Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 08/11/28 20:28 / 191 Artigos publicados

Sobre Fotografia

R D E  (Sobre Fotografia) Inserido Thursday 18 September 2008 20:24

Walk alone    

A fotografia que praticamos faz-nos felizes? Claro que isso depende da expectativa de cada pessoa, mas o que realmente conta é a realidade em que cada um está imerso. Se considerarmos que a “realidade” é uma constante, a expectativa tem de ser (um numero) maior do que a realidade para criar optimismo. Por outro lado o pessimista pode aproximar-se do zero, mas sem nunca o alcançar. Nunca chega a perder completamente a esperança. 

Um fotógrafo talentoso pode fazer fotos interessantes, ou até fantásticas, e não se sentir satisfeito, (feliz é uma palavra demasiado forte) com isso. Em contrapartida, um fotógrafo “medíocre”, uma vez por outra, consegue fazer uma boa foto, e sente-se um bem-aventurado. Existe alguma receita para tirar o máximo prazer da arte de fotografar? Bom, receita não sei se existe, mas há quem tenha tentado criar uma fórmula matemática para a felicidade. Terá aplicação na fotografia? Talvez. È tudo uma questão de imaginação. A fórmula é RDE. Uma formula que um economista (mais um) inventou. RDE ou seja, a Realidade a Dividir pelas Expectativas. Segundo esta fórmula há duas maneiras de ser feliz: melhorar a nossa realidade, ou baixar as nossas expectativas. Claro que se não tivermos expectativas nenhumas, não podemos dividir alguma coisa por zero.

Se na “realidade”, a nossa técnica e criatividade é um tanto ou quanto limitada, é conveniente não ter expectativas muito elevadas, quanto ao sucesso do nosso trabalho. Por outro lado, se tecnicamente e criativamente formos excelentes (confirmado pelos pares), também não! Exactamente. Mesmo, que o meu “amigo” ou “amiga”, saiba com toda a “certeza” que é um(a) excelente fotógrafo, faça um favor a si mesmo, nada de expectativas. Porquê? Porque há uma grande diferença entre algo que nos faz felizes e algo que não nos faz infelizes. Normalmente tentamos convencer-nos a nós próprios de que são ambas a mesma coisa. Mas não são! Só por si, o acto de fotografar deveria ser suficiente para nos deixar “felizes”. O reconhecimento (ou não) da nossa arte, não deveria tornar-nos “felizes” ou “infelizes”. Por cada pessoa que acha o reconhecimento e a “glória” reconfortante, existe outra que acha sufocante. Por vezes, a mesma pessoa que deseja a “gloria”, depois de a obter, pagava, para nunca a ter conhecido. Neste caso o coeficiente de conforto torna-se num número negativo e afasta-a da “felicidade”. A “fama” ou a falta dela, é algo que devíamos saber “engolir”, quer seja muito saboroso, ou simplesmente intragável. È como o miúdo, que come a sopa toda, e fica á espera da festinha na cabeça. Já encheste a barriga palerma, não abuses da sorte, e parte para a sobremesa. OPV

 

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BES(T) OF  (Sobre Fotografia) Inserido Tuesday 09 September 2008 20:46

