Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 08/11/28 20:28 / 191 Artigos publicados

Dikas do Dick

Kanikultura  (Dikas do Dick) Inserido Thursday 28 August 2008 20:20

Watchful

Este artigo era para ser sobre fotografia mas o Dick pediu-me que divulga-se este aviso á navegação.

“Chegou-me aos ouvidos através de uma pulga indiscreta (também vem no JN) que no canil intermunicipal de Vale de Cambra, há irmãos meus a serem negligenciados. Pelo que consta os cachorros estão praticamente a morrer á fome e completamente desidratados. Segundo a directora do canil, já foram recolhidos assim, magros e sarnentos. Ao sábado, os cachorros comem mais tarde porque ao domingo o canil está fechado. Por consequência os animais ficam completamente sozinhos. Ora bem, como ainda não consegui confirmar esta informação, por enquanto não vou tomar medidas drásticas. Mas se por acaso vier a descobrir, que, pessoas que recebem um salário para cumprir uma determinada missão, se estão nas tintas para aqueles que devem cuidar e proteger, estamos mal. Os responsáveis podem pensar que estou a ladrar ao vento, mas não se esqueçam  que há muitos cães soltos nas ruas. Em qualquer esquina, a qualquer momento, estão sempre sujeitos a levar uma mordidela. Não subestimem a rede de comunicações canina. Muito menos, a sua guarda avançada. Uma coisa é uma visita do “Horácio”, um cão de raça lavrador, muito cavalheiro, que faz de conta que morde. Outra história é uma visitinha do “Matracas”. Um Pit Bull meio marado, que sempre que sabe de historias destas, arranja maneira de se escapar ao dono, e faz uns estragos do caraças. Todo aquele que maltratar, abandonar ou negligenciar animais, e neste caso específico, cães, deve estar preparado para mais tarde ou mais cedo sofrer as consequências. Até agora não sabiam disto, a partir de agora não digam que não vos avisei. Se não gostam de nós tudo bem. Mas não nos iludam, nem nos batam. Respeitem-nos, e deixem-nos em paz. Lembrem-se que o “Matracas” não é exemplar único.” Devo acrescentar que o Dick estava mesmo zangado, quando me ditou este aviso,  e que noutro dia durante um passeio encontrou dois cães com um aspecto duvidoso.  Pareceu-me que estavam a conferenciar. Cá por mim, não gostava nada de encontrar nenhum daqueles dois, á noite, numa rua escura. È bom lembrar que, por vezes, a realidade ultrapassa a ficção.  OPV       

 

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Liberdade insegura  (Dikas do Dick) Inserido Wednesday 27 August 2008 21:22

