Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 09/01/05 21:18 / 197 Artigos publicados

Kultura

KaliforniKation  (Kultura) Inserido Friday 07 November 2008 18:10

D. and B.

Pois é, meus amigos, o grande antídoto para a depressão não é o Xanax, Prosac ou afins. O grande remédio é o humor! Sim, o humor com que olhamos o mundo, e o humor com que aceitamos a forma como o mundo nos olha. O que é que isto tem a ver com o titulo do artigo? Tem tudo, num artigo anterior falei da visita do consagrado fotógrafo D. Fokos a Portugal. A sua esposa Barbarella é articulista dum jornal californiano, onde tem uma coluna com o improvável nome Diva Barbarella, o jornal é o San Diego Reader, que tem uma edição online. Pois bem, tal como ela já tinha dito que ia fazer, publicou a historia da sua visita a Portugal sob o titulo Portuguese Hospitality, com direito a vídeo no YouTube. Bom, é aqui que entra o humor. Descobri algumas coisas sobre mim, e sobre o país, das quais não fazia a mínima ideia, umas estão certas outras estão erradas. O artigo está bem escrito, com humor e tem algumas observações pertinentes. Pois então, segundo a Diva, descobri, que sou um sósia do Nicholas Sarkozy, só que mais alto e mais moreno, com um queixo maior e um nariz mais pequeno. Está certo, ora bolas, eu sabia que era feio, só que não sabia que era tanto. Continuando; a minha voz, ou a maneira como me expresso em inglês, parece o Count von Count (um vampiro?) da Rua Sesamo ou Sesame Street’s. Como nunca vi o programa, nem a personagem a falar, não faço ideia se está certo ou errado. Mas se ela o diz, quem sou eu para contestar. Afinal não sou pivô de televisão por alguma razão, agora descobri qual é. Fiquei a saber também (por acaso já sabia), que a minha mulher é bonita, morena, alta e elegante como um manequim, fashion model, segundo as suas palavras. Está certo. Ora toma lá Sarkozy, pensavas que eras só tu, é que tinhas direito, a ter uma esposa com perfil de manequim? Eu ainda tenho a grande vantagem de a Paula não cantar, e também não preciso de usar tacões. Abreviando, na perspectiva da Diva, fartei-me de elogiar Portugal, a capacidade dos portugueses para falar línguas, a comida, os vinhos, e até os escritores portugueses. Certo, mas é aqui que a porca torce o rabo. Embora concordando que Barbarella tem uma abordagem engraçada, e uma boa capacidade de análise, fico na dúvida se realmente tem a bagagem suficiente para fazer aquilo que se propõe fazer. Ou seja, escrever, e escrever bem. O que é diferente de descrever. Senão vejamos; que ela não conheça Fernando Pessoa é tolerável, afinal é americana e Pessoa é um escritor de culto. Que ela não conheça Jorge Luís Borges, já é um bocado mais grave, porque não há nenhum aspirante a escritor de ficção que não conheça o Mestre. Mas que ela desconheça totalmente Paul Auster, um escritor contemporâneo e seu compatriota, é que não tem desculpa. Assim sendo, fico com as ideias “baralhadas”, devo dar algum crédito aquilo que ela escreve, ou é simplesmente mais uma colunista generalista com verbo fácil? Claro que a pergunta era retórica, e ela consegue fazer uma boa análise, pelo menos conseguiu na observação certeira que fez sobre a ribeira do Porto. À noite é bela, de dia é um “monstro” devido á degradação. “Parece que meteram Tijuana no meio de Paris”. Para o nosso imaginário talvez Beirute fosse melhor. Para concluir, a maneira como os outros nos vêem, deve servir para nos fazer reflectir sobre a nossa “realidade” e a do mundo onde nos inserimos. No meu caso, não sabia que era tão feio, e não fazia ideia de que gostava tanto de Portugal. Se quiserem ler e ver o artigo vão ao seguinte endereço. OPV  http://www.sandiegoreader.com/news/2008/nov/05/portuguese-hospitality/

Link permanente

Tempos inglórios  (Kultura) Inserido Wednesday 29 October 2008 23:17

Going down! 

