Depression
Tal como as armas ou os carros, as câmaras podem ser vistas como máquinas fantasistas cujo uso causa viciação. Nos dias de hoje, cada vez mais, o acto de fotografar alguém, é, ou parece ser um acto predatório. Fotografar alguém é “violar” essa pessoa, é transforma-la num objecto que pode simbolicamente ser possuído. Tal como a câmera é a sublimação da arma, fotografar é sublimar a morte. Uma morte suave, apropriada a um tempo triste e ameaçador. Nos tempos paranóicos que vivemos, a fotografia (quando o tema é o ser humano) está a ser empurrada para um gueto criado pelos tablóides juntamente com as revistas cor-de-rosa, e delimitado pelo terrorismo. Por isso tenha cuidado com aquilo que fotografa, e lembre-se que excepto em tempos de guerra, os carros matam mais do que as armas. OPV




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