Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 08/11/28 20:28 / 191 Artigos publicados
 

Zoolimpic Games  (Dikas do Dick) Inserido Saturday 16 August 2008 21:17

To tall

Como ofereci á minha mulher mais um livro, Enzo de Garth Stein, supostamente escrito por um cão, resolvi criar uma rubrica neste Blogue que desse voz ao meu cão, de seu nome Dick. Tal como Enzo o cão, herói do livro, ele é especialista em televisão. Independentemente da sua antipatia (percebe-se bem por quê) pelos chineses, esta é a uma das suas muitas cogitações sobre os jogos olímpicos. Não me perguntem como é que o meu cão fala, isto é ficção, se quiserem alguma explicação perguntem ao Paul Auster que tambem escreveu o excelente Timbuktu.

Eis o resumo da sua análise; - para começar mudava-lhe o nome para Zoolimpic Games.

Zoolimpic porquê? Por duas razões; primeiro Zoo de Zoológico e segundo Zoo de Zoom. Na abordagem zoológica constata-se facilmente o quanto a humanidade está indelevelmente marcada pelo seu lado animal. Senão vejamos; passar perto de quatro anos a correr, saltar, levantar pesos ou contar azulejos no fundo da piscina enquanto se nada, é uma especialização num determinado movimento mecânico (de tanto mecanizado). Fazer acrobacias, piruetas, correr, jogar a qualquer coisa, “especializar-se” numa determinada “especialidade” é tarefa nossa, os cães. Não é muito criativo treinar ou amestrar o “macaco” que há em vós, sem desprimor para o macaco. È especializar a mente “formiguinha” que espreita nos vossos cérebros, e como já dizia o filosofo; “a especialização é para os insectos”.  

Tentar ser um décimo de segundo mais rápido. Tentar não fazer espuma quando se entra na água depois de um salto de dez metros. Tentar acerta num prato ou numa bola. Procurar obsessivamente apurar um determinado movimento ou gesto, não é muito saudável, e mentalmente pode ser demolidor, se na “hora da verdade” esse treino falha, ou não é tão eficiente quanto o do adversário, mesmo que este seja um simples cronometro. Se não falhar tem direito ao osso (medalha).  

Como dizia, passar quatro anos nisto, para num dia, numa hora, num segundo ou num golpe de sorte, tornar-se um “falhado” ou “herói” do Olimpo não é propriamente lisonjeiro para vocês enquanto espécie. Tanto assim é, que, parece que os velhos Deuses do Olimpo não admitem mais idiotas que pensam que são heróis. Alguns dos últimos heróis, e heroínas (salvo seja) admitidos, foram expulsos pelos seguranças quando se descobriu que tinham usado um aditivo clandestino no combustível da nave (corpinho) que os transportou aos céus. Nos meninos e meninas do leste foi uma razia. Para não falar que o Olimpo estava a ficar cheio de marcas, Nike, Adidas etc. e respectivos agentes que queriam colocar o próprio Zeus num anúncio da Coca-cola. O mesmo Zeus fartou-se da confusão e decretou; raios… que esta raça é capaz de tudo para dar nas vistas. Mandem entrar o Sócrates com o circo de pulgas e ponham-me estes idiotas na rua. Coisas que acontecem nas melhores famílias.

Agora a sério, (talvez não estivesse a brincar) o paradigma do homem enquanto espécime, está no homem universal. No homem renascentista, personificado por Leonardo da Vinci. Está no investigador e criador, artista e filósofo. Não está no seu ajudante, que vai á loja da esquina buscar pigmentos para as tintas. Mesmo, quando o ajudante é bronzeado e muito rápido, tipo, vai num pé e vem no outro.   

Zoom de lente porquê? Porque desde a cerimónia de abertura, estes jogos são mais do que nunca um magnífico trabalho (manipulação) de imagem. Não foi por acaso que a cerimónia de abertura foi concebida por um cineasta. O facto do fogo de artifício ser manipulado, e a pequena cantora ser substituída por uma questão de imagem, só confirma a ditadura do visualmente correcto. A maior parte das imagens são na realidade impossíveis. Nenhum de vocês, pode nadar por baixo dos atletas e ter aquela magnifica panorâmica de os ver a nadar no tecto da piscina. Nenhum humano, salta com eles da prancha de dez metros e penetra juntamente com eles na água, tal e qual como a realização (magnificamente) nos mostra. Também, nenhum câmara man consegue correr ao lado do sprinter nos cem ou duzentos metros. As câmaras voadoras, corredoras e subaquáticas, transmitem-nos uma experiência que na realidade é impossível de recriar. No entanto, aceitamos isto como normal e nem sequer nos questionamos sobre aquilo que estamos a ver. Mas a verdade é que, as imagens que nos chegam dos jogos são tão virtuais como as de um jogo de computador ou de uma sonda espacial. Tal como vemos imagens de Marte e não estamos lá, nem nunca estaremos. Pelo menos 99.9% da raça humana nunca colocará os pés em Marte. È muito provável que um cão chegue lá primeiro! Lembras-te da Laica?