Tunnel of dog

Mais uma vez encontrei o Dick em frente á televisão completamente deprimido. Sabia que me ia arrepender, mas perguntei na mesma, então o que é que se passa? Bom, entre tantas desgraças que acabei de ouvir no noticiário, há duas que me deixaram de boca aberta e de orelhas caídas. Uma foi a de um assalto a uma ourivesaria, onde os ladrões não roubaram nada mas deram um tiro na cabeça ao proprietário. Outra é, a de um casal de idosos, que foram agredidos, um deles até á morte, para no fim lhes roubarem dez míseros euros. E eu, é que sou o animal? Concordo que é uma bestialidade. O Dick indignou-se, mas resolveu esclarecer-me. A liberdade e a segurança são incompatíveis. Estás a ver quando vais passear comigo? Se me levares pela trela, não tenho liberdade para cheirar o que quero, ou mijar onde me apetece. Por outro lado, se me deixares solto, e como sou um bocado para o grande, (enorme) as pessoas sentem-se inseguras. Resumindo, se estiver livre, crio o sentimento de insegurança, se estiver seguro, adeus liberdade, percebes? Sim, percebo (sabichão dum raio) mas, o que tem isso a ver com os crimes do noticiário, e a crise de insegurança? A segurança, ou falta dela, é um sentimento que uma vez instalado, se alimenta a si mesmo. Quanto mais brutal é o crime, mais alimenta o imaginário global. No entanto, o que se passa neste país, não é do foro criminal. Não é? Não, é do foro da psicanálise. È a besta que há em cada ser humano a imergir. Em alguns imerge mais rápido do que noutros. Um ladrão não precisa de matar para roubar. Quem mata “gratuitamente” é o psicótico. Não são mais policias, ou mais prisões, que vão resolver este problema. Como de costume vou arrepender-me de perguntar. Então como é que se resolve? Não se resolve, está na vossa natureza, habituem-se a viver com isso! Queres ouvir uma história? Adiantará dizer que não? Então o Dick desbobinou a história dum cão amigo dele: era um macho, um rafeiro alentejano. Sempre que aparecia uma cadela por aquelas bandas ele ficava excitado e intratável. O dono batia-lhe com um ritmo pavloviano (onde raio aprendeu isto?). Isso aconteceu tantas vezes que o pobre do meu amigo já não sabia o que fazer. Quando farejava uma cadela, escondia-se no jardim com as orelhas caídas e o rabo entre as pernas, a ganir. Onde quer ele chegar com essa história? Nós, os cães, ainda admitimos sermos castigados por uma asneira, (sem pancada claro) como roer o tapete ou um sapato. Mas com o desejo é outra história. Nenhum cão que se preze aceita ser castigado por seguir os seus instintos. O que é ignóbil no caso do meu amigo, é que aquele calmeirão, começou a odiar a sua própria natureza. O dono não precisava de lhe bater. Ele já se castigava a si mesmo. Ainda lhe disse que poderia ser pior. O dono podia mandar castra-lo, ou abate-lo a tiro. Sabes qual foi a resposta dele? Lá no fundo ele preferia ser abatido. Antes isso, a ter que negar a sua natureza ou passar o resto da vida na sala de estar, a farejar o gato e a ficar obeso. Moral da historia: o homicida não consegue contrariar a sua natureza, cabe ao “dono” castrá-lo ou abate-lo. Caso contrário, ele vai acabar por roer-lhe mais alguma coisa do que um simples chinelo. O meu cão a defender a pena de morte? Se abatem os cães raivosos, porque não hão-de abater os homens raivosos? Franzi o sobrolho. Pronto, pronto, já vi que és muito civilizado, que tal prisão perpétua e uma cadeia só para crimes de sangue, com trabalhos forçados? Sugere ele, e também aconselha; até lá, habituem-se! Ou então comprem um cão! OPV 

 

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È pró ceguinho  (Dikas do Dick) Inserido Saturday 23 August 2008 20:41

