Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 08/11/28 20:28 / 191 Artigos publicados

Photognose

O “Fio de Ariane”  (Photognose) Inserido Friday 11 July 2008 21:02

Matriarchal work II

 

Com a nossa incapacidade para absorver toda a avalanche de informação que nos submerge, vemos estarrecidos que á medida que se difundem as patologias, difundem-se também os fármacos. A poderosa industria farmacêutica todos os anos bate recordes. O número de anti depressivos disparou ao mesmo tempo que cresce a ansiedade, o desespero, o sofrimento, o terror de ser, de ter que enfrentar a vida constantemente, a vontade de desaparecer, cresce também o desejo de matar e de morrer. E a Fotografia o que tem a ver com tudo isto? Bom, tudo e nada, tudo porque pode funcionar como uma válvula de escape, já que se for entendida como uma disciplina conceptual, pode proporcionar ao sujeito, o acesso a um universo em que ele é o criador e não a criatura. Nada porque se for interpretada como uma mera profissão reinterpretando a realidade, ou alavanca social, não contribui em nada para a elevação da capacidade criativa do sujeito, antes pelo contrário, obriga-o a mergulhar ainda mais no labirinto visual desorientando-o e alienando-o. A mensagem que lhe é passada é a de que se ele quer sobreviver, tem que ser competitivo, tem de estar conectado com tudo e com todos, tem de receber e elaborar continuamente uma enorme e crescente massa de dados. Mas nos tempos actuais do neo-capitalismo surge o paradoxo, “a mãe come as crias”. Enquanto o capital precisou de extrair energia física daqueles que explorava, a enfermidade mental podia ser relativamente ignorada. Pouco importava o sofrimento psíquico enquanto o indivíduo pudesse pregar um prego ou manejar um torno. Mas hoje as multinacionais precisam é de energias mentais, energias psíquicas, e são precisamente essas que estamos a destruir. A crise económica alimenta e alimenta-se de uma crise de motivações, da difusão da tristeza, da depressão, da desmotivação e do pânico. Para si que agora lê estas linhas espero que a arte e a prática da Fotografia o façam “feliz”. Mas lembre-se de que; a infelicidade, para alguns, funciona como um incentivo ao consumo, já que comprar é uma suspensão temporária da angústia, um antídoto para o sentimento de perda. No entanto, quando o sofrimento se torna um factor de desmotivação de compra surge o pânico entre os “patrões”. Aparece então o paradoxo consumista, não convêm que a humanidade seja feliz porque assim não se deixa enganar pela produtividade, pela disciplina do trabalho ou pelos centros comerciais. Mas também não interessa que seja totalmente miserável. Interessa então que apareçam milagrosas técnicas ou químicos que moderem a infelicidade e tornem suportável o insuportável, que contenham a explosão assassina ou suicida. Se está a sentir-se perdido no labirinto de informação visual (e não só) encare a arte e a prática da Fotografia como o “Fio de Ariane”, que, se não o ajuda a sair deste labirinto de pesadelo, pelo menos ajuda-o a não se sentir totalmente só e perdido. OPV  

 

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Mente social ou Social(mente).  (Photognose) Inserido Thursday 10 July 2008 21:31

Miss news

A mente é um universo de receptores, que não se limitam a receber, mas que também elaboram e criam novos processos de emissão. A evolução da informação na época do digital e da Net com redes cada vez mais complexas de propagação dessa mesma informação, produziu um salto enorme na velocidade com que se difunde novos conteúdos. Só que o universo dos receptores (os cérebros humanos), não está formatado com os mesmo padrões que o sistema de emissores digitais. Este desfasamento manifesta-se com alguns efeitos conhecidos, sobrecarga eléctrica permanente, pânico, hiper excitação, hiperemotividade, transtornos de atenção, dislexia e sobrecarga informativa entre outras. Assim, o ciberespaço sendo uma rede de componentes mecânicos e orgânicos pode ser acelerado praticamente sem limites. O tempo humano, pelo contrário, é uma realidade ligada a um suporte orgânico (corpo humano) cujo tempo de processamento não pode ser acelerado muito alem dos limites naturais relativamente rígidos. Como as fronteiras da velocidade foram ultrapassadas desencadeou-se o processo de aceleração mais impressionante que a historia humana conheceu. O espaço praticamente não existe pois a informação atravessa-o instantaneamente e os acontecimentos podem ser transmitidos em tempo real de um ponto a outro deste planeta, convertendo-se assim em acontecimentos globais. Mas quais são as consequências para a mente e corpo humano? O indivíduo contemporâneo não está em condições de processar a imensa e crescente massa de informação que lhe entra no computador, na televisão, no telemóvel, na agenda electrónica e na cabeça. Mas o pior é que o indivíduo julga indispensável ter que assimilar e processar toda esta informação para se eficiente e competitivo. Como resultado temos que as actuais gerações padecem de uma nova forma de dislexia, que se revela pela incapacidade de ler uma página do princípio ao fim usando um processo sequencial, bem como a incapacidade de manter a atenção concentrada no mesmo objecto por muito tempo. È tudo para ontem e o mais rápido que for possível. A arte da fotografia não escapa a este processo. A consequência está á vista; estamos cada vez menos dispostos a prestar a nossa atenção gratuitamente. Já não temos tempo para o amor, a ternura, a natureza, o prazer e a compaixão, muito menos para esperar pela luz correcta e o melhor ângulo. Estamos cada vez mais dedicados exclusivamente á carreira e ao sucesso económico. Com isto tudo vamo-nos convertendo em desapiedados executores de decisões alheias. OPV

