Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 09/01/05 21:18 / 197 Artigos publicados
 

B.V. - Bacon e Vodka  (Pinktura) Inserido Monday 15 September 2008 21:16

Mutante

Um dia em New York, Francis Bacon comentou para o seu barman favorito; “quando morrer, metam o meu corpo num saco de plástico e atirem-no para a sarjeta”.

Pois bem, não só não o mandaram para a sarjeta, como o tornaram num símbolo da pintura inglesa, apesar dele ter nascido em Dublin. Bacon era um iconoclasta, praticamente anti tudo. Se foi parar ao inferno, podemos ter a certeza que está lá como se estivesse em casa. O que não podemos ter a certeza é se estará satisfeito com o destino que a sua pintura está a levar. Os preços dos seus quadros estão atingir valores estonteantes. No entanto quem os está a comprar por atacado são os russos. Mais precisamente Abramovich e a namorada, a também russa Daria Zhukova, ex-modelo, ex-estilista, que vai abrir uma mega galeria de 28 mil metros quadrados, a GCCC em Moscovo. È filha de um dos muitos oligarcas que arruinaram o país, Aleksandr Zhukov. Caricatamente, esta nova tastemaker do mundo da arte, quando questionada sobre um artista de eleição, não conseguiu nomear nenhum e alegou que era péssima com nomes. Quer dizer, vai ter uma galeria de arte para fazer frente á Tate Modern, convida (por 1 M €) Amy Winehouse para um concerto na inauguração, mas não sabe os nomes dos seus pintores favoritos. Estão bem uma para a outra.  

No entanto, também podemos estar enganados, e o facto, da sua obra estar a ser comprada com dinheiro duma cor esquisita, pode estar a dar um grande gozo a Bacon, enquanto bebe mais um copo com Mefistófeles. A sua obra centrada na desconstrução do corpo humano, escancarado num grito de horror, pode insuflar nos visitantes russos ideias sado masoquistas e auto mutiladoras. Os caminhos que uma pintura pode tomar são misteriosos. Nunca saberemos se ela não descansa até ir parar a um sítio onde seja verdadeiramente apreciada. Enfim, onde se sinta em casa. Também não sabemos, até onde, uma pintura, mortalmente sexual como a de Bacon estende as suas garras psicóticas. Se daqui a uns tempos, começarem a aparecer em Moscovo, corpos como os que Bacon pintava, alguém vai acabar por concluir que a influencia do mestre, vai muito para alem da tela. Penetra na “alma”, e retorce-a até lhe dar vontade de sair do miserável corpo que habita. Então, com a tendência que os russos têm para a vodka e para a depressão, vai ser um ver se te avias nas cenas de faca e alguidar. Bacon e Vodka, uma mistura explosiva. Tem que se ter muito cuidado com aquilo que se vê, e Bacon não é para espíritos fracos e influenciáveis, moldados por longos anos de medo e paranóia. Será que Bacon pintou o que pintou, já a pensar nos Russos? Uma espécie de vírus alucinatório adormecido, que descansa na superfície das suas telas até um par de olhos, propensos para o delírio, lhe cair em cima, e entrar em parafuso? Estou a exagerar? Talvez esteja, afinal isto é um texto surrealista, mas depois não digam que não avisei. OPV

 

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Mega Kaballa  (Kultura) Inserido Sunday 14 September 2008 22:15

Tunnel of suspicion

Há um livro que está a causar uma enorme polémica em Israel, e não só. Ao mesmo tempo, está também ser um sucesso de vendas. O livro cujo título em francês é, Comment le peuple juif fut inventé, põe em causa o povo judeu como “nação – raça”. Afirma entre outras coisas que, os palestinianos de hoje serão os “genuínos descendentes” dos antigos habitantes do reino de David. Sugere também, que o grande exílio é um mito originalmente cristão. Que, pela constante repetição, os historiadores sionistas, transformaram a viagem de Abraão para Canã, a fuga do Egipto e o reino de David e Salomão, em “verdades” bíblicas. O escritor Shlomo Sand, que é judeu, e historiador na Universidade de Telavive, bem dizer ao mundo que “o povo judeu é uma invenção”. Não diz isto á toa, faz um estudo profundo da história sionista, e o livro tem mais de 500 referências.