Monocular

Cheguei a casa e dei com o Dick deitado em frente á televisão, a ouvir atentamente as explicações daquele rapaz do lançamento do peso. Estava num programa em directo, e mostrava-se constrangido com a interpretação nacional que foi dada aquela “história da caminha”. Com uma adolescência difícil, o simpático jovem via no atletismo uma saída para evitar um futuro sombrio. Eis a análise do Dick. Primeiro, o jovem tem sentido de humor, e o resto do país não tem. Já disse antes, que a “história da caminha” me pareceu uma tirada inteligente, porque tenta através do humor exorcizar um mau momento. È preferível a, chorar baba e ranho, e flagelar-se em publico. Metamorfoseia um acontecimento pretensamente desportivo, noutro meramente comercial. X de apoio = Y de medalhas. Segundo, o jovem é ingénuo e o resto do país ainda é mais. Se ele pensa que teve uma adolescência difícil, que pense duas vezes. O bairro problemático ou o gang conflituoso, são uma brincadeira de crianças, face á máquina comercial e trituradora onde foi parar. No gang ou no bairro, se fizesse merda, davam-lhe um enxerto de porrada e amigos como dantes, a vida contínua. No mundo “olímpico” é mandado para casa (casota) com o rabo entre as pernas. Transforma-se numa espécie diferente de “marginal”, tornando-se alvo de humilhação nacional. No bairro, ainda podia partir umas cabeças como desabafo. Na montra do desporto nacional, é castigado e ainda tem que lamber a mão que zurze o chicote. Tem que se ter cuidado com aquilo que se deseja. Terceiro, as declarações deste jovem, comparadas com as do homem da vela que ficou em quarto, são completamente inocentes e até infantis. O que é que vai sair da cabeça deste cachorro? Nem me atrevo a perguntar porquê? Mas ele não precisa, e continua. Porque realmente, deve ser muito difícil passar tantos anos a fio, a fazer vela, naquela horrível baia de Cascais. E só com duzentos e tal contos por mês para tão estafante actividade. Se lhe dessem quinhentos, de certeza que o homem até ia para a pesca do bacalhau. Sim, porque isto de andar de cabelos ao vento, para trás e para a frente, encavalitado num barco pequenino, pode parecer muito glamoroso, mas não enche a barriga a ninguém. È preferível trabalhar num escritório, sempre tem ar condicionado. No fundo o que está mal, não são estas ou aquelas declarações. O que está mal é pagar a alguém para fazer aquilo que gosta, mesmo quando se sabe que esse alguém, só pelo seu “talento” não vai a lado nenhum. Isto é válido para tudo, seja fazer filmes, teatro, música ou desporto. O país não tem que andar a pagar (através da CGD) para a uma fadista cantar, o treinador X treinar, ou clube Y jogar. E não tem certamente, que produzir, atletas, escritores ou cantores. Tem é que dar condições ao caldeirão social, para que este cozinhe e apure esses valores. Se um realizador de cinema nacional, for tentar convencer o A. A. a produzir um filme qualquer, este manda-o falar com a Galp. Se for o Spielberg com um projecto de milhões, é provável que o homem nem pense duas vezes. Se for o lançador de peso (da caminha), pedir um patrocínio, põem-no a carregar cortiça. Se for o CR7, compra-lhe o passe, e a seguir cota-o na bolsa, onde até as suas cuecas usadas podem render milhões. Ora um tipo que ganhou tantos milhões graças aos sobreiros, deve saber o que faz, ou não? Em contrapartida, porque que é que, um país com tantos milhões de pessoas não sabe fazer este tipo de gestão? Quero fazer um filme? Tudo bem, desenrasco-me, e arranjo quem mo produza, não vou a correr ter com o estado para me arranjar uns trocos. Lembram-se do filme Branca de Neve, rodado numa Lisboa ás escuras? Desconfio, que este cão, anda ler alguns livros ás escondidas. Para terminar, e sem segundas leituras, parabéns ao saltador Nelson Évora, que mesmo assim não conseguiu saltar tanto como o “comandante”. De manhã saltava para fora do cargo, á tarde saltava para dentro e á noite saltava sabe-se lá para onde. A alternativa motorizada é tão, ou mais assustadora. Que raio se passa na cabeça das pessoas deste país para se julgarem aptas para determinada tarefa, para a qual, não tem talento absolutamente nenhum? O outro não tem habilitações, nem para projectar uns galinheiros na Guarda, mas acha-se suficientemente iluminado para governar a nação. Parece-me que os humanos neste país, estão a ficar muito medrosos e melindrosos. Tudo os afecta, assusta e ofende. No mundo dos cães, quem enfia o rabo entre as pernas, está a pedir para (não) ser mordido. No vosso, está a pedir para (não) ser comido. Um ultimo conselho do Dick: o Nelson que esconda bem a medalha, porque quando cá chegar, o ministro das obras públicas vai “confiscá-la” de imediato. Porque, com o valor que lhe é atribuído, deve dar para pagar, pelo menos, metade do novo aeroporto de Lisboa: OPV 

                 

 

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15 Milhões para o Latão  (Dikas do Dick) Inserido Wednesday 20 August 2008 17:05