Nos dias de hoje vivemos em pleno confronto entre a maneira como o senso comum pensa que compreende a ciência, e a maneira como encara a “moral”. Por um lado temos o fundamentalismo científico que disseca os factos, por outro lado, temos um cepticismo generalizado no que toca aos “valores”. Esta divisão cria um abismo entre informação e opinião. Quando queremos uma informação sobre um tema específico, devemos recorrer a uma “autoridade” que nos possa esclarecer. È obvio que se alguém está com problemas de saúde, deve consultar um médico e não um filósofo. No entanto se a questão é “moral” ou de “valores”, toda a gente tem opinião, e todas as opiniões parecem ganhar relevância. Ou seja, tirando as áreas “mais ou menos” científicas, toda a gente manda palpites. E isto engloba tudo, literatura, pintura, fotografia, cinema, jornalismo e sabe-se lá mais o quê. Hoje em dia, “toda a gente”, pinta, escreve ou filma qualquer coisa. Afinal Andy Warhol sempre tinha razão, toda a gente tem direito aos seus quinze minutos de fama. O pior é o resto do “jogo”. Não há maneira de não ficar espantado com a quantidade de livros que são editados, mas não me espanta nada verificar que 99% desses mesmos livros nunca deveriam ver a luz do dia, ou sequer a tinta de impressão. A pintura vai pelo mesmo caminho, e o que se passa na área da fotografia é avassalador. Por dia são feitas milhões de fotos, quais são as que se destacam? E por quanto tempo? Basicamente, perdeu-se a ideia da obra projectada no tempo e realça-se a peça individualizada. Quando ouço falar na feira do livro de Frankfurt ou nas bienais de Madrid ou de S. Paulo, com espaços de milhares de metros quadrados de “arte” a la carte “ só me dá vontade de rir. Imagino uma fabrica de sósias de Victor Hugos, Cervantes,  Picassos, Dalis, Bacons,  Cartiers Brensons e outros. Nessa fábrica mete-se a carne moída (aspirante a artista) por um lado, e recolhe-se o chouriço (pseudo artista) do outro. E porque é que me dá vontade rir? Precisamente porque vivemos tempos inglórios. Hoje em dia tudo é efémero. Enquanto há cem anos atrás, aparecia apenas um Picasso com uma abordagem original á pintura, hoje aparecem milhares a fazerem a mesma coisa. Ou seja, uma reciclagem daquilo que o Picasso já fez. Quem diz Picasso, diz Dali, Bacon, Kafka ou outro mestre qualquer, em qualquer outra área. Lamento informar, mas por muito paradoxal que pareça, a democratização da Kultura matou a Cultura. As malhas da rede que “pesca” os génios, continuam tão apertadas como antes. Só que agora, pesca-se de arrastão, e para encontrar um peixe raro, tem que se mandar muito carapau pela borda fora. Ou dito de outra maneira, os “verdadeiros génios” continuam a ser raríssimos, e não há fábrica de “chouriços” que os produza. Em contrapartida, a fábrica de “chouriços jeitosos” trabalha a todo o gás e submerge o mercado com novos “talentos”. Querem exemplos? Pois há muitos, mas fiquemo-nos pelo paradoxo da literatura contemporânea. Não é possível escrever um livro de seiscentas paginas, ano sim, ano não. Quer dizer, escrever um livro até é possível, mas fazer literatura, não é. Isso leva-nos a outra questão, quem escreve um livro baseado numa fórmula com fins comerciais é escritor? Provavelmente não, e podemos aplicar essa mesma conclusão a quase tudo o que a “arte” produz hoje em dia. Ou seja, muitíssimos “artistas”, mas praticamente nenhum Génio, ou até mesmo meio Génio. Parece que o stock de génios se acabou no milénio passado. Por isso, quando “alguém” tiver muita vontade de ser “artista” talvez seja boa ideia adoptar esta máxima que acabei agora mesmo de inventar; “Se não posso ser um Picasso, não vou vender a alma ao diabo para ser um Picassozinho”. OPV             

 

 

Link permanente

Tokyo Motel  (Kultura) Inserido Tuesday 23 September 2008 21:24

Óbidos

Segundo um artigo do Sunday Times, no Japão, quem tiver dinheiro que chegue, pode resolver qualquer problema amoroso. Ver-se livre do parceiro indesejável, recuperar um que ande perdido, voltar para o ou a ex, estabelecer uma relação com alguém que viu mas ainda não conhece. Enfim, o que quiser, há empresas que ajudam as pessoas utilizando agentes, tecnologia sofisticada, (micro câmaras, gravadores sofisticados) e psicologia a condizer.

O primeiro passo é a investigação, descobrir o que for possível sobre os hábitos quotidianos do alvo, os gostos e desgostos. O segundo passo é engendrar uma sucessão de encontro entre o “agente” e o alvo. O terceiro é seduzir. Para que conste, há agentes femininos e masculinos. A agência ACYours cobra cerca de 9400 € por três meses para conseguir um rompimento, e mais de 15.600 € para voltar a juntar.