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Goalkeeper

Se eu tivesse a sabedoria suficiente para compreender a suprema Arte da Fotografia evitaria os atalhos obscuros que podem desviar-me do meu caminho. O trajecto para a Arte pode ser mais longo, mas é directo, todavia, a maioria de nós prefere os atalhos. Quando metemos por esses atalhos, muitas das vezes, perdemos a saúde para ganhar dinheiro e depois perdemos o dinheiro para recuperar a saúde. Quando estamos nos atalhos e fotografamos, pensamos ansiosamente no futuro daquela foto, e esquecemos o prazer que ela nos dá no momento presente. Quando estamos no caminho certo, tudo é claro e parece que se desenrola de moto próprio. A fotografia quase que se faz a si mesma, e o tempo parece parar. Há variadíssimos níveis de fotógrafos e de fotografia. Mas a fotografia é só uma. Impõe-se por si mesma, pela sua estética e concepção. Nem todas as imagens são Fotografia, como nem todos os “homens” são seres humanos. Há muito “boneco” por aí. Verifiquei isso mesmo, numa pequena peça televisiva sobre a colecção fotográfica do BES. A ideia luminosa de colocar um par de chuteiras num bocado de relva, fotografá-las e imprimir em tamanho XXL pode parecer muito artística, mas não é. A foto é simplesmente má, como a maior parte das que compõe a exposição. Que a senhora responsável pela exposição diga que a foto mais cara custa quinhentos mil euros, só revela que um banco deve ficar-se pela contagem do dinheirinho e mais nada. Quando pretende gastá-lo em arte, só dá merda. Não vi a exposição na íntegra, e não posso afirmar que não haja algumas fotos de qualidade. Mas posso afirmar é que; não há neste mundo, nem no outro, uma foto que valha meio milhão de euros. Se me falarem dos negativos originais de Cartier Brenson ou do Ansel Adams, ainda penso duas vezes. Agora “artistices” não! Já chega o Berardo. Esta gente que de talento nada percebe, e que compra pretensa “arte”, como os russos novos-ricos compram os seus novos “ferros” de golfe, todos do mesmo número, deixa-me siderado. È quase como a febre dos escritores. Gosto de escrever, mas acontece que, quando leio um bom livro, (e já li muitos), perco a pretensão de escrever algo que ultrapasse o carácter praticamente anónimo deste Blogue. No entanto, entro numa livraria, e fico banzado com a imensidão de títulos e autores. Hoje em dia, qualquer idiota, que consiga alinhar as letrinhas de uma maneira racional, é um escritor. Seja futebolista, ou mulher da bola, pivot de televisão, ou cartomante em part-time, polícia reformado ou vigarista no activo, é um autêntico forrobodó. Onde pára a modéstia? Todos estes “escritores”, deveriam ser obrigados, em regime de trabalhos forçados, a plantar o dobro das árvores, que foram abatidas, só para publicar a merda que escreveram. A escrita banalizou-se, e a fotografia também. È “fácil” escrever e é “fácil” fotografar. Daí, a escrever ou captar, algo a “sério” vai uma distância abismal.               Fica uma sugestão ao BES, “garanto” que consigo fazer uma foto igual (ou parecida) a essa do meio milhão, por metade do preço, e ofereço a outra metade a uma associação de solidariedade á vossa escolha, de preferência, uma de invisuais. Com tantos ceguinhos nesse banco, não vão ter dificuldades em descobrir uma. OPV   

          

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Muro visual.  (Sobre Fotografia) Inserido Friday 22 August 2008 19:17

Zen sand  

 

"A hipótese de que as imagens tenham alma parece confirmada pelos efeitos da minha máquina sobre as pessoas, os animais e os vegetais emissores".
(Adolfo Bioy Casares, A Invenção de Morel, 113).  

 

È uma observação perspicaz e uma hipótese plausível, no entanto alma é capaz de ser um termo um pouco datado (humanamente), mas que uma imagem (neste caso uma foto) tem identidade própria, disso não tenho duvidas. No fundo, aquilo que o fotógrafo faz é seleccionar imagens. Selecciona-as porquê? Porque de alguma maneira elas se lhe impuseram, seleccionaram-se a si mesmas. Para simplificar, esqueçamos os milhões de fotógrafos e os biliões de imagens, só um fotógrafo e uma única imagem. Estando o fotógrafo imerso num mundo “virtualmente” visual, porque é que determinada foto se impõe? Com um número quase infinito de ângulos, planos, pontos de fuga, variações de luz e enquadramentos ao seu dispor, ele toma uma opção? Ou não tem opção? Só pode fazer aquela foto e não outra? È o fotografo que faz a imagem, ou é a imagem que faz o fotografo? Parece uma pergunta disparatada não é? Pois é, mas se do universo de todos os fotógrafos (largos milhões), a maioria 99.999% afirmar que, a primeira hipótese é que é verdadeira, então tenho sérias razões para acreditar, que, a segunda é que é “verdade”. A unanimidade sempre me pareceu um bom indicador do que algo está errado.          

