Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 08/11/28 20:28 / 191 Artigos publicados

Causas

Lonely Planet  (Causas) Inserido Saturday 20 September 2008 22:11

Mushroom

Um livro que se me afigura “interessante” é “Do travel writers go to hell?” de Thomas B. Kohnstamm. Resumidamente, a historia denuncia a industria dos guias de viagens. O autor assume, que inventou a maior parte daquilo que escreveu sobre o nordeste brasileiro, porque o dinheiro que lhe pagavam não chegava para os gastos. Escrever sobre hotéis, restaurantes e sistemas de transportes é uma tarefa enorme. Nem o tempo nem o dinheiro de que dispunha lhe permitiam cobrir tudo aquilo que a editora queria publicar. Passou por uma série de aventuras, chegou a ser preso pela polícia brasileira, e no fim escreveu um livro “engraçado”. Porque é que esta história me interessa? Porque é mais uma achega para aquilo que venho afirmando; A REALIDADE È UMA FICÇÃO. As viagens de sonho, na “realidade” não passam disso mesmo, sonhos (ficção), muitas vezes transformados em pesadelos.  

O homem inventa uma série de dados e de factos, fornece-os a uma editora, esta publica-os, e já está, “oficialmente” passa a ser verdade. “Verdade” religiosamente seguida, por essa nova espécie, nascida no século passado, o homoturist. Esta ideia modernaça da indústria do turismo (conceito arrepiante) que pega num cidadão, e o põem a esperar horas a fio por transportes que não aparecem. A conviver em resorts, com aqueles, de quem ele tenta fugir o resto do ano. A visitar locais “especiais” em manada. A degustar comida que não lembra ao diabo e a frequentar praias que de sonho só tem os postais. Esta ideia como dizia, é do mais alienante que é possível. Na verdade, o logro de Thomas acaba por não ter nada de mal, porque no fundo, os “turistas” merecem mesmo, é uma valente diarreia. Sim, porque para alguém, enfiado numa casa de banho pública brasileira, não há por do sol em Jericoacoara que levante o moral e aconchegue a alma. Já sei que, de uma maneira ou de outra, acabamos todos por ser “turistas”, mas pode ser-se “turista” sem ter a ideia parva, que aquela viagem vai mudar a nossa vida, ou vai fazer de nós seres diferentes e melhores. Coitados de nós se embarcarmos nessa, e coitados daqueles que, impressionados por um documentário ou aventura alheia, procuram longe, o teatro dos seus sonhos. Ainda não perceberam, que o mais importante, é mesmo a viagem interior. Aí, só cada um sabe a distancia que percorre (ou se não sai do mesmo sitio). Por vezes, não há nada melhor, que um alegre convívio com os amigos, em qualquer sítio do mundo, ou no quintal lá de casa, desde que se possa comer uns pipis, e beber umas cervejas. OPV

 

 

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Big Casino  (Causas) Inserido Tuesday 16 September 2008 20:52

