Reflex II
Segundo o nosso amigo Lunatik, a imagem Reflex, do artigo Pregar no Deserto, foge um pouco á coerência do meu discurso fotográfico. Não deixa de ter alguma razão, mas, para além da coerência na linguagem visual que utilizo, há uma outra vertente a que dou alguma importância, e que para falar francamente, raras vezes exploro. È a Tricky photo. Ou melhor dizendo, a foto problemática, com truque, enganadora. Seja no jogo de luz, ou na composição. A foto que parece uma coisa e é outra. No caso desta foto Reflex, há um paradoxo, em que praticamente ninguém repara. A silhueta que aparece é a minha. Ora bem, como é que eu posso fotografar a minha sombra, estando de frente para ela? A sombra (garanto que é minha) devia estar no enfiamento do “olhar” da câmara, ou seja surgir na parte debaixo da imagem, e não vir de cima da mesma. Verdade seja dita que há um fotógrafo inglês do site Ppfuk.com que andou perto da verdade. Também é verdade, que não coloquei a foto on-line para criar um quebra-cabeças. Coloquei-a em vários sites, com a ideia de que a maioria das pessoas não olhavam para ela duas vezes. Não me enganei, parece vulgar, e como diz o nosso amigo Lunatik, até podia ter sido tirada com um telemóvel. Mas não é, a fusão do cimento com a água, remete-nos para um universo visualmente delirante como é o de Salvador Dali, com um céu sujo e cheio de beatas. A minha sombra é um quebra-cabeças relativamente fácil de resolver. Evoco Dali, apenas no sentido plástico da fusão dos elementos, e não com qualquer outra pretensão. O grande Dali, é o mestre visionário, sonhador ou alucinado, se quiserem, da pintura moderna. Só para evocar o seu nome tive de me penitenciar 100 vezes. Se alguém quiser comentar a foto está há vontade para o fazer. Volto a colocá-la, mas numa versão B/W, que serve também para demonstrar que o preto e branco não é solução para tudo, e nem sempre melhora a fotografia original. OPV





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