Há milénios que lidamos com imagens, símbolos e mitos, que, supostamente deveriam ajudar-nos a descobrir quem somos, ou no mínimo, o que somos. Que sabemos nós? Nada! Não sabemos o que (nem quem) somos. Pior ainda, não sabemos que “realidade” é esta onde estamos submergidos! A alucinação colectiva em que a humanidade está mergulhada é pontualmente quebrada, por aqueles seres humanos que enlouquecem. A mente funde-se com o universo circundante e, os códigos de sobrevivência, vão literalmente “á vida”. O muro visual desaparece. As etiquetas e definições não têm lugar nas identidades vazias. Precisamente por estarem vazias é que cabe lá tudo. Os outros, os “lúcidos”, continuam a trabalhar na mesma frequência. A expandir o self, através da construção e desmaterialização permanente da imagem. Não vemos só aquilo que queremos, o “universo” entra-nos pelos olhos dentro. Quando pensamos que seleccionamos algo com a nossa máquina fotográfica, estamos na realidade a assentar mais um tijolo no longo muro da “realidade visual” que rodeia a nossa existência. Então, quem não faz fotografia, tem esse mesmo muro a rodeá-lo? Obviamente que tem, mas provavelmente nunca se aperceberá dele. Mesmo entre aqueles que praticam a Arte da Fotografia, só alguns, e só ao fim de um certo período de tempo, se apercebem do “muro visual”. È evidente que há uma subtil diferença, entre quem “tira umas fotos” e quem tenta, ou consegue usar a Fotografia como Arte. A diferença é, que, no primeiro caso o olhar do indivíduo é solicitado pelo “objecto” que lhe é familiar. Sejam familiares, amigos, monumentos ou paisagens. As suas opções são aleatórias e sem fio condutor. È (quase) como um pintor Naïf. Passe o pleonasmo, o olhar não está treinado, e só “vê aquilo que vê”. No segundo caso, o Fotógrafo que encara a Fotografia como Arte, tem perante ela, uma altitude conceptual, e uma abordagem criativa, vê fotografias em todo o lado, mesmo onde elas não existem para o “comum dos mortais”. Como é “evidente” não podemos fotografar aquilo que não vemos. Paradoxalmente, algumas das fotografias que vemos, parecem terem sido feitas por invisuais. OPV              

 

 

 

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A Fotografia já era!  (Sobre Fotografia) Inserido Sunday 17 August 2008 19:50