Rich Man  

Penso que o jogo do Monopólio não é estranho a ninguém, praticamente todos nós o jogamos, pelo menos uma vez na vida. Lembro-me que, por volta dos meus trezes anos tive um jogo desses como presente de aniversário. As poucas vezes que convidei os meus amigos para jogar, ganhei sempre. Como era o dono do jogo, fartava-me de inventar novas regras, e fazia batota descaradamente. Conclusão; os meus amigos fartaram-se de ir parar á prisão, bem como de perder propriedades na Rua Augusta, assim como no Rossio, e, mandaram-me jogar ao pau com os ursos. Melhor dizendo, acabamos por jogar ao pião, que pelo menos aí, não dava para inventar nada. Desde essa altura, que fiquei profundamente convencido que neste tipo de jogos, o dono, ou a casa ganham sempre. Bom, até ontem, quando veio a lume a noticia da falência do banco de investimento Lehman Brothers, o quarto maior dos USA.  Parece que os amiguinhos do Lehman, o mandaram jogar ao pião, agora que é politicamente incorrecto brincar com os ursos. Contudo, uma coisa apreendi no Monopólio, para um ou mais jogadores perderem, alguém tem que ganhar. O dinheiro não vai parar ao fundo do oceano, nem se desfaz em fumo. Para onde foram os milhares de milhões que o banco anuncia como perdidos? De certeza que para o bolso de alguém. Há também, uma pequena coisinha, que me incomoda um bocadinho. Um ex-presidente foi alertado “È a economia estúpido”. Eu pergunto; que merda de ciência é a Economia? Há mais doutorados em economia, do que areia no deserto, e esta bodega está toda de pernas para o ar. Pelos vistos os números mentem, e de que maneira. Como é que, com tantos crânios “económicos” espalhados pelo planeta, ninguém atinou ainda com a forma de gerir esta mercearia global? Que, não passam todos duma cambada de imbecis, pagos a peso de ouro, isso eu já sabia, mas o mundo, só o está a descobrir agora. Parece-me, que os donos do jogo querem ganhar sempre, e sempre, até rebentarem com os otários que convidaram para jogar. Para que isso aconteça, fazer batota, ou mudar as regras a meio, não é problema de maior. Há uma lógica irrefutável nestas duas perguntas; se o planeta Terra é riquíssimo, e é de todos nós, porque é que não somos todos milionários? Se há falta de dinheiro para algumas populações carenciadas, e se o dinheiro é simplesmente papel, porque não se imprime mais? Querem saber porquê? Porque A REALIDADE È UMA FICÇÃO. Não me canso de dizer isto. “Tudo” o que nos rodeia foi inventado, inclusive o dinheiro. Aquele povo que foi inventado (artigo Mega Kaballa) acabou por inventar os juros e a banca. Vejam no que deu. Se todos nós nascêssemos com um milhão de euros na conta bancária, quem é que ia trabalhar? Quem construía as estradas para os novos-ricos passearem os Porches? Quem construía os campos de golfe, e os jactos privados? Quem levava a madame ao cabeleireiro e os meninos ao piano? Os donos do mundo têm mesmo um sentido de humor bastante negro. Alem de fazerem com que haja pobrezinhos em número suficiente, (são uns queridos) para que, as primeiras damas, o Bono e a Oprah organizem um chásinho de caridade, também conseguem ter humor nas letras. Se não, reparem se estes nomes não são de morrer (literalmente) a rir. Lehman Brothers, um banco ou grupo de Rock? A mega imobiliária Fannie Mae? Fannie, Funny, (engraçadinho) Fun, Mae? Estão a gozar? Mas a minha favorita é a Freddy Mac. Será uma mistura do saudoso Alfredo Mercúrio com a MacDonald’s? Há muito que devíamos saber que, um nome diz tudo, ou quase tudo, de alguém ou de algo. Quando o PS escolheu Sócrates, estava á espera de transformar o país em dez milhões de filósofos, ou que acabássemos todos por tomar Sicuta?        

Pois é meus amigos, isto é um grande jogo de Monopólio, mas como não somos os donos do jogo, é melhor começarmos a aprender a jogar pião. OPV   

 

 

 

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Varett  (Causas) Inserido Saturday 13 September 2008 00:14