 Não falem em meu nome! Percam essa mania dos dez milhões de portugueses que anseiam pelos resultados de meia dúzia de “artistas”. Isto, porque ontem, quando cheguei a casa o meu cão Dick rebolava-se de riso (pareceu-me) em frente á televisão. Então tu és um daqueles dez milhões de camelos que contribuiriam com 15 milhões de euros para os meninos (as) irem passear até Pequim? Confesso que fiquei sem resposta, porque não fazia a mínima ideia do que ele estava a “falar”. Então vi e ouvi a notícia sobre quanto custou esta comitiva (não queria acreditar). Entretanto o Dick não me dava tréguas; com que então vives num país que fecha hospitais por falta de verbas, reduz reformas a idosos e até põem ministros a andar em carros alugados, mas gasta esta massa toda com estes brincalhões? E eu é que sou o animal? Embalado continuou; e por falar em animais; não há praticamente um canil em condições nas principais cidades de Portugal, e se há, está superlotado. Os honorários dos veterinários alinham pelos dos cirurgiões plásticos (lembra-se dos últimos 150 € que gastei com ele). Os animais em geral são tratados como lixo, e eu é que sou o animal? Os teus compatriotas abandonam cães e gatos porque não tem dinheiro, mas não se importam de contribuir para uma medalhinha? Tentei argumentar mas ele estava inspirado. E será que não vêem televisão? O que raio queria ele dizer com aquilo, claro que (quase) toda a gente vê televisão. Pois é, se queriam seis ou sete medalhas de ouro, iam falar com aquele sargento de Gondomar. Sargento? Sim pá, um tipo que era sargento, e que enquanto esteve na tropa conseguiu transformar batatas em ouro e vende-las ao preço do mesmo, assim como conseguiu mudar a patente para Major. Se falassem com ele, por quinze milhões, de certeza, que conseguia arranjar pelo menos umas dez medalhas de ouro e para aí umas vinte de prata. Este cão está definitivamente maluco, mas não se cala. E mais, de certeza, que se fosse ele o comandante (é só mais uma mudança de patente) do comité olímpico, conseguia por o filho a cantar na cerimónia da inauguração, fazia a Soraia Chaves passar por dupla da Vanessa Fernandes, empenhava o “Ninho” aos chineses e conseguia provar que o Michael Phelps usa as orelhas como propulsor clandestino. Um tipo com ar tão “lento” não pode nadar tão rápido, ou então é epiléptico. Pronto, agora estás mesmo a exagerar Dick. Estou? De certeza que não deixavam entrar o M. Phelps no S. Bicha Summer S. lá para os Algarves. Tentei corrigir, não é bicha, é beach. Mas ele não ligou nenhuma e continuou; exagerado eu, ou é a “tua nação ” que exagera? Então não foram os vossos antepassados que partiram por esse mar fora, a dar cabo de tudo o que lhes aparecia pela frente, e agora ficam todos borrados por causa duns míseros 90 mil pares de olhos (em bico)? Não tem atitude, e muito menos sabedoria. Porque se soubessem alguma coisa, já sabiam a triste figura que iam fazer. Assim sendo, aproveitavam a história do Tibete e boicotavam os jogos. Faziam melhor figura como defensores dos direitos humanos, (alem de pouparem uma pipa de massa) do que como ofensores dos sentimentos (parvos) dos portugueses. Mas não, os arrumadores pedem uma moedinha, os “portugas” pedem uma medalhinha. Só se for de lata. Porra para o cão, mas não é que o “hotel de pulgas” tem a sua razão? No entanto o melhor é restringir-lhe o horário da televisão, e seguindo a ideia dele, pelo sim pelo não, lembrar a alguém, para ligar para o tal sargento a ver, se consegue fazer alguma coisa a tempo de Londres 2012. Quanto será o orçamento na altura? Uns 60 milhões? Sempre deve dar para uma 10 medalhinhas e ensinar a Soraia a andar de bicicleta, com os filmes a meter tanta água, nadar, ela já sabe.  Na fotografia do artigo podemos ver o futuro atleta Dick a treinar para 2012, os 100 metros do estilo “nadar em seco”. Bem lhe disse que não são permitidos animais nas olimpíadas, mas ele argumentou; não são? Então como se chama aquele animal com um chapeu ridiculo, que andava em cima do meu amigo Horácio, o negro cavalo lusitano que dá por um outro nome qualquer? Bolas, que este cão dá comigo em doido. OPV

 

 

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Zoolimpic Games  (Dikas do Dick) Inserido Saturday 16 August 2008 21:17

To tall

Como ofereci á minha mulher mais um livro, Enzo de Garth Stein, supostamente escrito por um cão, resolvi criar uma rubrica neste Blogue que desse voz ao meu cão, de seu nome Dick. Tal como Enzo o cão, herói do livro, ele é especialista em televisão. Independentemente da sua antipatia (percebe-se bem por quê) pelos chineses, esta é a uma das suas muitas cogitações sobre os jogos olímpicos. Não me perguntem como é que o meu cão fala, isto é ficção, se quiserem alguma explicação perguntem ao Paul Auster que tambem escreveu o excelente Timbuktu.

Eis o resumo da sua análise; - para começar mudava-lhe o nome para Zoolimpic Games.

Zoolimpic porquê? Por duas razões; primeiro Zoo de Zoológico e segundo Zoo de Zoom. Na abordagem zoológica constata-se facilmente o quanto a humanidade está indelevelmente marcada pelo seu lado animal. Senão vejamos; passar perto de quatro anos a correr, saltar, levantar pesos ou contar azulejos no fundo da piscina enquanto se nada, é uma especialização num determinado movimento mecânico (de tanto mecanizado). Fazer acrobacias, piruetas, correr, jogar a qualquer coisa, “especializar-se” numa determinada “especialidade” é tarefa nossa, os cães. Não é muito criativo treinar ou amestrar o “macaco” que há em vós, sem desprimor para o macaco. È especializar a mente “formiguinha” que espreita nos vossos cérebros, e como já dizia o filosofo; “a especialização é para os insectos”.  

