Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 09/01/05 21:18 / 197 Artigos publicados

Photognose

Deus ex machine  (Photognose) Inserido Wednesday 30 July 2008 22:07

Lips

Está fascinado com o seu computador? Siderado com as capacidades da sua nova maquina fotográfica digital? Completamente embevecido com as habilidades do seu telemóvel? Sim? Então pense bem. Todas estas maravilhas estão ao seu serviço, ou é você que está ao serviço delas? Para alguns pensadores contemporâneos a tecnologia têm a sua própria agenda e esta é cada vez mais alienígena. Se pensa que as tecnologias são suas escravas ou simplesmente uma extensão de si próprio, é melhor clarificar as suas ideias. A aliança e o pacto criativo que faz com os seus gadgets podem vir a ser um novo mito do Dr. Fausto. Isto porque o perigo é que o pacto tome forma de subserviência; em lugar de dominar a tecnologia, seremos dominados por ela. Transformada em novo “deus” a tecnologia e o seu imaginário espiritualizado permitiriam construir um “self” divinizado, sem limites, múltiplo e aparentemente perfeito. Mas não há espaço no universo para dois deuses com tal poder, nós e a tecnologia. Se a tecnologia se fundir com o “self”, isto dará origem a um único “deus” híbrido. Terá então cabimento a teoria de que os seres humanos não são mais do que um “útero” para a máquina. A finalidade da raça humana é servir de hospedeiro ao “deus-machina”. O cinema já se encarregou de explorar esta teoria em filmes como Matrix e Terminator, mas aquilo que hoje parece ficção só nos deve alertar para a velha máxima de que “a realidade ultrapassa sempre a ficção”. O consumismo e o imaginário cultural actual fazem das tecnologias e do virtual, uma religião de salvação para aqueles que estão encerrados na prisão material da identidade. O chip no carro, o chip no cão, o chip no cartão Multibanco, o chip no BI, as transacções electrónicas, as câmeras de vigilância, a Net e toda a virtualidade do mundo actual, fazem com que o “deus-machina” monstro vá crescendo desmesuradamente. Quando acordarmos já será tarde. Teremos deixado “pegadas virtuais” por todo o lado. Por tudo isto, na próxima vez que espreitar pelo visor da sua máquina fotográfica e estiver prestes a seleccionar velocidade ou abertura, pense se realmente está a usar a máquina ou se é esta que o está a usar a si. Seja como for, a foto será sempre da responsabilidade dela (ou será sua?). OPV    

 

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Prisão de Ferro Negro  (Photognose) Inserido Monday 28 July 2008 23:52

Geometric beach     

 Segundo o escritor de ficção científica Philip K. Dick o mundo que experimentamos é um holograma, uma hipérbole de informação que nós cada vez mais temos dificuldade em processar. A desordem do código primordial significa que tantos nós como o mundo que conhecemos estamos “tapados”, separados da vasta matriz de dados cósmicos. Estamos encarcerados na prisão de ferro negro, imagem metafórica para os moinhos satânicos da ilusão, tirania politica e controlo social opressivo que mantêm o nosso espírito algemado. Mais que um motivo meramente paranóico esta prisão pode ser vista como expressão mística do “aparelho disciplinar” do poder, analisado por Michel Foucault, o qual demonstrou que as prisões, instituições mentais, escolas e estabelecimentos militares organizam o espaço e o tempo segundo um controle racional semelhante. Assim sendo cabe aos artistas e a nós como fotógrafos tentar romper com essa organização mental, criando arte, bem como uma fotografia alternativa e arrojada que nos leve para lá das “grades mentais” e nos proporcione uma percepção estética livre do espartilho da “pseudo realidade”. A fotografia permite-nos reorganizar o espaço e o tempo. È difícil e não acontece em todas fotos (bem pelo contrario), mas a única solução é tentar, porque a alternativa é produzir clichés uns atrás dos outros. OPV    

 

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Cyborg, eu?  (Photognose) Inserido Wednesday 23 July 2008 22:39

