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tall
Como ofereci á minha mulher mais um livro,
Enzo de Garth Stein, supostamente escrito por um
cão, resolvi criar uma rubrica neste Blogue que desse voz ao
meu cão, de seu nome Dick. Tal como Enzo o cão,
herói do livro, ele é especialista em
televisão. Independentemente da sua antipatia (percebe-se
bem por quê) pelos chineses, esta é a uma das suas
muitas cogitações sobre os jogos olímpicos.
Não me perguntem como é que o meu cão fala,
isto é ficção, se quiserem alguma
explicação perguntem ao Paul Auster que tambem
escreveu o excelente Timbuktu.
Eis o resumo da sua análise; - para começar
mudava-lhe o nome para Zoolimpic Games.
Zoolimpic porquê? Por duas razões; primeiro
Zoo de Zoológico e segundo Zoo de Zoom. Na abordagem
zoológica constata-se facilmente o quanto a humanidade
está indelevelmente marcada pelo seu lado animal.
Senão vejamos; passar perto de quatro anos a correr, saltar,
levantar pesos ou contar azulejos no fundo da piscina enquanto se
nada, é uma especialização num determinado
movimento mecânico (de tanto mecanizado). Fazer acrobacias,
piruetas, correr, jogar a qualquer coisa,
“especializar-se” numa determinada
“especialidade” é tarefa nossa, os cães.
Não é muito criativo treinar ou amestrar o
“macaco” que há em vós, sem desprimor
para o macaco. È especializar a mente
“formiguinha” que espreita nos vossos cérebros,
e como já dizia o filosofo; “a
especialização é para os
insectos”.
Tentar ser um décimo de segundo mais
rápido. Tentar não fazer espuma quando se entra na
água depois de um salto de dez metros. Tentar acerta num
prato ou numa bola. Procurar obsessivamente apurar um determinado
movimento ou gesto, não é muito saudável, e
mentalmente pode ser demolidor, se na “hora da verdade”
esse treino falha, ou não é tão eficiente
quanto o do adversário, mesmo que este seja um simples
cronometro. Se não falhar tem direito ao osso (medalha).
Como dizia, passar quatro
anos nisto, para num dia, numa hora, num segundo ou num golpe de
sorte, tornar-se um “falhado” ou
“herói” do Olimpo não é
propriamente lisonjeiro para vocês enquanto espécie.
Tanto assim é, que, parece que os velhos Deuses do Olimpo
não admitem mais idiotas que pensam que são
heróis. Alguns dos últimos heróis, e
heroínas (salvo seja) admitidos, foram expulsos pelos
seguranças quando se descobriu que tinham usado um aditivo
clandestino no combustível da nave (corpinho) que os
transportou aos céus. Nos meninos e meninas do leste foi uma
razia. Para não falar que o Olimpo estava a ficar cheio de
marcas, Nike,
Adidas etc. e respectivos agentes que queriam colocar o
próprio Zeus num anúncio da Coca-cola. O mesmo Zeus
fartou-se da confusão e decretou; raios… que esta
raça é capaz de tudo para dar nas vistas. Mandem
entrar o Sócrates com o circo de pulgas e ponham-me estes
idiotas na rua. Coisas que acontecem nas melhores
famílias.
Agora a sério, (talvez não estivesse a
brincar) o paradigma do homem enquanto espécime, está
no homem universal. No homem renascentista, personificado por
Leonardo da Vinci. Está no investigador e criador, artista e
filósofo. Não está no seu ajudante, que vai
á loja da esquina buscar pigmentos para as tintas. Mesmo,
quando o ajudante é bronzeado e muito rápido, tipo,
vai num pé e vem no outro.
Zoom de lente porquê? Porque desde a
cerimónia de abertura, estes jogos são mais do que
nunca um magnífico trabalho (manipulação) de
imagem. Não foi por acaso que a cerimónia de abertura
foi concebida por um cineasta. O facto do fogo de artifício
ser manipulado, e a pequena cantora ser substituída por uma
questão de imagem, só confirma a ditadura do
visualmente correcto. A maior parte das imagens são na
realidade impossíveis. Nenhum de vocês, pode nadar por
baixo dos atletas e ter aquela magnifica panorâmica de os ver
a nadar no tecto da piscina. Nenhum humano, salta com eles da
prancha de dez metros e penetra juntamente com eles na água,
tal e qual como a realização (magnificamente) nos
mostra. Também, nenhum câmara man consegue
correr ao lado do sprinter nos cem ou duzentos metros. As
câmaras voadoras, corredoras e subaquáticas,
transmitem-nos uma experiência que na realidade é
impossível de recriar. No entanto, aceitamos isto como
normal e nem sequer nos questionamos sobre aquilo que estamos a
ver. Mas a verdade é que, as imagens que nos chegam dos
jogos são tão virtuais como as de um jogo de
computador ou de uma sonda espacial. Tal como vemos imagens de
Marte e não estamos lá, nem nunca estaremos. Pelo
menos 99.9% da raça humana nunca colocará os
pés em Marte. È muito provável que um
cão chegue lá primeiro! Lembras-te da
Laica?
Realmente este cachorro vê
demasiada televisão, mas não posso deixar de
concordar com ele. Também não posso deixar de
concordar com o único comentário inteligente feito
neste jogos. Precisamente por um português, depois de ter
sido eliminado no lançamento do peso; “isto não
são horas para arremessar o peso, são horas para
estar na caminha”. Ora aí está, alem de ser
perfeitamente inútil, andar a atirar pesos de um lado para o
outro, é perfeitamente desumano acordar um homem de
madrugada para fazer uma coisa destas. Concordo… e quando
introduzirem esta modalidade nos jogos, “estar na
caminha”, convoquem-me que garanto o ouro. Prometo! Se me
derem uma bolsa para os quatro anos de treino intensivo,
então é que não falho. Prometo outra vez!
OPV
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