Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 09/01/05 21:18 / 197 Artigos publicados
 

Sobre Fotografia

A Fotografia já era!  (Sobre Fotografia) Inserido Sunday 17 August 2008 19:50

Window of Time    

Não a Fotografia como Arte claro, mas os dias da fotografia impressa em papel já passaram há historia. Isto pode parecer um bocado radical, mas já é uma realidade nos dias de hoje. A chamada “fine art” deixará de ser impressa no melhor papel e passará para os ecrãs de plasma ou similares. O lado mais visível deste novo status é a moldura digital. Nos tempos que se avizinham o trabalho do fotógrafo poderá interagir com várias tecnologias e ser visto no ambiente que os seus consumidores preferirem. Se for caso disso, o fotógrafo poderá inclusive permitir, que o seu trabalho tenha a configuração que mais agrada àquele que o adquiriu. A fotografia on-line já circula em diferentes formas há alguns anos, e algumas ideias e experiências interessantes surgiram, neste ambiente que se criou entre o fotógrafo e o consumidor, ou observador de fotografia. O observador transforma-se num artista? Porque não? A arte fotográfica é cada vez mais digitalizada, e existe uma plataforma virtual que está para alem da fotografia. Na vez de um suporte em papel de 10x15 (por exemplo), a foto passa a ser uma tela virtual que atravessa vários continentes. È expectável que surja um mercado que explore esta nova realidade. Com tudo isto, não é possível que a fotografia enquanto peça de arte, perca o seu valor? A cópia numerada e emoldurada, de uma determinada foto não verá, o seu preço baixar abruptamente? Os fotógrafos não ficarão ainda mais “pobres” do que já estão? Tudo isso é possível, mas é um facto que a revolução já chegou, e quanto mais depressa tivermos consciência desse facto melhor. Pode-se argumentar contra tudo isto que, a Arte da Fotografia tem um determinado apelo físico, que passa pela exigente escolha do papel e do seu tamanho, bem como da moldura, e termina, numa aproximação física e emocional, da imagem com o seu proprietário. Bom, é como hoje em dia, alguns hão-de preferir continuar a imprimir em papel, assim como há quem prefira trabalhar em filme. Seja como for, estas duas opções tornar-se-ão num nicho de mercado, na melhor das hipóteses. Para terminar; pessoalmente, tenho centenas de fotos on-line, em diversos sites, e neste mesmo Blogue. Tirando algumas pequenas cópias em 10x15, que fiz para testar uma impressora, não tenho uma única foto em papel digna desse nome. E sabem que mais? Não vejo mal nenhum nisso, nem lhe sinto a falta. Seja como for, o importante é que, quem se interesse por fotografia, saiba quais são as tendências desta arte, e com que linhas é que se cose. O resto é acessório, se trabalha em filme ou digital, se fotografa para um determinado nicho ou para um mercado mais vasto, é da conta de cada um. Se possível, faça é aquilo de que gosta, de preferência a Arte da Fotografia. OPV          

 

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Machine man  (Sobre Fotografia) Inserido Wednesday 13 August 2008 22:27

Machiavelli lips   

Hoje em dia com o avanço da tecnologia digital, e facilidade de manipulação, a câmera digital parece trabalhar em função do homem. No entanto devido á sua complexidade, parece que cada vez mais que o homem funciona em função do aparelho. A máquina trabalha para o fotógrafo se este trabalhar para a máquina. Neste estranho bailado quem dominará? Será o aparelho que dominará o homem, ou o homem que dominará a máquina fotográfica. Tornar-se fotógrafo profissional, é dar o primeiro passo para o primeiro caso. Ficar obcecado, e dependente da qualidade do equipamento é uma das características do “bom profissional”. Nesta fase “machine man” o fotografo envolve-se mais com o equipamento do que com a arte da fotografia. È quase como que, o escultor preocupar-se mais com o cinzel, do que com aquilo que vai extrair da pedra. Ou o pintor com o pincel. O valor da arte transfere-se da obra para a ferramenta. Talvez por isso e salvo algumas excepções (tipo national geographic) a fotografia dita comercial vai ficando progressivamente pior e mais barata. Também vale a pena citar o caso “obsceno” das fotografias dos filhos de Brad Pit, em que simples e banais fotografias de duas crianças, atingem praticamente o preço de uma obra de Picasso. Simplesmente por questões de mercado. A sociedade de consumo é isto mesmo.