A história dos judeus, assim como a de qualquer outro povo, não me interessa particularmente. No entanto, a historia deste livro, interessa-me especialmente. Porquê? Porque vem dar ênfase àquilo que venho afirmando neste Blog. A REALIDADE È UMA FICÇÃO. Ou se quiserem, uma mentira construída pelo homem ao longo dos tempos, que de tanto ser proclamada como verdadeira se tornou “realidade”. Aquilo que tomamos como certo, a cor, a raça, o poder, o dinheiro, etc. Não existem. São definições criadas pelo homem, e para o homem. Seja verdade ou não, este livro põe o dedo na ferida aberta da nossa credulidade. Somos vitimas da regra que afirma que; uma mentira sistematicamente repetida, transforma-se em “verdade”. Se por acaso, a teoria que este livro defende for verdadeira, o engano torna-se numa monstruosa e tenebrosa mentira. Em nome de quê e de quem, morreram e se matam milhões de seres humanos? Todo o edifício de uma cultura é erigido sobre um terreno pantanoso. A dedicação doentia que os ortodoxos dedicam ao cumprimento das regras, não é afinal pura e simples alienação, ou sem temer a palavra, loucura? A infalibilidade da Torah, o rigor de todas as regras espúrias, o respeito pelo Sabbath, tudo isto é afinal o quê? No entanto, esta duvida que se coloca ao Judaísmo, também se aplica ao Islão, ao Cristianismo, ao Budismo ao comunismo, ao socialismo e ao capitalismo. No fundo, aplica-se a todos os ismos, e a todas as construções sociológicas, erigidas pelo homem. Em Portugal, os manuais escolares a circular no próximo ano lectivo, tem inúmeros “erros” destes. Por exemplo; “lava-se” sistematicamente as atrocidades cometidas pelos regimes de Estaline e de Mao. Onde quero chegar com tudo isto? Bom, somos aquilo que pensamos, e se pensarmos mal, porque os dados que nos são fornecidos estão viciados, então, estamos tramados. Aliás, como o estado actual do mundo pode confirmar. Soluções? Não existem. Cada um que pense por si, e faça o melhor que saiba e possa. O maior problema será filtrar a informação. Portanto, se acha que tem ideais bem fundamentados, e não tem nada a ver com o assunto. Pense duas vezes. Pense bem onde mergulham as raízes das suas convicções (sejam elas quais forem). Se em aguas límpidas e cristalinas, ou num pântano sulfuroso? OPV   

 

 

 

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Varett  (Causas) Inserido Saturday 13 September 2008 00:14