Tentar ser um décimo de segundo mais rápido. Tentar não fazer espuma quando se entra na água depois de um salto de dez metros. Tentar acerta num prato ou numa bola. Procurar obsessivamente apurar um determinado movimento ou gesto, não é muito saudável, e mentalmente pode ser demolidor, se na “hora da verdade” esse treino falha, ou não é tão eficiente quanto o do adversário, mesmo que este seja um simples cronometro. Se não falhar tem direito ao osso (medalha).  

Como dizia, passar quatro anos nisto, para num dia, numa hora, num segundo ou num golpe de sorte, tornar-se um “falhado” ou “herói” do Olimpo não é propriamente lisonjeiro para vocês enquanto espécie. Tanto assim é, que, parece que os velhos Deuses do Olimpo não admitem mais idiotas que pensam que são heróis. Alguns dos últimos heróis, e heroínas (salvo seja) admitidos, foram expulsos pelos seguranças quando se descobriu que tinham usado um aditivo clandestino no combustível da nave (corpinho) que os transportou aos céus. Nos meninos e meninas do leste foi uma razia. Para não falar que o Olimpo estava a ficar cheio de marcas, Nike, Adidas etc. e respectivos agentes que queriam colocar o próprio Zeus num anúncio da Coca-cola. O mesmo Zeus fartou-se da confusão e decretou; raios… que esta raça é capaz de tudo para dar nas vistas. Mandem entrar o Sócrates com o circo de pulgas e ponham-me estes idiotas na rua. Coisas que acontecem nas melhores famílias.

Agora a sério, (talvez não estivesse a brincar) o paradigma do homem enquanto espécime, está no homem universal. No homem renascentista, personificado por Leonardo da Vinci. Está no investigador e criador, artista e filósofo. Não está no seu ajudante, que vai á loja da esquina buscar pigmentos para as tintas. Mesmo, quando o ajudante é bronzeado e muito rápido, tipo, vai num pé e vem no outro.   

Zoom de lente porquê? Porque desde a cerimónia de abertura, estes jogos são mais do que nunca um magnífico trabalho (manipulação) de imagem. Não foi por acaso que a cerimónia de abertura foi concebida por um cineasta. O facto do fogo de artifício ser manipulado, e a pequena cantora ser substituída por uma questão de imagem, só confirma a ditadura do visualmente correcto. A maior parte das imagens são na realidade impossíveis. Nenhum de vocês, pode nadar por baixo dos atletas e ter aquela magnifica panorâmica de os ver a nadar no tecto da piscina. Nenhum humano, salta com eles da prancha de dez metros e penetra juntamente com eles na água, tal e qual como a realização (magnificamente) nos mostra. Também, nenhum câmara man consegue correr ao lado do sprinter nos cem ou duzentos metros. As câmaras voadoras, corredoras e subaquáticas, transmitem-nos uma experiência que na realidade é impossível de recriar. No entanto, aceitamos isto como normal e nem sequer nos questionamos sobre aquilo que estamos a ver. Mas a verdade é que, as imagens que nos chegam dos jogos são tão virtuais como as de um jogo de computador ou de uma sonda espacial. Tal como vemos imagens de Marte e não estamos lá, nem nunca estaremos. Pelo menos 99.9% da raça humana nunca colocará os pés em Marte. È muito provável que um cão chegue lá primeiro! Lembras-te da Laica?

Realmente este cachorro vê demasiada televisão, mas não posso deixar de concordar com ele. Também não posso deixar de concordar com o único comentário inteligente feito neste jogos. Precisamente por um português, depois de ter sido eliminado no lançamento do peso; “isto não são horas para arremessar o peso, são horas para estar na caminha”. Ora aí está, alem de ser perfeitamente inútil, andar a atirar pesos de um lado para o outro, é perfeitamente desumano acordar um homem de madrugada para fazer uma coisa destas. Concordo… e quando introduzirem esta modalidade nos jogos, “estar na caminha”, convoquem-me que garanto o ouro. Prometo! Se me derem uma bolsa para os quatro anos de treino intensivo, então é que não falho. Prometo outra vez! OPV

 

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