Realmente este cachorro vê demasiada televisão, mas não posso deixar de concordar com ele. Também não posso deixar de concordar com o único comentário inteligente feito neste jogos. Precisamente por um português, depois de ter sido eliminado no lançamento do peso; “isto não são horas para arremessar o peso, são horas para estar na caminha”. Ora aí está, alem de ser perfeitamente inútil, andar a atirar pesos de um lado para o outro, é perfeitamente desumano acordar um homem de madrugada para fazer uma coisa destas. Concordo… e quando introduzirem esta modalidade nos jogos, “estar na caminha”, convoquem-me que garanto o ouro. Prometo! Se me derem uma bolsa para os quatro anos de treino intensivo, então é que não falho. Prometo outra vez! OPV

 

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Machine man  (Sobre Fotografia) Inserido Wednesday 13 August 2008 22:27

Machiavelli lips   

Hoje em dia com o avanço da tecnologia digital, e facilidade de manipulação, a câmera digital parece trabalhar em função do homem. No entanto devido á sua complexidade, parece que cada vez mais que o homem funciona em função do aparelho. A máquina trabalha para o fotógrafo se este trabalhar para a máquina. Neste estranho bailado quem dominará? Será o aparelho que dominará o homem, ou o homem que dominará a máquina fotográfica. Tornar-se fotógrafo profissional, é dar o primeiro passo para o primeiro caso. Ficar obcecado, e dependente da qualidade do equipamento é uma das características do “bom profissional”. Nesta fase “machine man” o fotografo envolve-se mais com o equipamento do que com a arte da fotografia. È quase como que, o escultor preocupar-se mais com o cinzel, do que com aquilo que vai extrair da pedra. Ou o pintor com o pincel. O valor da arte transfere-se da obra para a ferramenta. Talvez por isso e salvo algumas excepções (tipo national geographic) a fotografia dita comercial vai ficando progressivamente pior e mais barata. Também vale a pena citar o caso “obsceno” das fotografias dos filhos de Brad Pit, em que simples e banais fotografias de duas crianças, atingem praticamente o preço de uma obra de Picasso. Simplesmente por questões de mercado. A sociedade de consumo é isto mesmo.

Por outro lado, aqueles “fotógrafos” que não se submetem á tirania do profissionalismo, tem hipótese de ter qualidade acrescida na produção de arte. Isso desde que lembrem destas três conclusões. 1ª- O valor não está nem na fotografia nem no negativo, nem no resultado. Está no acto de fotografar. O valor deste acto, não é transmissível e não pode ser medido em dinheiro. 2ª- O fotógrafo deve estar engajado na produção desse valor eterno que advêm do acto de fotografar e não no aspecto mercantilista da fotografia. 3º- O fotógrafo está e não está interessado na sua “obra”. Ele, fotógrafo, não pretende mudar o mundo com a sua fotografia, mas pretende mudar os outros, dando-lhes informação (com a sua fotografia) a respeito do mundo.              

Ao contrario do que muitos teóricos e profs. de fotografia defendem, não é tornando-se fotógrafo profissional que se resolvem os grandes dilemas da fotografia. Se querem que a fotografia evolua e descubra novos caminhos, deixem isso para os amadores. Os profissionais têm mais que fazer. Por exemplo, pagar o equipamento. OPV   

 

 

 

 

 

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Paradoxo Rex  (Photognose) Inserido Tuesday 12 August 2008 22:08

Big computer   

È bastante estranho que a religião (qualquer uma) desresponsabilize os seus crentes em relação a este mundo, mas é ainda mais estranho que o materialismo contemporâneo faça exactamente o mesmo. Construímos casas como se vivêssemos para sempre, e comemos como se fossemos morrer amanhã. Embora o mundo seja muito grande e esteja carregado de mistérios, há algumas coisas que são realmente intrigantes.

Porque reproduzimos continuamente a mesma “realidade”?

Porque continuamos a ter os mesmos (hoje em dia cada vez menos) relacionamentos?

