Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 09/01/05 21:18 / 197 Artigos publicados

Fotofilosofia

“Pintógrafo”  (Fotofilosofia) Inserido Saturday 06 December 2008 22:02

Por vezes não é preciso quebrar a cabeça para arranjar uma boa frase para definir algo ou alguem, neste caso, o que é um fotógrafo. Alguém já o fez antes e de uma maneira muito feliz, esta declaração que se segue, é uma das minhas favoritas.

"Dizem que os fotógrafos não são pessoas como as outras. Consta que caminham com metade dos olhos entre as mãos e não fazem separação entre o seu corpo e o Mundo, como as crianças e os animais", escreve Lídia Jorge na abertura do livro "Silencios" de Eduardo Gageiro. Sem duvida uma das definições mais inspiradas e inspiradoras que conheço.

Há décadas que faço fotografia e cada vez mais resumo tudo a uma palavra, Visão. Podemos tambem chamar-lhe imaginação, olhar, ou até "feeling", resume-se tudo á mesma coisa, a capacidade do fotógrafo de "prever" uma imagem final nos seus olhos e na sua mente, conseguindo concretizá-la com o instrumento que tem nas mãos. O poder de observação é tudo. Embora possa ser uma opinião controversa, para mim, Fotografia e Pintura é a "mesma coisa". Cada uma destas Artes usa a imaginação de forma tangível. A diferença é que o pintor pode trabalhar a partir da imaginação, do "zero" ou da tela em branco, enquanto a maioria de nós fotógrafos, parte da vida real, de uma imagem "real" ou "imaginada" que se nos depara. A ilusão é que a fotografia parece um "meio" muito mais fácil de usar e criar do que a pintura. Certamente que é mais facil manusear uma câmara do que tintas e pinceis. No entanto, como o "novato" descobre rapidamente, não basta ter a melhor câmera do mercado, e imagens tecnicamente aceitaveis e nitidas, para obter a glória e os resultados pretendidos. Não é por acaso, que alguns pintores e outros artistas (arquitectos ou escultores) conseguem pegar numa câmara "foleira" e fazer imagens interessantes. Isto porque sabem "ver" e tem noções basicas de composição e iluminação. Pouco ou nada se preocupam com as lentes, o ruido ou o WB. Em contrapartida há "fotógrafos" que levam anos a seguir as regras das exposições e compensações, temendo fazer algo que fuja ás "regras estabelecidas". Para quê? Para depois de centenas de fotos, chegarem á conclusão, que pouco ou nada fizeram de interessante. "Esqueça" o meio e concentre-se na mensagem. A Arte é a mensagem, não o meio. Colecionadores de arte e promotores de concursos, "passam-se" um bocado quando não conseguem definir qual é o "tipo" em que se enquadra a minha Fotografia. Isso importa para alguma coisa? Para nada! A minha paixão é a Fotografia em "si mesma", enquanto Arte. Não é de todo, o reconhecimento de "especialistas", a fama, ou o dinheiro. Quer aprender fotografia? Então estude pintura. Não perca tempo a sonhar em ganhar um milhão de euros por meia duzia de fotos. OPV

 

 

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Olhar para dentro  (Fotofilosofia) Inserido Saturday 06 September 2008 20:26

Hell Boat 666      

Antes de mais quero esclarecer os (poucos) que leram o artigo anterior “Espelho Louco”, e especialmente o meu amigo Lunatik, que tenho um especial apreço pelos excelentes fotógrafos da NG. Considero mesmo, que são praticamente os únicos “profissionais” que conseguem fazer fotografia artística. A referência á NG foi uma ironia. São um ícone da fotografia, gosto imenso do trabalho deles, e assinei a revista durante vários anos. Bom, está feito o esclarecimento, vamos a um novo artigo.

O grande inimigo que espera a raça humana no futuro é a alienação. A fuga para a frente, rumo ao entretenimento puro e simples, sem conteúdo. Tudo fará parte do show consumista. Desenganem-se aqueles que sonham mudar o mundo, e ter algum impacto no rumo da civilização. Comecem a pensar em mudar-se a si próprios.  O medo, a intolerância e o preconceito estão a dominar a mente humana e contribuem para atrasar, tanto o avanço colectivo, como o individual. Embora se, para a história universal, o passado não seja melhor do que o presente ou o futuro, é verdade que este período actual tem contornos absolutamente psicóticos. Talvez seja do excesso de informação, da água ou do buraco de ozono. Mas a realidade é que o mundo nunca pareceu tão louco como agora. Se realmente o não está, e tudo isto é apenas impressão nossa, é outra história. No entanto, se sente tão perdido em relação á fotografia conceptual, como o mundo parece estar vazio de sentido, repare bem nas suas próprias fotos. Tente perceber quanto nelas é realmente seu, e quanto pertence ao imaginário colectivo. È uma analise difícil de fazer, porque, requer um distanciamento que a maior parte de nós não possui. O oceano visual em que estamos mergulhados não o permite facilmente. Já agora o local onde estamos, também não. Se for um cidadão ocidental, tenderá a “ler” as suas fotos da esquerda para a direita. Se por acaso for oriental, será da direita para esquerda, o que não parecendo pode fazer uma grande diferença. Diferenças á parte, é na sua própria fotografia que o fotógrafo encontrará, ou não, respostas para as dúvidas conceptuais que o possam atormentar. E, tal como no mundo “real” que nos rodeia, nem sempre o que parece, é. Esta é uma luta solitária que o fotógrafo trava consigo próprio, e acaba por reflectir a luta que o ser humano trava com o meio onde está inserido, simplesmente para o conseguir interpretar. E como o mundo fornece diariamente novas imagens que refazem o paradigma visual, aquilo que o fotógrafo tem para se “agarrar” são as suas próprias experiências pessoais. Pode tirar um, ou vários, cursos superiores de fotografia. Ter, ou não, um equipamento sofisticadíssimo. Conseguir viajar para os sítios mais exóticos, ou não sair da terrinha, mas a base de tudo está dentro de si. Convêm não esquecer. OPV    