Black and Blue   

Na revista Sábado desta semana vinha um artigo interessante, ou pelo menos assim parecia. Um “pintor” desconhecido ou incompreendido, que parece um sexagenário inofensivo, adopta o pseudónimo de Varett e transforma-se num “guerrilheiro” artístico. Resumidamente, a guerrilha é esta; o “artista” pega numa pintura de sua autoria, e á socapa, coloca-a num museu badalado, junto a outras pinturas expostas de autores reconhecidos. Não é propriamente uma novidade, um inglês de nome Banksy, já fez isto e tornou-se famoso graças a isso. Esta é a parte interessante, o lado subversivo da coisa. Mas depois a historia descamba para o melodrama. Varett é afinal, um pintor que se sente frustrado, porque já percorreu a via-sacra das galerias e viu a sua obra ser sistematicamente recusada. Assim, resolve expor nos maiores museus, mesmo que clandestinamente. Como disse antes, até aqui tudo bem. O pior está para vir. Numa dessas incursões, resolve deixar uma carta por trás da sua pintura. Nessa carta dirigida a Joe Berardo, propõe entre outras coisas, um projecto para ajudar os artistas desconhecidos, a terem uma oportunidade. Para isso, sugere a criação das “Casas do Berardo”. Uma “genialidade” inspirada nas casas do Benfica, que deveriam espalhar-se pelo país. Serviriam segundo palavras do autor, “ para dar vida a muitos mortos e desconhecidos que se arrastam por este país fora de pincéis penhorados”. Para isso, bastaria o nome de Berardo. Nesta altura do artigo, não posso deixar de exclamar “Are you shitting me?”. Ou na velha língua de Camões, “estás a gozar comigo”? Quer dizer, com os possíveis leitores. Afinal qual é a ideia? Termos seis milhões de Paulas Rego? Ou na versão de terror, seis milhões de Calhaus e Sarmentos? Donde vem esta obsessão de expor á viva força, esta necessidade de ser famoso? Se a maioria (99%) dos “artistas” tivessem vergonha na cara, não mostravam a merda que fazem. A ninguém! Sim, porque é preciso dez milhões de portugas para produzir uma Paula Rego. Ela pelo menos, sabe o que faz, e porque o faz. Os Calhaus, e afins, fazem-me lembrar uma história verídica, passada numa vernissage de um pintor amigo. A dada altura da noite, um outro amigo meu, arquitecto de profissão, “segreda” ao autor das obras expostas. “Eu vomito melhor, do que aquilo que tu pintas!”. O pintor encaixou, fez um sorriso amarelo e foi buscar mais um copo. O arquitecto não deixava de ter razão, mas, o pintor não era um verdadeiro artista, porque se não, tinha respondido na mesma moeda; “aquilo que eu defeco, tem mais estilo, que os prédios que projectas”. O facto de ambos terem razão, prova que, está tudo doido, nesta autentica feira de vaidades em que se transformou a Arte, seja ela, pintura, escultura, fotografia ou arquitectura. A necessidade doentia de ser reconhecido e valorizado, leva a ideias mirabolantes, como alguém que murmura para si mesmo;  “Vejam, vejam, fui eu que pintei, projectei ou esculpi isto, sou genial não sou”? Esta necessidade remete-nos para personalidades patologicamente narcísicas. O caso do “guerrilheiro” Varett, é um bom exemplo de como se vende a alma ao Diabo. Não lhe chega o prazer de pintar, é preciso ser reconhecido, nem que seja á força. Quer entrar para o sistema, viver como o inimigo. È como se um terrorista a sério, desistisse de pertencer á Al Quaeda, desde que lhe arranjassem uma casinha em Manhattan, ou até no Bronx. Para terminar fica um conselho ao Varett; se quer expor a sua pintura, fotografe-a e publique-a na Internet, terá com certeza mais visitantes que em qualquer museu. Já agora, mantenha-se na “clandestinidade”, lembre-se que neste país, há muitíssima gente que “vomita” melhor que o senhor. OPV      

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Integridade  (Causas) Inserido Monday 07 July 2008 20:24

Mountain of vanity  

 