Por outro lado, aqueles “fotógrafos” que não se submetem á tirania do profissionalismo, tem hipótese de ter qualidade acrescida na produção de arte. Isso desde que lembrem destas três conclusões. 1ª- O valor não está nem na fotografia nem no negativo, nem no resultado. Está no acto de fotografar. O valor deste acto, não é transmissível e não pode ser medido em dinheiro. 2ª- O fotógrafo deve estar engajado na produção desse valor eterno que advêm do acto de fotografar e não no aspecto mercantilista da fotografia. 3º- O fotógrafo está e não está interessado na sua “obra”. Ele, fotógrafo, não pretende mudar o mundo com a sua fotografia, mas pretende mudar os outros, dando-lhes informação (com a sua fotografia) a respeito do mundo.              

Ao contrario do que muitos teóricos e profs. de fotografia defendem, não é tornando-se fotógrafo profissional que se resolvem os grandes dilemas da fotografia. Se querem que a fotografia evolua e descubra novos caminhos, deixem isso para os amadores. Os profissionais têm mais que fazer. Por exemplo, pagar o equipamento. OPV   

 

 

 

 

 

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Fotógrafos para levar a sério (cont.)  (Sobre Fotografia) Inserido Friday 08 August 2008 22:05

Fountain

Estes outros cinco fotógrafos são por demais conhecidos para me alongar muito sobre as suas biografias. Propositadamente deixei de fora um fotógrafo que acho muito interessante em termos estéticos e conceptuais, mas cujo engajamento político macula bastante a elegância intelectual da sua fotografia. Quero com isto dizer que a fotografia é usada por ele como uma ferramenta militantemente politica e não como uma arte em que a estética não tem de estar ao serviço de nada. È um grande fotógrafo e pode ser que daqui a vinte anos eu consiga retirar esse cunho politico á sua fotografia. Refiro-me claro a Sebastião Salgado.   

Alfred Stieglitz na estética das suas imagens, realçou a sua própria percepção, completamente independente de qualquer tradição observadora. Sobretudo era um fotógrafo que desejava transmitir o que via, a chamada “fotografia ideia”.  

August Sander os retratos de Sander constituem um contributo importante para o reconhecimento da fotografia como arte. Hoje em dia a sua abordagem sistemática é vista como um primeiro exemplo de arte conceptual, que também influenciou o desenvolvimento das artes criativas. È considerado o fotógrafo alemão mais conhecido.  

David Seymour captou o terror da guerra civil e as suas imagens de bombardeamentos aéreos sobre Barcelona valeram-lhe reconhecimento mundial como fotojornalista

Josef Koudelka as suas primeiras fotos são do seu circulo familiar e para as realizar usou uma câmera reflex 6x6 de lente dupla. Contudo o seu projecto mais famoso foi sobre o estilo de vida dos ciganos na Roménia.

Man Ray pode ser considerado um dos pioneiros mais importantes da fotografia contemporânea. Com as suas fotografias abriu novos caminhos no sector experimental. As suas fotografias foram mais valorizadas do que as suas pinturas ou esculturas.   

Para acabar esta história de fotógrafos a sério e a “brincar”, falta falar desse verdadeiro “artista” que dá pelo nome de Spencer Tunick, que anda pelo mundo a fotografar pessoas nuas. Ele próprio admite que é mais importante a ideia do projecto do que a qualidade da fotografia em si mesma. Este “artista” é um A-F. A maior parte das suas fotos são desinteressantes, beneficiando simplesmente do efeito “espectacular” da quantidade dos corpos nus. Pelos vistos o que conta é o projecto, mas Kristo já fez isto antes. OPV  

 

 

 

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Fotógrafos para levar a sério  (Sobre Fotografia) Inserido Thursday 07 August 2008 22:36

Auto machine

Há pelo o menos uma dezena de fotógrafos que qualquer amante da Fotografia deve levar muito a sério. Como é evidente esta lista varia de pessoa para pessoa, e pode mesmo variar na mesma pessoa, mas em tempos diferentes. Hoje em dia posso apreciar um tipo de fotografia a que “não ligava nenhuma” há vinte anos atrás. Se quem lê estas linhas não gostar desta lista e tiver outra alternativa, óptimo, desde que saiba quais são as suas próprias referencias, sabe também quem e o que deve evitar. Seja como for aqui vai metade da lista. Antes de serem Fotógrafos eram seres humanos inteligentes, astutos, atentos àquilo que os rodeava e interessava.   

