, é como criar uma ilusão eficaz. A procura de melhores equipamentos e técnicas, não é mais nem menos do que a procura da ilusão perfeita. Quando o principiante nas suas primeiras fotos, corta cabeças ou fotografa a própria sombra, está inocentemente a “denunciar” a própria captura fotográfica, rompendo com o efeito especular. Aos olhos do fotógrafo veterano isso são erros “ingénuos”. Paradoxalmente, o veterano não percebe que também está a ser ingénuo, já que está a defender uma serie de códigos de uma norma consensual, que só o é porque essa serie de códigos torna mais fácil o pretenso de entendimento daquilo que se está a ver. Penso seriamente que a fotografia não tem nada a ver com o “exterior”, mas é sim uma forma de autoconhecimento, um espelho dos nossos processos internos, é uma maneira de os exteriorizar. O “exterior” pode ser qualquer coisa, desde uma paisagem ou objecto, até um ser humano, tanto faz. No entanto a Arte, é algo que nos corre nas veias (ou não) e que procuramos expressar de uma determinada maneira. Para a pessoa que conseguiu ler isto tudo, basta saber que, cada fotografia que faz, diz mais de si mesmo, do que do assunto que fotografa. OPV  

  

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Pesadelo em alto mar  (Fotofilosofia) Inserido Wednesday 11 March 2009 20:30

Slice of light XL

Um destes dias, li num artigo sobre fotografia uma declaração extraordinariamente lúcida de um fotógrafo dito “profissional”, que segundo as suas próprias palavras dizia mais ou menos isto: “Durante os anos 90 tinha sido um fotógrafo profissional bem como conselheiro e revisor de revistas. Um dia acordei e percebi que o meu olhar e o meu cunho pessoal nos meus mais recentes trabalhos tinham ido para o inferno. Tentei então recuperar o meu amadorismo ou melhor dizendo, o meu olhar amador”.

Sempre me pareceu que viver da Fotografia não era o mesmo que viver para a Fotografia, mas há quem numa vida inteira nunca note esta pequena diferença. É evidente que não tem mal nenhum viver da fotografia, pode ser uma profissão como outra qualquer, mas quando se professa algo os resultados nunca são muito famosos. O melhor exemplo é o da religião, mas também se aplica a políticos, economistas e toureiros. O mesmo fotógrafo tem a seguinte analogia sobre o que é fazer fotografia: - “A fotografia é similar á pesca. Podemos preparar o equipamento todo e escolhermos um óptimo local, mas umas vezes o peixe pica outras não. O que é um facto é que não conseguimos apanhar um peixe se não tivermos a linha na água e com certeza não faremos boas fotos se não tivermos a câmara na mão.”

Esta autentica “pérola” de sabedoria talvez se explique em parte pela “deformação profissional” ou seja apenas pura idiotice. Afinal o homem era “pro”. Ou seja, embora ele tenha tido a lucidez suficiente para perceber que o “profissionalismo” na fotografia não tinha contribuído em nada para a sua evolução como fotógrafo, não é suficientemente lúcido para perceber que é o seu conceito sobre a Arte que está errado. Está errado porquê? Simplesmente porque o fotógrafo não é um pescador perdido num oceano de imagens, á espera que alguma mais faminta lhe morda a minhoca. Não, o fotógrafo não é um ser pacífico e amorfo, pelo contrário, é um demiurgo, um semideus, é aquele que inventa o peixe, a minhoca, o mar e o próprio pescador. Já disse isto antes, mas não me canso de o repetir; o fotógrafo enverga as duas mascaras, a de “deus”, e a de “diabo” nesse universo privado que é a sua arte fotográfica. È nesse conflito que se joga ou não a sua emancipação pictórica. Se for simplesmente bem comportado não ultrapassa determinadas barreiras, mas se for apenas “demoníaco” também não consegue voar muito alto. Porque a verdade meus amigos, é que, a grande luta que o fotógrafo trava com a fotografia, não é com o tipo de máquina que usa, ou com a técnica que não domina. A grande “guerra” é interior, é com a sua cultura estética, ou a falta dela, é com os seus medos e fantasmas, com as suas condicionantes e a capacidade de as utilizar a seu favor, ou melhor, em favor duma fotografia mais emancipada e independente dos clichés existentes. O fotógrafo não tem que provar constantemente o quanto é criativo e agir como se cada foto fosse um teste á sua genialidade (ou ainda pior) ao seu suposto estilo. Pelo contrário, se tiver os seus “deuses” pacificados, acaba por entender que a maior parte das vezes o que está em frente da câmera é mais do que suficiente para fazer a foto, e o melhor a fazer, é sair do caminho da fotografia em vez de tentar interpor a sua visão cheia de clichés. Talvez seja por isso que muitas vezes nos fartamos de fotografar uma determinada situação de vários ângulos e nenhum deles proporciona uma boa foto, e em contrapartida uma foto quase casual revela-se a foto do dia. Quem pensa que fotografar bem é difícil e dá muito trabalho, tem sempre uma boa solução; dedica-se á pesca. OPV 

        

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