Todos, ou quase todos levamos a nossa miserável vidinha tranquilamente, mesmo quando sabemos que a humanidade tem uma ampla capacidade de produção de alimentos para todos os seres terrestres, e toleramos displicentemente que o sistema de mercados resulte em milhões de seres humanos a morrer á fome todos os anos. Isto terá origem numa miríade de reflexos cerebrais mal formados que sinalizam tamanha falta de integridade das pessoas, o que poderá determinar a desqualificação da humanidade como “raça superior” e levá-la á mutação para uma espécie de “andróides” estimulados pelo consumo e o hedonismo! È um facto que os reflexos condicionados nos governam boicotando as nossas mentes. O medo da pobreza, da doença ou do insucesso social leva-nos a fazer coisas que se pensássemos bem não faríamos. Integridade significa que a mente lúcida e desperta, deve combater a geometria tridimensional, os reflexos condicionados instalados e os arquétipos ancestrais que nos vão assombrando ao longo da vida. Algumas crenças dadas como provadas e aceites como puras verdades não são mais que uma simples ilusão, por vezes de óptica (como a fotografia não se cansa de demonstrar). Eis algumas dessas crenças; A crença de que as linhas rectas se estendem até ao infinito. Acreditar que varias linhas podem passar pelo mesmo ponto ao mesmo tempo. A crença que os “sólidos” são realmente sólidos. Acreditar num mundo tridimensional independente dos nossos reflexos cerebrais. A crença que existe mais do que uma raça de seres humanos. Acreditar que o dinheiro existe independentemente dos nossos cérebros (dêem um milhão de euros a um macaco ou a um cão e logo vêem) e numa quantidade limitada. A crença que os recursos existem também em quantidades limitadas (para quem e por quem?). Existem mais algumas mas fico-me por aqui. Que resulta então de tudo isto? Bom, tanto a mente com as leis cósmicas que ela transcreve são “não localizadas” nãos especificadas, isto é sem peso, sem massa sem temperatura. Tudo o que se passa na nossa mente é um reflexo que preenche um determinado espaço mas que não tem uma verdadeira conexão com o “real” embora pareça coerente com as forças universais. Os nossos conceitos de “cima” e “baixo”, “quadrados” ou “cubos” não passam disso mesmo, conceitos que não tem correspondência real no universo “lá fora”, exterior á nossa mente. O que tem a fotografia a ver com isto? Tudo, continuem a praticá-la e pode ser que um dia tenham a resposta. OPV  

 

 

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Revolução ?  (Causas) Inserido Saturday 05 July 2008 21:12

Matriarchal work

 

Praticamente em todas épocas da historia surgiu a figura de um (ou mais) salvador, que nas suas tentativas de libertar a humanidade deram a origem a catástrofes de grandes proporções. Ficamos a saber que a rebelião ou a tentativa de mudança do status quo, longe constituir um facto único, não é mais do que parte de um ciclo maior de perturbação e restabelecimento da Ordem. Podemos então pôr tudo em dúvida. A questão não é apenas se uma revolução qualquer contra o Sistema poderá cumprir ou não o que pretende, nem se precisa de terminar numa orgia de destruição. A duvida é se o seu advento não terá sido previsto ou mesmo planeado pelo Sistema. E será, que, mesmo aqueles que se libertam do Sistema têm a liberdade para fazer qualquer outra escolha? Valerá a pena correr o risco de rebelião declarada ou então a resignar-se a jogar os jogos locais de “resistência” ao mesmo tempo que se permanece dentro do Sistema? Ou seja; minar o Sistema por dentro ou ataca-lo por fora? Embora o capitalismo selvagem e a seita de especuladores ainda estejam no poder através da política, da publicidade e dos meios de comunicação. As pessoas devem perder o medo e perceberem que os seus pseudo empregos, os seus lindos carros, as suas casas de sonho, as suas dívidas, hipotecas e apetite desenfreado pelo consumo, não passa de mais uma “realidade virtual” há qual aderiram sonhadoramente. A meio do caminho descobriram que o sonho virou pesadelo e que são tão escravos do Sistema como no tempo dos Romanos. A diferença é que agora não vão para as galés mas sim para debaixo da ponte ou para o psiquiatra com a sua personalidade completamente destroçada. Quem tudo quer, tudo perde. Mas cada um tem aquilo que merece, não é? OPV

 

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