Claro que esta actividade dá origem a situações caricatas. Um vendedor de 50 anos e careca, com um fato foleiro, presume que é irresistível para as mulheres. Não fica desconfiado quando uma jovem encantadora mete conversa com ele. Segundo os “agentes” as mulheres são mais desconfiadas, não tomam como garantido que um homem atraente meta conversa com elas. Estão mais interessadas no “amor” do que no sexo. Claro que o “agente” sabe disto e transforma-se no “príncipe encantado”. È simpático, atencioso e delicado, tudo o que ela sempre desejou encontrar num homem. Enfim, aquilo que nós definimos como engate e fazemos de forma “atabalhoada”, deixando ao acaso, ou á “sorte” o desenrolar dos acontecimentos, os nipónicos destas agencias, fazem-no coreograficamente e com uma meta definida. Qual é o meu interesse nesta historia? O mesmo de sempre, comprovar que aquilo que tomamos por consistente não o é de todo. O velho lema, A REALIDADE È UMA FICÇÃO, é cada vez mais pertinente. Um homem ou mulher, que seja manipulado desta maneira, acaba por viver uma ficção como se fosse “realidade”. Aí entra a velha pergunta, o que é a “realidade”? Será que enquanto a pessoa vive a ilusão, não vive na “realidade” daquele momento? Haverá uma diferença assim tão grande entre estas encenações, e aquelas que “nós” construímos para “conquistar” os, ou as nossas, respectivas caras metades? Provavelmente, não fomos tão maquiavélicos, mas não deixamos de ser em certa medida manipuladores e manipulados. Cada um é que sabe aquilo que fez (ou deixou de fazer), para conquistar o “objecto” do seu desejo. Mas ninguém sabe o que fez o “outro” para se “deixar” conquistar. Levando a paranóia ao extremo pode-se perguntar; o teu “homem ou mulher” é genuíno ou não passa dum “agente acidental”? Parece um exagero? Pois parece, mas também podemos viver toda a vida ao lado de outra pessoa e nunca a conhecermos. Convêm ter cuidado com aquilo que se deseja. OPV    

 

 

Link permanente

Mega Kaballa  (Kultura) Inserido Sunday 14 September 2008 22:15

Tunnel of suspicion

Há um livro que está a causar uma enorme polémica em Israel, e não só. Ao mesmo tempo, está também ser um sucesso de vendas. O livro cujo título em francês é, Comment le peuple juif fut inventé, põe em causa o povo judeu como “nação – raça”. Afirma entre outras coisas que, os palestinianos de hoje serão os “genuínos descendentes” dos antigos habitantes do reino de David. Sugere também, que o grande exílio é um mito originalmente cristão. Que, pela constante repetição, os historiadores sionistas, transformaram a viagem de Abraão para Canã, a fuga do Egipto e o reino de David e Salomão, em “verdades” bíblicas. O escritor Shlomo Sand, que é judeu, e historiador na Universidade de Telavive, bem dizer ao mundo que “o povo judeu é uma invenção”. Não diz isto á toa, faz um estudo profundo da história sionista, e o livro tem mais de 500 referências.

A história dos judeus, assim como a de qualquer outro povo, não me interessa particularmente. No entanto, a historia deste livro, interessa-me especialmente. Porquê? Porque vem dar ênfase àquilo que venho afirmando neste Blog. A REALIDADE È UMA FICÇÃO. Ou se quiserem, uma mentira construída pelo homem ao longo dos tempos, que de tanto ser proclamada como verdadeira se tornou “realidade”. Aquilo que tomamos como certo, a cor, a raça, o poder, o dinheiro, etc. Não existem. São definições criadas pelo homem, e para o homem. Seja verdade ou não, este livro põe o dedo na ferida aberta da nossa credulidade. Somos vitimas da regra que afirma que; uma mentira sistematicamente repetida, transforma-se em “verdade”. Se por acaso, a teoria que este livro defende for verdadeira, o engano torna-se numa monstruosa e tenebrosa mentira. Em nome de quê e de quem, morreram e se matam milhões de seres humanos? Todo o edifício de uma cultura é erigido sobre um terreno pantanoso. A dedicação doentia que os ortodoxos dedicam ao cumprimento das regras, não é afinal pura e simples alienação, ou sem temer a palavra, loucura? A infalibilidade da Torah, o rigor de todas as regras espúrias, o respeito pelo Sabbath, tudo isto é afinal o quê? No entanto, esta duvida que se coloca ao Judaísmo, também se aplica ao Islão, ao Cristianismo, ao Budismo ao comunismo, ao socialismo e ao capitalismo. No fundo, aplica-se a todos os ismos, e a todas as construções sociológicas, erigidas pelo homem. Em Portugal, os manuais escolares a circular no próximo ano lectivo, tem inúmeros “erros” destes. Por exemplo; “lava-se” sistematicamente as atrocidades cometidas pelos regimes de Estaline e de Mao. Onde quero chegar com tudo isto? Bom, somos aquilo que pensamos, e se pensarmos mal, porque os dados que nos são fornecidos estão viciados, então, estamos tramados. Aliás, como o estado actual do mundo pode confirmar. Soluções? Não existem. Cada um que pense por si, e faça o melhor que saiba e possa. O maior problema será filtrar a informação. Portanto, se acha que tem ideais bem fundamentados, e não tem nada a ver com o assunto. Pense duas vezes. Pense bem onde mergulham as raízes das suas convicções (sejam elas quais forem). Se em aguas límpidas e cristalinas, ou num pântano sulfuroso? OPV   

 

 

 

Link permanente