Porque nos mantemos no mesmo (actualmente isto já não é bem assim) trabalho ou emprego repetidamente?    

No numero infinito de possibilidades que nos cerca, porque é que optamos sempre (ou quase sempre) pelas mesmas soluções?

Tudo isto é possível, porque, estamos bem treinados (domesticados) na nossa rotina, tão condicionados á forma como os “outros” gerem as nossas vidas, que até pensamos que temos controle sobre ela e somos senhores do nosso destino. Entre formar um aluno no ensino superior, e treinar um cão pastor alemão, há algumas diferenças, mas no fim os resultados são os mesmos. Cá fora, na vida real, o “Sr. doutor” também ladra, dá a pata, rebola, dá ao rabo, e ataca quando o dono (patrão) manda. Se não, tal como o cão, é abandonado (desempregado) ou abatido aos efectivos. Também como o cão, 90% dos estudantes do ensino superior, quer é segurança (dono). Ou seja, quer um emprego que lhe garanta as regalias a que tem direito (acha ele) por ter esturricado os miolos a estudar (ou a tomar shots). Porquê? Porque essa história de iniciativa privada, ou simplesmente arriscar naquilo em que se acredita (se é que se acredita em alguma coisa) é muito arriscada, e fica reservada para os outros 10%. Parece cruel esta análise? Pois é, mas a vida também não é fácil para os pastores alemães. Chegamos á altura da pergunta sacramental; e o que tem tudo isto a ver com a Fotografia? Já sabem a resposta, tudo. Tudo, porque o fotógrafo que se limita a fazer aquilo que lhe ensinaram, e tem pavor de quebrar as regras, é como o cão amestrado. Mesmo que tenha tirado um curso superior de fotografia (seja lá isso o que for), se limitar a sua liberdade criativa em favor da segurança académica, pode fazer umas habilidades, e até ladrar alto, mas nunca criará uma linguagem própria. No ensino, em qualquer ensino, somos condicionados a acreditar que o mundo externo é mais real do que o interno. Pois bem, não acreditem, ou pelo menos duvidem. O que acontece “dentro” de nós é que vai criar o que acontece lá “fora”. Alguém tem de pensar na cadeira antes de a construir, e certamente também, antes de se sentar nela. Tudo, mas mesmo tudo o que nos rodeia e que o homem criou, foi pensado antes de ser executado. Quando não foi assim, deu para o torto. Por tudo isto, pense a sua Fotografia como sendo sua e não daqueles que a vão ver (se é que alguém a vai ver). Se pensar o contrario, dá para o torto.

PS: - Se estivesse bem treinado, (mas chumbei no teste do rebolar) deveria pedir desculpa aos estudantes que me lêem, mas penso que não é necessário, primeiro; porque isto é pura ficção cínica (não cientifica), segundo; realmente, se algum o faz, quer-me parecer que pertence aos tais 10%. OPV           

 

 

 

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Espelho magico  (Photognose) Inserido Monday 11 August 2008 21:44

Magic mirror

Devemos questionar o que é real ou não, incluindo nós próprios? Bom, para começar, sabemos que somos bombardeados com quantidades enormes de informação que é processada pelos nossos órgãos sensoriais, e a cada segundo grandes doses dessa mesma informação vai sendo descartada. Finalmente a consciência fica com aquilo que serve melhor a pessoa. O que muita gente não sabe é que; o cérebro processa cerca de 500 biliões de bits de informação por segundo, mas (felizmente) só temos conhecimento de aproximadamente 3.000 bits. E estes 3.000 são sobre o que está á nossa volta, o nosso corpo e o tempo. Uma boa analogia é que vivemos num universo em que só vemos a ponta do iceberg. O que quer isto dizer? È que a “realidade” está a acontecer a todo o momento no cérebro, mas nós não a entendemos ou absorvemos na totalidade. O olho é como a lente, mas realmente o que está vendo é a parte de trás do cérebro. O córtex visual. É exactamente como a sua câmara digital, é a lente que capta a acção mas é o sensor que o transforma em imagem. Por outro lado, nós criamos a realidade, mas também criamos as máquinas que produzem “realidade” que afectam a nossa existência constantemente. Se estamos ou não vivendo num enorme mundo virtual, é uma pergunta sem uma resposta concreta. No entanto é bem possível que tudo isto seja uma grande ilusão da qual não conseguimos escapar para a verdadeira realidade. A verdade é que o cérebro não distingue o que está a acontecer “lá fora” do que acontece “cá dentro”. Provavelmente não existe um “lá fora” independente do que acontece na sua mente. Algumas das melhores fotografias que já fiz, realizei-as sem máquina. Calma, embora pareça, ainda não estou louco. Eu explico; já estiveram naquela situação em que nos deparáramos com uma determinada cena, e pensamos; porra, isto dava uma óptima foto, é pena não ter a maquina comigo? Nessas ocasiões, mesmo sem maquina eu faço a foto. Como? Enquadro a imagem atribuo-lhe cor, (ou não) e gravo-a na memória. Até hoje lembro-me de todas as “fotos importantes” que fiz assim. Verdade seja dita que não são muitas, mas aquelas que me impressionaram, eu não as esqueço. O mesmo se passa com todos os que me lêem, mas a maior parte não tem consciência do processo. As imagens que ficam na memória das pessoas, se não passarem por este “processo fotográfico” consciente, quedam-se numa espécie de banho-maria, onde se confundem com o resto do caldo visual onde marina o nosso cérebro. Quem é que disse que todas as fotos tem de passar para o papel ou para o ecrã do computador? Seja como for, a fotografia é omnipresente naquilo que nos rodeia, só nos resta concretiza-la, esteja ela “fora” ou “dentro”. OPV       