Cartier Brenson uma lenda ainda em vida e praticamente unânime na comunidade fotográfica. Raramente um fotógrafo foi tantas vezes citado como exemplar de uma das grandes capacidades da fotografia: captar um momento. Entre muitas outras teve esta frase histórica “Na verdade, não estou nada interessado na fotografia em si. A única coisa que quero é captar uma fracção de segundo da realidade”. A sua fotografia mais publicada foi “Domingo nas margens do Marne”. Cartier Brenson realçou repetidamente que não era possível apreender a tirar fotografias. Era um observador astuto, um homem de visão que sabia o que queria e o que interessava.

Herbert List entrou para a história da fotografia como mestre da “fotografia metafísica”. Colocou objectos em contextos estranhos e não familiares e encenou encontros entre fragmentos arrancados á realidade. Tentou captar “a magia da aparência na imagem”.    

Philippe Halsman é um dos fotógrafos de retratos mais original e inventivo do século passado. Publicou uma famosa série intitulada Imagens de Saltos com fotografias de personalidades conhecidas a dar saltos em frente da câmara. Uma das mais famosas é com Salvador Dali, seu amigo.

Robert Capa as suas fotos da guerra civil de Espanha atraíram a atenção para o seu nome. O seu lema “ Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto” teve como consequência a sua própria morte. Tinha um talento único para transmitir numa só fotografia, de forma penetrante os sentimentos e sofrimento das pessoas nas guerras ou rebeliões.

Werner Bischof trabalhou com fotografia de moda e de objectos rigorosamente dispostos. Por volta de 1949 passou para o fotojornalismo mantendo a sensibilidade pela perfeição técnica, pela criatividade com luz e por uma composição formal das imagens. Ficou conhecido pelo ensaio Fome na Índia feito em 1951. Uma das fotos mais conhecidas de Bischof é Rapaz tocando flauta perto de Cuzco, tirada alguns dias antes da sua morte nos Andes.

No próximo artigo falo dos outros cinco. Embora possa deixar alguns e importantes Fotógrafos de fora, uma selecção tem sempre este risco. No entanto são estes que nesta altura me parecem os mais interessantes para serem estudados, OPV    

 

 

 

 

 

 

 

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Referencias  (Sobre Fotografia) Inserido Monday 04 August 2008 22:38

Life Guard    

Nos “velhos” tempos do filme, o acto de fotografar era essencialmente qualitativo e não quantitativo. Nos tempos do digital a escolha pode ser dupla, quantitativa e qualitativa. No filme exigia-se ao fotógrafo uma postura definida e um ponto de vista bem assumido. No digital, o máximo número de pontos de vista é o que pode fazer a diferença de Fotógrafo para fotógrafo.    Seja como for, dois fotógrafos ao registrar a mesma cena simultaneamente farão imagens distintas. A cena é mutante e contem uma pluralidade de valores e conceitos. No entanto, não é a maquina que faz a diferença mas sim o fotógrafo e o seu conhecimento do contexto, bem como o seu olho fotográfico que lhe permite uma abordagem mais astuta da temática em causa. O fotógrafo não se deve esquecer que é um ser complexo e único e se deve assumir como tal e não procurar á viva força ser mais um “Salgado” ou “Brenson”.  Por tudo isto que atrás foi dito, e pela filosofia que impera no mundo da fotografia actual em que o que prevalece é o “bem arranjadinho”, tenho as minhas duvidas que tão cedo apareça realmente um outro “Salgado” ou “Brenson”. Se isto é mau ou bom não sei. O que sei é que, estes, como tantos outros, são referencias, e referencias no mundo da fotografia devem servir como pontos de partida e não como locais de chegada. OPV

 

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