Miss news
A mente é um universo de receptores, que não se limitam a receber, mas que também elaboram e criam novos processos de emissão. A evolução da informação na época do digital e da Net com redes cada vez mais complexas de propagação dessa mesma informação, produziu um salto enorme na velocidade com que se difunde novos conteúdos. Só que o universo dos receptores (os cérebros humanos), não está formatado com os mesmo padrões que o sistema de emissores digitais. Este desfasamento manifesta-se com alguns efeitos conhecidos, sobrecarga eléctrica permanente, pânico, hiper excitação, hiperemotividade, transtornos de atenção, dislexia e sobrecarga informativa entre outras. Assim, o ciberespaço sendo uma rede de componentes mecânicos e orgânicos pode ser acelerado praticamente sem limites. O tempo humano, pelo contrário, é uma realidade ligada a um suporte orgânico (corpo humano) cujo tempo de processamento não pode ser acelerado muito alem dos limites naturais relativamente rígidos. Como as fronteiras da velocidade foram ultrapassadas desencadeou-se o processo de aceleração mais impressionante que a historia humana conheceu. O espaço praticamente não existe pois a informação atravessa-o instantaneamente e os acontecimentos podem ser transmitidos em tempo real de um ponto a outro deste planeta, convertendo-se assim em acontecimentos globais. Mas quais são as consequências para a mente e corpo humano? O indivíduo contemporâneo não está em condições de processar a imensa e crescente massa de informação que lhe entra no computador, na televisão, no telemóvel, na agenda electrónica e na cabeça. Mas o pior é que o indivíduo julga indispensável ter que assimilar e processar toda esta informação para se eficiente e competitivo. Como resultado temos que as actuais gerações padecem de uma nova forma de dislexia, que se revela pela incapacidade de ler uma página do princípio ao fim usando um processo sequencial, bem como a incapacidade de manter a atenção concentrada no mesmo objecto por muito tempo. È tudo para ontem e o mais rápido que for possível. A arte da fotografia não escapa a este processo. A consequência está á vista; estamos cada vez menos dispostos a prestar a nossa atenção gratuitamente. Já não temos tempo para o amor, a ternura, a natureza, o prazer e a compaixão, muito menos para esperar pela luz correcta e o melhor ângulo. Estamos cada vez mais dedicados exclusivamente á carreira e ao sucesso económico. Com isto tudo vamo-nos convertendo em desapiedados executores de decisões alheias. OPV













Comentários