Black and Blue   

Na revista Sábado desta semana vinha um artigo interessante, ou pelo menos assim parecia. Um “pintor” desconhecido ou incompreendido, que parece um sexagenário inofensivo, adopta o pseudónimo de Varett e transforma-se num “guerrilheiro” artístico. Resumidamente, a guerrilha é esta; o “artista” pega numa pintura de sua autoria, e á socapa, coloca-a num museu badalado, junto a outras pinturas expostas de autores reconhecidos. Não é propriamente uma novidade, um inglês de nome Banksy, já fez isto e tornou-se famoso graças a isso. Esta é a parte interessante, o lado subversivo da coisa. Mas depois a historia descamba para o melodrama. Varett é afinal, um pintor que se sente frustrado, porque já percorreu a via-sacra das galerias e viu a sua obra ser sistematicamente recusada. Assim, resolve expor nos maiores museus, mesmo que clandestinamente. Como disse antes, até aqui tudo bem. O pior está para vir. Numa dessas incursões, resolve deixar uma carta por trás da sua pintura. Nessa carta dirigida a Joe Berardo, propõe entre outras coisas, um projecto para ajudar os artistas desconhecidos, a terem uma oportunidade. Para isso, sugere a criação das “Casas do Berardo”. Uma “genialidade” inspirada nas casas do Benfica, que deveriam espalhar-se pelo país. Serviriam segundo palavras do autor, “ para dar vida a muitos mortos e desconhecidos que se arrastam por este país fora de pincéis penhorados”. Para isso, bastaria o nome de Berardo. Nesta altura do artigo, não posso deixar de exclamar “Are you shitting me?”. Ou na velha língua de Camões, “estás a gozar comigo”? Quer dizer, com os possíveis leitores. Afinal qual é a ideia? Termos seis milhões de Paulas Rego? Ou na versão de terror, seis milhões de Calhaus e Sarmentos? Donde vem esta obsessão de expor á viva força, esta necessidade de ser famoso? Se a maioria (99%) dos “artistas” tivessem vergonha na cara, não mostravam a merda que fazem. A ninguém! Sim, porque é preciso dez milhões de portugas para produzir uma Paula Rego. Ela pelo menos, sabe o que faz, e porque o faz. Os Calhaus, e afins, fazem-me lembrar uma história verídica, passada numa vernissage de um pintor amigo. A dada altura da noite, um outro amigo meu, arquitecto de profissão, “segreda” ao autor das obras expostas. “Eu vomito melhor, do que aquilo que tu pintas!”. O pintor encaixou, fez um sorriso amarelo e foi buscar mais um copo. O arquitecto não deixava de ter razão, mas, o pintor não era um verdadeiro artista, porque se não, tinha respondido na mesma moeda; “aquilo que eu defeco, tem mais estilo, que os prédios que projectas”. O facto de ambos terem razão, prova que, está tudo doido, nesta autentica feira de vaidades em que se transformou a Arte, seja ela, pintura, escultura, fotografia ou arquitectura. A necessidade doentia de ser reconhecido e valorizado, leva a ideias mirabolantes, como alguém que murmura para si mesmo;  “Vejam, vejam, fui eu que pintei, projectei ou esculpi isto, sou genial não sou”? Esta necessidade remete-nos para personalidades patologicamente narcísicas. O caso do “guerrilheiro” Varett, é um bom exemplo de como se vende a alma ao Diabo. Não lhe chega o prazer de pintar, é preciso ser reconhecido, nem que seja á força. Quer entrar para o sistema, viver como o inimigo. È como se um terrorista a sério, desistisse de pertencer á Al Quaeda, desde que lhe arranjassem uma casinha em Manhattan, ou até no Bronx. Para terminar fica um conselho ao Varett; se quer expor a sua pintura, fotografe-a e publique-a na Internet, terá com certeza mais visitantes que em qualquer museu. Já agora, mantenha-se na “clandestinidade”, lembre-se que neste país, há muitíssima gente que “vomita” melhor que o senhor. OPV      

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BES(T) OF  (Sobre Fotografia) Inserido Tuesday 09 September 2008 20:46

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Goalkeeper

Se eu tivesse a sabedoria suficiente para compreender a suprema Arte da Fotografia evitaria os atalhos obscuros que podem desviar-me do meu caminho. O trajecto para a Arte pode ser mais longo, mas é directo, todavia, a maioria de nós prefere os atalhos. Quando metemos por esses atalhos, muitas das vezes, perdemos a saúde para ganhar dinheiro e depois perdemos o dinheiro para recuperar a saúde. Quando estamos nos atalhos e fotografamos, pensamos ansiosamente no futuro daquela foto, e esquecemos o prazer que ela nos dá no momento presente. Quando estamos no caminho certo, tudo é claro e parece que se desenrola de moto próprio. A fotografia quase que se faz a si mesma, e o tempo parece parar. Há variadíssimos níveis de fotógrafos e de fotografia. Mas a fotografia é só uma. Impõe-se por si mesma, pela sua estética e concepção. Nem todas as imagens são Fotografia, como nem todos os “homens” são seres humanos. Há muito “boneco” por aí. Verifiquei isso mesmo, numa pequena peça televisiva sobre a colecção fotográfica do BES. A ideia luminosa de colocar um par de chuteiras num bocado de relva, fotografá-las e imprimir em tamanho XXL pode parecer muito artística, mas não é. A foto é simplesmente má, como a maior parte das que compõe a exposição. Que a senhora responsável pela exposição diga que a foto mais cara custa quinhentos mil euros, só revela que um banco deve ficar-se pela contagem do dinheirinho e mais nada. Quando pretende gastá-lo em arte, só dá merda. Não vi a exposição na íntegra, e não posso afirmar que não haja algumas fotos de qualidade. Mas posso afirmar é que; não há neste mundo, nem no outro, uma foto que valha meio milhão de euros. Se me falarem dos negativos originais de Cartier Brenson ou do Ansel Adams, ainda penso duas vezes. Agora “artistices” não! Já chega o Berardo. Esta gente que de talento nada percebe, e que compra pretensa “arte”, como os russos novos-ricos compram os seus novos “ferros” de golfe, todos do mesmo número, deixa-me siderado. È quase como a febre dos escritores. Gosto de escrever, mas acontece que, quando leio um bom livro, (e já li muitos), perco a pretensão de escrever algo que ultrapasse o carácter praticamente anónimo deste Blogue. No entanto, entro numa livraria, e fico banzado com a imensidão de títulos e autores. Hoje em dia, qualquer idiota, que consiga alinhar as letrinhas de uma maneira racional, é um escritor. Seja futebolista, ou mulher da bola, pivot de televisão, ou cartomante em part-time, polícia reformado ou vigarista no activo, é um autêntico forrobodó. Onde pára a modéstia? Todos estes “escritores”, deveriam ser obrigados, em regime de trabalhos forçados, a plantar o dobro das árvores, que foram abatidas, só para publicar a merda que escreveram. A escrita banalizou-se, e a fotografia também. È “fácil” escrever e é “fácil” fotografar. Daí, a escrever ou captar, algo a “sério” vai uma distância abismal.               Fica uma sugestão ao BES, “garanto” que consigo fazer uma foto igual (ou parecida) a essa do meio milhão, por metade do preço, e ofereço a outra metade a uma associação de solidariedade á vossa escolha, de preferência, uma de invisuais. Com tantos ceguinhos nesse banco, não vão ter dificuldades em descobrir uma. OPV   