Window of Time    

Não a Fotografia como Arte claro, mas os dias da fotografia impressa em papel já passaram há historia. Isto pode parecer um bocado radical, mas já é uma realidade nos dias de hoje. A chamada “fine art” deixará de ser impressa no melhor papel e passará para os ecrãs de plasma ou similares. O lado mais visível deste novo status é a moldura digital. Nos tempos que se avizinham o trabalho do fotógrafo poderá interagir com várias tecnologias e ser visto no ambiente que os seus consumidores preferirem. Se for caso disso, o fotógrafo poderá inclusive permitir, que o seu trabalho tenha a configuração que mais agrada àquele que o adquiriu. A fotografia on-line já circula em diferentes formas há alguns anos, e algumas ideias e experiências interessantes surgiram, neste ambiente que se criou entre o fotógrafo e o consumidor, ou observador de fotografia. O observador transforma-se num artista? Porque não? A arte fotográfica é cada vez mais digitalizada, e existe uma plataforma virtual que está para alem da fotografia. Na vez de um suporte em papel de 10x15 (por exemplo), a foto passa a ser uma tela virtual que atravessa vários continentes. È expectável que surja um mercado que explore esta nova realidade. Com tudo isto, não é possível que a fotografia enquanto peça de arte, perca o seu valor? A cópia numerada e emoldurada, de uma determinada foto não verá, o seu preço baixar abruptamente? Os fotógrafos não ficarão ainda mais “pobres” do que já estão? Tudo isso é possível, mas é um facto que a revolução já chegou, e quanto mais depressa tivermos consciência desse facto melhor. Pode-se argumentar contra tudo isto que, a Arte da Fotografia tem um determinado apelo físico, que passa pela exigente escolha do papel e do seu tamanho, bem como da moldura, e termina, numa aproximação física e emocional, da imagem com o seu proprietário. Bom, é como hoje em dia, alguns hão-de preferir continuar a imprimir em papel, assim como há quem prefira trabalhar em filme. Seja como for, estas duas opções tornar-se-ão num nicho de mercado, na melhor das hipóteses. Para terminar; pessoalmente, tenho centenas de fotos on-line, em diversos sites, e neste mesmo Blogue. Tirando algumas pequenas cópias em 10x15, que fiz para testar uma impressora, não tenho uma única foto em papel digna desse nome. E sabem que mais? Não vejo mal nenhum nisso, nem lhe sinto a falta. Seja como for, o importante é que, quem se interesse por fotografia, saiba quais são as tendências desta arte, e com que linhas é que se cose. O resto é acessório, se trabalha em filme ou digital, se fotografa para um determinado nicho ou para um mercado mais vasto, é da conta de cada um. Se possível, faça é aquilo de que gosta, de preferência a Arte da Fotografia. OPV          

 

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Machine man  (Sobre Fotografia) Inserido Wednesday 13 August 2008 22:27

Machiavelli lips   

Hoje em dia com o avanço da tecnologia digital, e facilidade de manipulação, a câmera digital parece trabalhar em função do homem. No entanto devido á sua complexidade, parece que cada vez mais que o homem funciona em função do aparelho. A máquina trabalha para o fotógrafo se este trabalhar para a máquina. Neste estranho bailado quem dominará? Será o aparelho que dominará o homem, ou o homem que dominará a máquina fotográfica. Tornar-se fotógrafo profissional, é dar o primeiro passo para o primeiro caso. Ficar obcecado, e dependente da qualidade do equipamento é uma das características do “bom profissional”. Nesta fase “machine man” o fotografo envolve-se mais com o equipamento do que com a arte da fotografia. È quase como que, o escultor preocupar-se mais com o cinzel, do que com aquilo que vai extrair da pedra. Ou o pintor com o pincel. O valor da arte transfere-se da obra para a ferramenta. Talvez por isso e salvo algumas excepções (tipo national geographic) a fotografia dita comercial vai ficando progressivamente pior e mais barata. Também vale a pena citar o caso “obsceno” das fotografias dos filhos de Brad Pit, em que simples e banais fotografias de duas crianças, atingem praticamente o preço de uma obra de Picasso. Simplesmente por questões de mercado. A sociedade de consumo é isto mesmo.

Por outro lado, aqueles “fotógrafos” que não se submetem á tirania do profissionalismo, tem hipótese de ter qualidade acrescida na produção de arte. Isso desde que lembrem destas três conclusões. 1ª- O valor não está nem na fotografia nem no negativo, nem no resultado. Está no acto de fotografar. O valor deste acto, não é transmissível e não pode ser medido em dinheiro. 2ª- O fotógrafo deve estar engajado na produção desse valor eterno que advêm do acto de fotografar e não no aspecto mercantilista da fotografia. 3º- O fotógrafo está e não está interessado na sua “obra”. Ele, fotógrafo, não pretende mudar o mundo com a sua fotografia, mas pretende mudar os outros, dando-lhes informação (com a sua fotografia) a respeito do mundo.              

Ao contrario do que muitos teóricos e profs. de fotografia defendem, não é tornando-se fotógrafo profissional que se resolvem os grandes dilemas da fotografia. Se querem que a fotografia evolua e descubra novos caminhos, deixem isso para os amadores. Os profissionais têm mais que fazer. Por exemplo, pagar o equipamento. OPV   

 

 

 

 

 

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