 

 

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Espelho Louco  (Fotofilosofia) Inserido Tuesday 02 September 2008 23:33

Fly

Um espelho duplica e amplia o ambiente que reflecte. Podemos especular se também não duplicará ou afectará a energia mental que circula entre o original e o reflexo. Por aquilo que podemos ver através da comunicação social, sejam revistas, jornais ou televisão, acabamos por concluir que os espelhos devem andar todos loucos.          È incrível, o número cada vez maior, de pessoas que se deixam iludir, e misturam o mundo produzido pelo espelho, e a “realidade” onde estão inseridas. Essa “realidade” é cada vez mais abstracta, está alicerçada em números e signos, sejam de contas bancárias ou de cartões de crédito. Os signos ou símbolos estão nas imagens e produtos de marca que é obrigatório usar. Os exemplos são imensos, temos o apresentador de televisão anafado, que usa calças e camisas (ridículas), uns números abaixo, e que há muito devia ter deitado fora. Há o chefe de estado que é obrigado a usar tacões porque casou com quem não devia (ou devia), e não está á altura do sarilho que arranjou. Há aqueles governantes, cujo único traje que deviam usar, era, o fato-macaco, mas que usam Armani. Existem as velhas coquetes com nomes ridículos, que como o Eusébio vivem das glórias passadas e ditam palpites sobre o bom gosto actual. Existem os casos completamente perdidos e hilariantes, de esquizofrenia total, como é o caso dum mutante de pavão, que passa de gigolo a marchand de arte, de marchand a entertainer, e de entertainer a diva da canção. O simples facto de ninguém vestir esta personagem com um colete-de-forças, e o enfiar num manicómio, revela que aqueles que o rodeiam e dele se aproveitam estão tão doidos como ele. A fotografia, ou imagem fotográfica é muito cruel para estas pessoas. Devido ao efeito “espelho louco”, estes indivíduos insistem em ver uma coisa que não está lá. Mas o mais trágico, são todos os outros (e não são poucos) que “compram” essas imagens estragadas. È muito triste ser-se “fotógrafozinho”, e para sobreviver, ter que fotografar este autentico circo de horrores. Seja nacional ou internacional. Lá fora, basta recordar o Michel Jackson. Antes fotografar gorilas para a Nacional Geographic (infinitamente mais bonitos). O tamanho do ego destas criaturas (não são os gorilas) não pára de me surpreender. È espantosa a desfaçatez com que exibem a sua mediocridade. Sejam chefes de estado, cantores pop, ou aspirantes a actores e actrizes. Todos eles são completamente enganados por essa nova espécie de “especialistas” que são os consultores de imagem. Lembram-se daquela velha máxima; quem com ferro mata, com ferro morre? A versão moderna é; quem vive pela imagem, morre pela imagem. Onde pára o pudor por estes dias? Ninguém tem vergonha nem modéstia? Um indivíduo pode considerar-se fotógrafo só por andar a subir ás árvores para fotografar estas e outras aves raras? A fome, e a necessidade de um tecto, justificam tudo? Quer-me parecer que o caos aparente da civilização actual, tem um forte impacto, e implica o caos real do carácter individual. Assim, se algum dia lhe passar pela cabeça, ganhar a vida a fotografar esta bizarra fauna humana, reconsidere e ofereça-se par a National Geographic. Animal por animal, mais vale trabalhar com os originais. Estes podem morder-lhe o corpo, mas pelo o menos, não lhe roem a alma. OPV

  

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Simplicidade.com  (Fotofilosofia) Inserido Friday 29 August 2008 19:51