Cyborg

Não será legitimo pensar, que, tal como existe já uma “second life” no ciberespaço, a nossa vida dita “real” não passará de uma “first life” no espaço dito tridimensional? Na “realidade” podemos não passar de uns simples avatares de alguns jogadores alienígenas! Parece estranho? Nem por isso; pensem numa qualquer multidão, seja na praia, num estádio ou numa discoteca. Não é um pouco bizarro que tantos indivíduos sem nada em comum enquanto indivíduos, assumam um comportamento com tal grau de mimetismo, que parece estarmos a observar um formigueiro? Tal como no formigueiro, na multidão, a identidade individual esbate-se e os indivíduos parecem preambular ao acaso, numa actividade febril e aparentemente inútil. Na realidade, para os biliões de seres humanos existentes neste planeta, existem apenas meia dúzia de estímulos ou “ordens” que os comandam e isso é perfeitamente visível no caso das multidões. Comida, dormida (ou abrigo) e sexo, são as três necessidades básicas que põem a andar o “jogo” da vida. Tudo o resto gira á volta disto. Tal e qual como na tecnologia digital, em que a alternância entre zeros e uns pode dar origem a biliões de imagens ou sons, na tecnologia da vida biológica as três necessidades básicas deram origem ao aparecimento de tribos, nações, religiões e multinacionais. Por muito que qualquer ser humano pense, divague ou invente, tem sempre de cumprir as regras do jogo (vida) se quiser viver (jogar). Ou seja, alimentar-se, abrigar-se e procriar. Há umas pequenas distracções tal como a arte, o desporto ou a religião, mas não passam disso mesmo, diversões para o “boneco” não rebentar. Para seres tão “inteligentes” como os humanos, isto parece um bocado limitado, embora os basbaques fiquem fascinados com o actual grau de desenvolvimento da civilização humana. Os arranha-céus, os carros, os submarinos, os aviões, os satélites, o papel higiénico, Uauuu somos o máximo. Pois bem meus amigos, não somos o máximo, algo ou alguém é o máximo a brincar connosco, mas nós não passamos de simples bonecos (avatares?) neste estranho jogo. Querem a prova? Experimentem fazer uma foto fantástica que se torne imediatamente uma obra de arte. Isto vale também para a pintura, literatura ou para a música Não conseguem? Com tanto equipamento fabuloso, informação, livros e dicas como fotografar como um verdadeiro artista porque será que não conseguem? Simples, o vosso avatar não está equipado para isso, e por muito que se esforcem o vosso “software” não chega lá. Mas não se preocupem, já não falta muito para, que, quando o vosso cérebro começar a trabalhar mal, poderem a qualquer momento adaptar uma tecnologia neurológica avançada, de forma a eliminar quaisquer vestígios de falha. Não se admirem é que a vossa personalidade e pensamentos sejam padronizados (se é que não o são já), e numa perspectiva apocalíptica, não fiquem vestígios do vosso corpo original sendo que as vossas experiências, agora sim, a todos níveis, migrarão para fora do vosso corpo real. Nada que não aconteça já com as operações plásticas, a competição entre indivíduos e a educação pós moderna desenvolvidas sob o jugo do consumismo massificado. Se isto tudo, realmente o preocupar, carregue no OF. OPV

 

 

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Paranóico, Eu?  (Photognose) Inserido Tuesday 22 July 2008 21:30