 

 

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(In)dependência  (Photognose) Inserido Tuesday 08 July 2008 20:51

Make up  

 

A cultura neo-liberal injecta no cérebro social um estímulo constante no sentido da competência tendo como finalidade o consumo. Consequentemente esta intensificação dos estímulos informativos despejada do cérebro social para os cérebros individuais torna-se num factor patogénico que afecta o conjunto da sociedade. Algumas alterações começam a surgir, tais como a síndrome de pânico e os transtornos ao nível da atenção. Conseguimos hoje em dia falar de economia sem nos ocuparmos da psicopatologia? Durante os últimos anos o consumo de Prozac esteve intimamente ligado á cultura da nova economia. Milhares de operadores e gestores da economia ocidental tomaram decisões importantes em estado de euforia química. Para compreender a crise da new economy é preciso reflectir sobre o estado psíquico e emocional de milhões de trabalhadores que correram atrás do imaginário “mundo novo” onde todos seriam ricos e saudáveis alem de extraordinariamente inteligentes. E a fotografia o que tem a ver com tudo isto? Existe uma quantidade inacreditável de gente que participa em cursos e workshops seguindo ao milímetro aquilo que lhe dizem, bem como muitos “fotógrafos” que percorrem meio mundo e visitam locais onde foram realizadas fotografias “famosas” para tentarem reproduzir essas mesmas fotos que outros já realizaram. Estranho não é? A lavagem ao cérebro parece acontecer em todas as áreas e actividades. Se precisa de alguém para lhe dizer o que deve fazer para criar o seu próprio universo fotográfico, fique atento. Pode perfeitamente não ser a pessoa que pensa que é. OPV      

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Falha no sistema  (Photognose) Inserido Thursday 03 July 2008 21:29

I am the death

 

Os seres humanos como paradigma, definem “melhor” a sua “realidade” através do sofrimento e da dor. Enfrentar e superar obstáculos é uma condição para que nós, humanos, possamos aprender algo com a realidade. Sendo assim, tudo o que vivemos como realidade é mentira. Isto porque como espécie vimos a repetir os mesmos erros permanentemente ao longo dos séculos. A nossa actual condição “real” ainda é a de escravos do consumo e da publicidade, bem como seguidores sonâmbulos de pretensos políticos iluminados. São raros aqueles que tem poder adicional para modificarem as regras que limitam a nossa prisão mental. A maioria acaba por decidir manter-se dentro da ilusão mesmo sabendo que se trata duma ilusão e nada mais. Haverá maior ilusão do que o dinheiro? Este sistema actual oferece á humanidade uma espécie de “playground” no qual podemos jogar uma série de jogos, fazer de famosos, de riquinhos, de escritores, de estudantes universitários etc. o que se quiser. O que é preciso é publicidade de preferência na TV. Não importa que se esteja teso como um carapau, desde que se pareça rico, não importa que não se saiba articular uma frase, desde que alguém escreva um livro por nós, não importa nunca ter feito nada de interessante na vida desde que se apareça nas festas e nas revista e se possa passar por “famoso”. Não importa que se formem milhares de analfabetos graduados (universitários praticamente analfabetos) porque desde que tenham um canudo estes jovens pensam que podem distorcer o “real”. O futuro que vem aí não vai ser bonito de se ver, o regresso á “idade media” ou das trevas é algo que ninguém quer admitir, mas desenganem-se os sonhadores com um mundo tipo “second life” porque é precisamente por esse hiato pelo qual vamos passar. Se querem imaginar o futuro pensem no filme “Mad Max” e estarão mais perto da “realidade”. OPV  

 

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A teia  (Photognose) Inserido Tuesday 01 July 2008 21:12

Midas touch   

A teia é em parte a acumulação de toda a informação e comunicações humanas transferidas agora para a era do digital. A informação torna-se assim uma segunda realidade que distorce toscamente a primeira. Os manipuladores da média não analisam profundamente as reacções emocionais das personagens (pseudo famosos, pseudo estrelas, pseudo vitimas ou carrascos) e estas bem como os consumidores de informação concebem ideias erradas sobre a sua verdadeira situação. Esta teia informática está ao serviço da concentração de poder, riquezas, crimes, e aparentemente não há lei ou justiça nesse universo. Cada grupo, corporação ou estado, comporta-se como organização ao estilo da Máfia. Seja a lidar com arte, ou com informática, seja empresa ou governo, estes grupos de indivíduos pretendem simplesmente sobreviver. E criaram os meios para isso, tribunais, policias, armas ou contractos extremamente complexos. Um cidadão ingénuo e de “bom senso” poderia pensar que sem um conjunto de leis, todo o poder é criminoso. Um cidadão bem informado como o que lê estas linhas (se chegou até aqui não é nenhum anjinho) fica a pensar que com os “milhões” de leis actuais que se anulam umas ás outras, são os criminosos que detêm o poder. A fotografia pode não ter força suficiente para mudar esta situação, mas pode sempre deixar uns grãozinhos de areia na engrenagem. OPV

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