Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 08/11/28 20:28 / 191 Artigos publicados
 

Sobre Fotografia

Fotógrafos para levar a sério (cont.)  (Sobre Fotografia) Inserido Friday 08 August 2008 22:05

Fountain

Estes outros cinco fotógrafos são por demais conhecidos para me alongar muito sobre as suas biografias. Propositadamente deixei de fora um fotógrafo que acho muito interessante em termos estéticos e conceptuais, mas cujo engajamento político macula bastante a elegância intelectual da sua fotografia. Quero com isto dizer que a fotografia é usada por ele como uma ferramenta militantemente politica e não como uma arte em que a estética não tem de estar ao serviço de nada. È um grande fotógrafo e pode ser que daqui a vinte anos eu consiga retirar esse cunho politico á sua fotografia. Refiro-me claro a Sebastião Salgado.   

Alfred Stieglitz na estética das suas imagens, realçou a sua própria percepção, completamente independente de qualquer tradição observadora. Sobretudo era um fotógrafo que desejava transmitir o que via, a chamada “fotografia ideia”.  

August Sander os retratos de Sander constituem um contributo importante para o reconhecimento da fotografia como arte. Hoje em dia a sua abordagem sistemática é vista como um primeiro exemplo de arte conceptual, que também influenciou o desenvolvimento das artes criativas. È considerado o fotógrafo alemão mais conhecido.  

David Seymour captou o terror da guerra civil e as suas imagens de bombardeamentos aéreos sobre Barcelona valeram-lhe reconhecimento mundial como fotojornalista

Josef Koudelka as suas primeiras fotos são do seu circulo familiar e para as realizar usou uma câmera reflex 6x6 de lente dupla. Contudo o seu projecto mais famoso foi sobre o estilo de vida dos ciganos na Roménia.

Man Ray pode ser considerado um dos pioneiros mais importantes da fotografia contemporânea. Com as suas fotografias abriu novos caminhos no sector experimental. As suas fotografias foram mais valorizadas do que as suas pinturas ou esculturas.   

Para acabar esta história de fotógrafos a sério e a “brincar”, falta falar desse verdadeiro “artista” que dá pelo nome de Spencer Tunick, que anda pelo mundo a fotografar pessoas nuas. Ele próprio admite que é mais importante a ideia do projecto do que a qualidade da fotografia em si mesma. Este “artista” é um A-F. A maior parte das suas fotos são desinteressantes, beneficiando simplesmente do efeito “espectacular” da quantidade dos corpos nus. Pelos vistos o que conta é o projecto, mas Kristo já fez isto antes. OPV  

 

 

 

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Fotógrafos para levar a sério  (Sobre Fotografia) Inserido Thursday 07 August 2008 22:36

Auto machine

Há pelo o menos uma dezena de fotógrafos que qualquer amante da Fotografia deve levar muito a sério. Como é evidente esta lista varia de pessoa para pessoa, e pode mesmo variar na mesma pessoa, mas em tempos diferentes. Hoje em dia posso apreciar um tipo de fotografia a que “não ligava nenhuma” há vinte anos atrás. Se quem lê estas linhas não gostar desta lista e tiver outra alternativa, óptimo, desde que saiba quais são as suas próprias referencias, sabe também quem e o que deve evitar. Seja como for aqui vai metade da lista. Antes de serem Fotógrafos eram seres humanos inteligentes, astutos, atentos àquilo que os rodeava e interessava.   

Cartier Brenson uma lenda ainda em vida e praticamente unânime na comunidade fotográfica. Raramente um fotógrafo foi tantas vezes citado como exemplar de uma das grandes capacidades da fotografia: captar um momento. Entre muitas outras teve esta frase histórica “Na verdade, não estou nada interessado na fotografia em si. A única coisa que quero é captar uma fracção de segundo da realidade”. A sua fotografia mais publicada foi “Domingo nas margens do Marne”. Cartier Brenson realçou repetidamente que não era possível apreender a tirar fotografias. Era um observador astuto, um homem de visão que sabia o que queria e o que interessava.

Herbert List entrou para a história da fotografia como mestre da “fotografia metafísica”. Colocou objectos em contextos estranhos e não familiares e encenou encontros entre fragmentos arrancados á realidade. Tentou captar “a magia da aparência na imagem”.    