No hope    

Um texto sânscrito descreve que a época de Kali, ou da destruição, poderá ser identificada quando “a sociedade atingir um nível em que a propriedade conceda categoria, a riqueza for a única fonte de virtude, a paixão constituir o único laço de união ente marido e mulher, a falsidade for a matriz do sucesso na vida, o sexo o único meio de prazer, e quando os ornamentos exteriores se confundirem com a religião interior". Parece familiar ou não? Onde é que eu já vi isto? Claro, todos os dias no telejornal. Esta dicotomia entre o bem e o mal que nos sufoca vai acabar com a nossa pouca sanidade mental. A educação que nos é dada, as metas que nos são propostas, correspondem sempre ao interesse de outros, e muito raramente ao nosso próprio interesse. Já o famoso ministro da propaganda nazi, sabia perfeitamente como manobrar as massas, passou á prática, a teoria de que, o comportamento de uma colectividade alienada é sempre caracterizado pelo nível intelectual mais baixo. Nesta era da super informação, em que somos todos super informados (riso)  está na altura de perguntarmos a nós mesmos quando foi a ultima vez em que conscientemente, tomamos uma decisão séria, livre da influência de alguma coisa. Somos capazes de ficar surpreendidos quando descobrirmos que nunca tomamos uma decisão na vida, a vida é que decidiu por nós. Parece pouco plausível mas é verdade, se analisarmos bem a nossa vida, descobrimos que parecemos uma rolha no oceano ao sabor da corrente. Mas eu decidi isto ou aquilo, argumentam alguns, pura ilusão, as nossas “decisões” adequam-se sempre (e é mesmo sempre) àquilo que já foi decido para nós (e não por nós). Então quem é que decide tudo? Bom, alguns chamam-lhe deus, outros, destino, matrix, grande arquitecto, até pode ser o Bill Gates. Para mim pouco importa, com tanta inteligência artificial, já percebi que deixamos de ser robots e passamos a cyborgs. OPV   

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A droga do consumo  (Photognose) Inserido Saturday 12 July 2008 21:52

 

  Da Vinci spy   

Na sociedade de consumo em que actualmente vivemos, o dinheiro torna-se na droga que nos mantêm agarrados á ideia da existência materialista. Podemos comparar o consumismo ao vício da heroína, ambos tem estranhas semelhanças; o junkie precisa de doses cada vez maiores e mais frequentes, o consumidor compulsivo precisa igualmente de receber doses regulares de dinheiro, de preferência cada vez maiores. Se não tiver droga, o viciado transforma-se num farrapo de ansiedade. Se não tiver dinheiro o cidadão do mundo capitalista passa por um trauma de carência em tudo semelhante. Se a droga falta, o viciado comporta-se de forma desesperada, podendo roubar e mesmo matar. Se o dinheiro falta ao cidadão do mundo do consumo, ele também poderá roubar ou até matar. Mas não se pode viver sem dinheiro argumentam os mais “pragmáticos” do surrealismo capitalista. Não sabemos se isso é totalmente verdade, sabemos sim que estamos condicionados neurologicamente para aprender que dinheiro equivale a segurança e que falta de dinheiro equivale a insegurança. Mas será isto verdade for do universo de “Jogo do Monopólio” que criamos e em que vivemos? Aparentemente os drogados também não conseguem viver sem a heroína, mas ao menos esses sabem que estão agarrados e que são drogados. O consumidor muitas vezes não sabe que está agarrado, e quando sabe, não encara isso como uma dependência. Pois bem, vamos lá consumir á vontade, mas depois não nos vamos queixar da ressaca. E a Fotografia o que faz no meio desta historia toda? O mesmo papel do que a droga e do que o dinheiro? Sim e não, cabe-lhe a si decidir. Sim, porque pode funcionar como um vício, e tornar o fotógrafo dependente do acto de fotografar, levando-o também a ver na Fotografia um meio para a sua sobrevivência tentando usá-la para ganhar dinheiro. Não, porque felizmente hoje em dia a Fotografia enquanto arte é praticada por milhões de pessoas de forma lúdica e hedonística, são criadas largos milhões de fotos todos os anos, “felizmente” sem viabilidade comercial. Paradoxalmente é preciso dinheiro (cada vez menos) para fazer Fotografia e quantas mais fotos existem menos dinheiro elas produzem. Claro que há uma minoria de fotógrafos que conseguem viver das fotos que criam, mas acreditem que é mesmo uma minoria. Então somos todos viciados em qualquer coisa? Sem dúvida, e isso em si mesmo não tem mal nenhum, desde que não esqueçamos o exemplo dos “drogados”, ou seja, não nos darmos ao luxo de ignorar as marcas que temos nos braços, e a violência da ressaca. De resto pegue na sua máquina fotográfica e “meta para a veia á vontade”, se for digital pode praticamente apanhar uma overdose todos os dias sem ficar arruinado com isso. OPV                  

 

 

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