 

 

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Geração Rabbit  (Photognose) Inserido Saturday 09 August 2008 21:20

They exist!

Estamos a viver tempos em que o conhecimento e a energia mental estão a circular freneticamente. Há umas décadas atrás os conhecimentos esotéricos eram adquiridos em escolas iniciáticas e os livros não eram fáceis de encontrar. Quem tivesse sede de conhecimento e quisesse informação, tinha de a procurar e estudar. Assim, normalmente o “aluno” tinha fibra, disciplina e dava valor àquilo que aprendia. Nos dias de hoje a informação, (deturpada) é impingida á juventude (e não só) inserida num contexto leviano, quer seja em jogos de computador, sites de ocultismo, lojas místicas ou astrólogas de estúdios de televisão. Há milhares de livros de auto ajuda e de magia, para não falar dos cultos satânicos de adolescentes que coleccionam nomes de “demónios”, mas cujo objectivo maior é impressionar as coleguinhas da escola. O sucesso planetário de Harry Potter não é por acaso. No entanto não deixa de ter um aviso; brincar coma “magia” é divertido mas pode ter consequências.     

Todavia há uma corrente ocultista que afirma o seguinte; “ os jovens que compõe a geração actual, são nada mais, nada menos do que espíritos transgressores, que não se redimiram em centenas de encarnações, procurando sempre o poder aqui na Terra através de magia, do saber, da força. São o lixo da Terra encarnado”. Não é nada meiga, esta corrente. Mas não ficamos por aqui; os Maias já previam tudo isto nas suas profecias e há um guru que afirma o seguinte;” Em contrapartida, existe uma nova leva de humanos, alguns já com 12 a 15 anos, que não parecem ser deste mundo ou espíritos da Terra. São facilmente reconhecidos por terem os olhos... digamos... diferentes. As pupilas são grandes, com olhar curioso e inocente, em tudo parecido como os olhos de um coelho. Vivem perscrutando o ambiente em busca de saber de tudo o que se passa e, ao mesmo tempo, transmitem uma segurança, austeridade e experiência de uma alma que já viveu milénios. Como é que isto é possível? Inocência e experiência não costumam caminhar juntas na evolução humana... o meu palpite é de que não sejam humanos. Já tive a oportunidade de encontrar duas meninas assim, e confesso que me deixaram nervoso”. Pudera, qualquer um fica nervoso só de ler isto. Mas afinal toda esta conversa para quê, e o que tem tudo isto a ver com a Fotografia? Tem tudo, porque numa analogia com a “magia” a tecnologia digital dá a possibilidade a todos de fazerem “magia”, neste caso fotográfica. Tudo parece fácil e fluido, desabrocham fotógrafos como cogumelos mágicos, o Photoshop substitui a bola de cristal, e a varinha magica tem pelo menos 8 milhões de pixels. Mas os resultados? São os mesmos que obtêm o aprendiz de feiticeiro, alguns efeitos espectaculares, mas consistência conceptual, niqueles. A lição é clara, tanto na “magia” como na Fotografia, não chega querer, é preciso saber. Se o “guru” tiver razão acerca desta nova geração, então teremos aí uma fornada de autênticos “mestres”. A ver vamos, mas entretanto não embarquem em “histórias”, estudem, pratiquem fotografia e sobretudo eduquem o olhar, mesmo que tenham olhos de coelho. OPV  

 

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