Black dog
È urgente criar uma filosofia fotográfica, para que o homem possa voltar a comandar o acto de fotografarO papel do Fotógrafo é eternizar momentos ou espaços em imagens, estas no entanto, precisam de ter algum significado que exija uma interpretação do espectador para a sua compreensão. A fotografia que se “limita” a retratar a “realidade” não se deve enquadrar na definição de arte fotográfica. Certos tipos de fotografia como a publicidade e notícias, raramente possuem o “pathos” fotográfico que as possam incluir na Arte Fotográfica. È evidente que há imagens publicitarias que se tornam ícones como no caso das fotos da Benetton ou algumas imagens de guerra. Mas são excepções e não a regra. Hoje em dia qualquer um pode produzir imagens, mas não são todos que criam Fotografia. Há mesmo uma “raça” de fotógrafos ditos “profissionais” que são na realidade o paradigma do “Anti-Fotógrafo”. Não é bem uma analogia com o Anti-Cristo mas é quase.
Num exercício irónico de fundamentalismo artístico pode-se definir o Anti – Fotógrafo das seguintes maneiras.
O indivíduo com uma máquina (costureirinha) profissional, normalmente Mark qualquer coisa, e uma mega teleobjectiva sentado atrás de uma baliza é um A-F.
O indivíduo que circula pelo casamento ou baptizado com uma mega maquina e com um flash ainda maior é um A-F.
O paparazzi que se esconde num sótão ou num caixote do lixo, com uma super teleobjectiva á espera de uma qualquer “celebridade” é um A-F.
O individuo que fotografa estrelas ou atletas e que depois os mistura com a natureza usando o Photoshop é um A-F.
O indivíduo que num estúdio leva quase ao infinito a plástica dos modelos é um A-F.
O indivíduo que se espreme juntamente com mais umas dezenas ou centenas de outros, contra uma passerelle ou passadeira vermelha é um A-F.
O indivíduo que faz centenas ou milhares de quilómetros para fazer ou tentar fazer aquilo que Ansel Adams já fez é um A-F.
Haverá mais alguns, mas por agora chega. Podem argumentar; mas por vezes surgem fotos interessantes feitas por estes indivíduos. Pois, por vezes surgem, mas também o relógio que está parado acerta nas horas duas vezes por dia. No entanto, não é por isso que vamos andar com um no pulso. O que quero dizer com isto tudo? Bom, graças a estes A-Fs, o Fotógrafo tornou-se numa peça pouco significativa no mundo da fotografia cada vez mais regido pela indústria fotográfica. Ao apresentar constantemente imagens que não tem significado, ou não fazem pensar, esta indústria alienou a população consumidora que já não questiona o seu valor, ou sequer presta atenção. Ser Fotógrafo, significa participar no universo fotográfico. Alem de viver e agir em função do acto de fotografar (coisa que alguns A-Fs fazem), o Fotógrafo tem de reinterpretar o Universo, ser um alquimista da realidade, produzindo uma imagem (arquetípica), que se aloje na mente daquele que observa, tornando essa imagem num paradigma que acompanhará o observador para a cova. Parece difícil ou impossível? Claro que é difícil, mas não é impossível. Não é por acaso que todos aqueles que se envolvem com a Fotografia têm apenas “meia dúzia ” de imagens arquetípicas na cabeça, e quase sempre dos mesmos “mestres”. Tudo isto pode parecer muito radical mas não é. Se estudarem a história da fotografia verão que apesar de haver milhões de fotógrafos no mundo, foram apenas aquela “meia dúzia” que realmente fizeram Historia. Porquê? Porque foram os únicos que conseguiram criar imagens arquetípicas ou paradigmáticas. Bom, também não eram A-Fs. OPV











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