Philippe Halsman é um dos fotógrafos de retratos mais original e inventivo do século passado. Publicou uma famosa série intitulada Imagens de Saltos com fotografias de personalidades conhecidas a dar saltos em frente da câmara. Uma das mais famosas é com Salvador Dali, seu amigo.

Robert Capa as suas fotos da guerra civil de Espanha atraíram a atenção para o seu nome. O seu lema “ Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto” teve como consequência a sua própria morte. Tinha um talento único para transmitir numa só fotografia, de forma penetrante os sentimentos e sofrimento das pessoas nas guerras ou rebeliões.

Werner Bischof trabalhou com fotografia de moda e de objectos rigorosamente dispostos. Por volta de 1949 passou para o fotojornalismo mantendo a sensibilidade pela perfeição técnica, pela criatividade com luz e por uma composição formal das imagens. Ficou conhecido pelo ensaio Fome na Índia feito em 1951. Uma das fotos mais conhecidas de Bischof é Rapaz tocando flauta perto de Cuzco, tirada alguns dias antes da sua morte nos Andes.

No próximo artigo falo dos outros cinco. Embora possa deixar alguns e importantes Fotógrafos de fora, uma selecção tem sempre este risco. No entanto são estes que nesta altura me parecem os mais interessantes para serem estudados, OPV    

 

 

 

 

 

 

 

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Referencias  (Sobre Fotografia) Inserido Monday 04 August 2008 22:38

Life Guard    

Nos “velhos” tempos do filme, o acto de fotografar era essencialmente qualitativo e não quantitativo. Nos tempos do digital a escolha pode ser dupla, quantitativa e qualitativa. No filme exigia-se ao fotógrafo uma postura definida e um ponto de vista bem assumido. No digital, o máximo número de pontos de vista é o que pode fazer a diferença de Fotógrafo para fotógrafo.    Seja como for, dois fotógrafos ao registrar a mesma cena simultaneamente farão imagens distintas. A cena é mutante e contem uma pluralidade de valores e conceitos. No entanto, não é a maquina que faz a diferença mas sim o fotógrafo e o seu conhecimento do contexto, bem como o seu olho fotográfico que lhe permite uma abordagem mais astuta da temática em causa. O fotógrafo não se deve esquecer que é um ser complexo e único e se deve assumir como tal e não procurar á viva força ser mais um “Salgado” ou “Brenson”.  Por tudo isto que atrás foi dito, e pela filosofia que impera no mundo da fotografia actual em que o que prevalece é o “bem arranjadinho”, tenho as minhas duvidas que tão cedo apareça realmente um outro “Salgado” ou “Brenson”. Se isto é mau ou bom não sei. O que sei é que, estes, como tantos outros, são referencias, e referencias no mundo da fotografia devem servir como pontos de partida e não como locais de chegada. OPV

 

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Interpretações fotográficas  (Sobre Fotografia) Inserido Monday 23 June 2008 21:22

Sushi paranoia   

O significado duma foto nem sempre se concretiza na sua realização pratica, isto porque o uso convencionado, ou não, que o fotógrafo faz dela é que a contextualiza em termos de publico. O acto fotográfico ou se funde ou rompe com a sociedade em que foi produzido. Neste caso especifico a foto pode ser uma critica á promoção inconsequente de hábitos alimentares que passam a actos culturais. “Ninguém” neste país come sushi, porque tem fome, mas sim porque é um ritual social. Ou então, não existe qualquer perspectiva intelectual por trás da foto, e esta só tem “piada” para o fotógrafo pelos seus fortes contrastes B/W. Como em todas as fotos, esta fica ao critério do observador. OPV  

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Não há nada de novo?  (Sobre Fotografia) Inserido Wednesday 04 June 2008 19:54

Streets in sky II

Talvez só o fotojornalismo seja autêntica fotografia, porque o acontecimento que documenta é sempre diferente e o valor da foto não reside na visão artística, mas na mensagem que um evento específico transmite. Por vezes vemos algumas fotos com alguns enquadramentos diferentes, ou tratamentos de cores diversas, bem como temas inesperados. No entanto, há sempre algo que nos lembra qualquer coisa que já foi feita antes. Não interessa o quanto nos podemos esforçar para descobrirmos a nossa própria identidade artística, haverá sempre algo que nos remete para o trabalho de outrem. Não há nada de errado em ser influenciado pelo trabalho de alguém, mas como nos libertamos desta vertigem ou labirinto que parecem não ter porta de saída? OPV  

 

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