          

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Olhar para dentro  (Fotofilosofia) Inserido Saturday 06 September 2008 20:26

Hell Boat 666      

Antes de mais quero esclarecer os (poucos) que leram o artigo anterior “Espelho Louco”, e especialmente o meu amigo Lunatik, que tenho um especial apreço pelos excelentes fotógrafos da NG. Considero mesmo, que são praticamente os únicos “profissionais” que conseguem fazer fotografia artística. A referência á NG foi uma ironia. São um ícone da fotografia, gosto imenso do trabalho deles, e assinei a revista durante vários anos. Bom, está feito o esclarecimento, vamos a um novo artigo.

O grande inimigo que espera a raça humana no futuro é a alienação. A fuga para a frente, rumo ao entretenimento puro e simples, sem conteúdo. Tudo fará parte do show consumista. Desenganem-se aqueles que sonham mudar o mundo, e ter algum impacto no rumo da civilização. Comecem a pensar em mudar-se a si próprios.  O medo, a intolerância e o preconceito estão a dominar a mente humana e contribuem para atrasar, tanto o avanço colectivo, como o individual. Embora se, para a história universal, o passado não seja melhor do que o presente ou o futuro, é verdade que este período actual tem contornos absolutamente psicóticos. Talvez seja do excesso de informação, da água ou do buraco de ozono. Mas a realidade é que o mundo nunca pareceu tão louco como agora. Se realmente o não está, e tudo isto é apenas impressão nossa, é outra história. No entanto, se sente tão perdido em relação á fotografia conceptual, como o mundo parece estar vazio de sentido, repare bem nas suas próprias fotos. Tente perceber quanto nelas é realmente seu, e quanto pertence ao imaginário colectivo. È uma analise difícil de fazer, porque, requer um distanciamento que a maior parte de nós não possui. O oceano visual em que estamos mergulhados não o permite facilmente. Já agora o local onde estamos, também não. Se for um cidadão ocidental, tenderá a “ler” as suas fotos da esquerda para a direita. Se por acaso for oriental, será da direita para esquerda, o que não parecendo pode fazer uma grande diferença. Diferenças á parte, é na sua própria fotografia que o fotógrafo encontrará, ou não, respostas para as dúvidas conceptuais que o possam atormentar. E, tal como no mundo “real” que nos rodeia, nem sempre o que parece, é. Esta é uma luta solitária que o fotógrafo trava consigo próprio, e acaba por reflectir a luta que o ser humano trava com o meio onde está inserido, simplesmente para o conseguir interpretar. E como o mundo fornece diariamente novas imagens que refazem o paradigma visual, aquilo que o fotógrafo tem para se “agarrar” são as suas próprias experiências pessoais. Pode tirar um, ou vários, cursos superiores de fotografia. Ter, ou não, um equipamento sofisticadíssimo. Conseguir viajar para os sítios mais exóticos, ou não sair da terrinha, mas a base de tudo está dentro de si. Convêm não esquecer. OPV    

 

 

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