Sleep

Nestes tempos agitados que nos perturbam, uma boa filosofia para a vida que nos sufoca, é tentar cimentar a personalidade numa base de bondade, serenidade e respeito. Para isso não é preciso estabelecer nenhum código rígido de comportamento. A conduta de uma pessoa deve ser regida pelo instinto e pela consciência. Esqueçam o ritmo alucinante que o consumismo vos impõe. Todo o fruto leva o seu tempo a amadurecer. Nenhuma tarefa deve ser apressada, tudo deve acontecer no seu devido tempo. Rembrandt, quando era criança desenhava uma roda. A Ronda da noite, desenhou-a muito mais tarde. As suas fotos parecem-lhe desinteressantes, e pouco consistentes? Quanto mais se esforça e acrescenta informação, mais desanimadores são os resultados? Parece-lhe que o patamar que quer alcançar, é já a seguir ao próximo degrau, mas esse degrau nunca mais aparece? Não consegue fazer algo, nem sequer parecido com alguma coisa, que algum dos seus Fotógrafos favoritos, alguma vez fez? Pois bem, estude os grandes mestres da fotografia que puder, e depois, esqueça-os. A seguir, estude a natureza, está lá tudo, a luz, os reflexos, as sombras, a água, a terra, o céu, tudo. Por ultimo, não complique, a simplicidade é a chave para a verdade e liberdade. Quanto mais “simples” for a sua arte de fotografar, e por consequência a sua fotografia, mais verdadeira e independente ela se torna. Se tiver sonhos muito altos, não se intimide, eles estão no lugar certo, preocupe-se sim, em construir os alicerces. Já agora, não se esqueça, o seu maior adversário, não é a terra mole, ou o vizinho invejoso, é você mesmo. OPV            

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O Anti – Fotógrafo  (Fotofilosofia) Inserido Wednesday 06 August 2008 22:44

Black dog      

È urgente criar uma filosofia fotográfica, para que o homem possa voltar a comandar o acto de fotografarO papel do Fotógrafo é eternizar momentos ou espaços em imagens, estas no entanto, precisam de ter algum significado que exija uma interpretação do espectador para a sua compreensão. A fotografia que se “limita” a retratar a “realidade” não se deve enquadrar na definição de arte fotográfica. Certos tipos de fotografia como a publicidade e notícias, raramente possuem o “pathos” fotográfico que as possam incluir na Arte Fotográfica. È evidente que há imagens publicitarias que se tornam ícones como no caso das fotos da Benetton ou algumas imagens de guerra. Mas são excepções e não a regra. Hoje em dia qualquer um pode produzir imagens, mas não são todos que criam Fotografia. Há mesmo uma “raça” de fotógrafos ditos “profissionais” que são na realidade o paradigma do “Anti-Fotógrafo”. Não é bem uma analogia com o Anti-Cristo mas é quase.     

Num exercício irónico de fundamentalismo artístico pode-se definir o Anti – Fotógrafo das seguintes maneiras.

O indivíduo com uma máquina (costureirinha) profissional, normalmente Mark qualquer coisa, e uma mega teleobjectiva sentado atrás de uma baliza é um A-F.

O indivíduo que circula pelo casamento ou baptizado com uma mega maquina e com um flash ainda maior é um A-F.

O paparazzi que se esconde num sótão ou num caixote do lixo, com uma super teleobjectiva á espera de uma qualquer “celebridade” é um A-F.    

O individuo que fotografa estrelas ou atletas e que depois os mistura com a natureza usando o Photoshop é um A-F.  

O indivíduo que num estúdio leva quase ao infinito a plástica dos modelos é um A-F.

O indivíduo que se espreme juntamente com mais umas dezenas ou centenas de outros, contra uma passerelle ou passadeira vermelha é um A-F.

O indivíduo que faz centenas ou milhares de quilómetros para fazer ou tentar fazer aquilo que Ansel Adams já fez é um A-F.  

Haverá mais alguns, mas por agora chega. Podem argumentar; mas por vezes surgem fotos interessantes feitas por estes indivíduos. Pois, por vezes surgem, mas também o relógio que está parado acerta nas horas duas vezes por dia. No entanto, não é por isso que vamos andar com um no pulso.  O que quero dizer com isto tudo? Bom, graças a estes A-Fs, o Fotógrafo tornou-se numa peça pouco significativa no mundo da fotografia cada vez mais regido pela indústria fotográfica. Ao apresentar constantemente imagens que não tem significado, ou não fazem pensar, esta indústria alienou a população consumidora que já não questiona o seu valor, ou sequer presta atenção.   Ser Fotógrafo, significa participar no universo fotográfico. Alem de viver e agir em função do acto de fotografar (coisa que alguns A-Fs fazem), o Fotógrafo tem de reinterpretar o Universo, ser um alquimista da realidade, produzindo uma imagem (arquetípica), que se aloje na mente daquele que observa, tornando essa imagem num paradigma que acompanhará o observador para a cova. Parece difícil ou impossível? Claro que é difícil, mas não é impossível. Não é por acaso que todos aqueles que se envolvem com a Fotografia têm apenas “meia dúzia ” de imagens arquetípicas na cabeça, e quase sempre dos mesmos “mestres”. Tudo isto pode parecer muito radical mas não é. Se estudarem a história da fotografia verão que apesar de haver milhões de fotógrafos no mundo, foram apenas aquela “meia dúzia” que realmente fizeram Historia. Porquê? Porque foram os únicos que conseguiram criar imagens arquetípicas ou paradigmáticas. Bom, também não eram A-Fs. OPV    

 

 

 

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