Página Inicial Data de criação : 07/12/04 / Última actualização : 08/08/27 21:21 / 158 Artigos publicados
 

È obra (de arte?) (Fotofilosofia) Inserido Thursday 17 July 2008 21:31

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, È obra (de arte?)

Sunset power    

A diferença entre uma boa foto e uma obra de arte é que a obra de arte cria a sua própria realidade para o observador. A boa foto reflecte ou distorce apenas a “realidade”. Se a foto o deslumbrar então é fantástica. Para se transformar uma foto numa obra de arte é preciso transportar o espectador. Transportar a pessoa para onde queremos que ela vá. Não precisa de ser um sítio simpático, mas sim um sítio que queremos que ela veja. A foto não pode ser passiva, se alguém olha para uma imagem e rapidamente passa para a seguinte é porque ela não funciona. Manda o bom senso que só mostremos imagens que façam as pessoas exclamarem Uauuu ou Ahhhh. Mas na realidade só se consegue fazer estas fotos pontualmente. A razão pela qual as grandes fotos prendem o olhar do espectador é porque elas têm os elementos básicos em ordem. E o básico é, composição, luz, forma e cor. Segundo os puristas, a boa foto deve ser conseguida na câmara, não no Photoshop. Embora pessoalmente pense que a edição faz parte do processo fotográfico e eventualmente pode transformar uma foto banal nalguma coisa mais interessante. Seja como for, é essencial estudar a arte da composição e da luz para se ter o mínimo de bagagem se queremos iniciar este longo percurso que é o de tentar criar obras de arte. Mas não se preocupe, se não fizer nenhuma foto interessante, pelo menos divirta-se a faze-las, isso só por si já é uma habilidade. OPV

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Caos Padronizado (Fotofilosofia) Inserido Thursday 17 July 2008 00:40

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Caos Padronizado

Paper surf 

Bom, já chega de bater no ceguinho e só falar de desgraças. Por falar nisso, já alguém ouviu falar do 2004 MN4? O que é isso? È um asteróide cuja alteração de orbita pode levá-lo a chocar com o globo terrestre por volta do ano 2034 ou até já mesmo em 2012. Lá se vão as preocupações com as prestações, tudo é relativo como dizia Einstein . Mas como ia dizendo, já chega de falar de desgraças, e vamos directos ao assunto. Por muito turbulenta que seja a vida, convêm lembrarmo-nos que ela não passa de uma “Onda”. A ordem esconde-se em todo o lado, dentro do caos aparente dos acontecimentos. Não só a ordem, mas o seu significado ao nível pessoal. Encontrar esse significado pode permitir transpor o abismo entre o objectivo e o subjectivo, entre a arte e a ciência, entre a matéria e a mente. Cavalgar sobre a onda caótica da vida para o propósito construtivo foi a habilidade que os antigos Taoistas procuraram aprender e realizar. Numa gíria surfista trata-se de “apanhar a onda” da realidade emergente. Se a vida é a onda, então a sua psique é o surfista. Procure estar em união com a onda em movimento e mantenha o equilíbrio. Poderá utilizar muitas “pranchas” e uma delas é a Fotografia, não é melhor nem pior do que as outras, é específica. Seja como for, não será fácil, mas será emocionante e se realmente quisermos, poderá ser pleno de significado. Boas ondas! OPV           

 

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Reflex condicionada (Fotofilosofia) Inserido Monday 14 July 2008 21:11

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Reflex condicionada

Basket no ball     

As práticas actuais da remuneração do trabalho condicionam o ser humano de maneira a fazer crescer o sindroma do vício do dinheiro. O trabalhador por conta de outrem recebe uma “pequena” dose de dinheiro no princípio do mês, quase sempre bem calculada para sustentar uma pessoa extremamente frugal até por volta do dia 10 desse mês. Mediante a dura experiência que cada vez mais é comum a todos aqueles que fazem parte do mercado de trabalho, o escravo, desculpem, o trabalhador consegue fazer render a dose até ao dia 15, talvez até ao dia 20. O resto do mês é passado a sofrer uma ansiedade tremenda, como numa crise de abstinência ou privação de droga. No princípio de cada mês recomeça o drama todo. E atenção que isto pode acontecer mesmo aqueles que ganham muito dinheiro, mas cujos rendimentos dependem de outrem. Porque mesmo para estes, paira sempre a sombra do desemprego no horizonte. Os patrões têm o fantasma da falência. Qualquer traficante, politico, ou vendedor sabe que é este período de privação que sustenta o ciclo todo. Na fotografia está a passar-se algo do género; o fotógrafo principiante ou mais imaturo (bom, mesmo alguns dos mais experientes) é constantemente assediado (e convencido) a comprar a ultima maquina com mais pixels e melhor tecnologia, ou o mais potente software. Porque são estes gadgets que lhe vão permitir ser um fotógrafo famoso. È convencido que estando privado da última tecnologia não vai conseguir sem alguém no mundo da fotografia. Para ver bem quanto isto do dinheiro o afecta, tente o leitor imaginar o mais realisticamente possível, o que faria se amanhã todo o seu dinheiro e fontes de rendimento desaparecessem. Esta vida é mesmo uma droga (e potente). OPV     

    

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A droga do consumo (Photognose) Inserido Saturday 12 July 2008 21:52

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  Da Vinci spy   

Na sociedade de consumo em que actualmente vivemos, o dinheiro torna-se na droga que nos mantêm agarrados á ideia da existência materialista. Podemos comparar o consumismo ao vício da heroína, ambos tem estranhas semelhanças; o junkie precisa de doses cada vez maiores e mais frequentes, o consumidor compulsivo precisa igualmente de receber doses regulares de dinheiro, de preferência cada vez maiores. Se não tiver droga, o viciado transforma-se num farrapo de ansiedade. Se não tiver dinheiro o cidadão do mundo capitalista passa por um trauma de carência em tudo semelhante. Se a droga falta, o viciado comporta-se de forma desesperada, podendo roubar e mesmo matar. Se o dinheiro falta ao cidadão do mundo do consumo, ele também poderá roubar ou até matar. Mas não se pode viver sem dinheiro argumentam os mais “pragmáticos” do surrealismo capitalista. Não sabemos se isso é totalmente verdade, sabemos sim que estamos condicionados neurologicamente para aprender que dinheiro equivale a segurança e que falta de dinheiro equivale a insegurança. Mas será isto verdade for do universo de “Jogo do Monopólio” que criamos e em que vivemos? Aparentemente os drogados também não conseguem viver sem a heroína, mas ao menos esses sabem que estão agarrados e que são drogados. O consumidor muitas vezes não sabe que está agarrado, e quando sabe, não encara isso como uma dependência. Pois bem, vamos lá consumir á vontade, mas depois não nos vamos queixar da ressaca. E a Fotografia o que faz no meio desta historia toda? O mesmo papel do que a droga e do que o dinheiro? Sim e não, cabe-lhe a si decidir. Sim, porque pode funcionar como um vício, e tornar o fotógrafo dependente do acto de fotografar, levando-o também a ver na Fotografia um meio para a sua sobrevivência tentando usá-la para ganhar dinheiro. Não, porque felizmente hoje em dia a Fotografia enquanto arte é praticada por milhões de pessoas de forma lúdica e hedonística, são criadas largos milhões de fotos todos os anos, “felizmente” sem viabilidade comercial. Paradoxalmente é preciso dinheiro (cada vez menos) para fazer Fotografia e quantas mais fotos existem menos dinheiro elas produzem. Claro que há uma minoria de fotógrafos que conseguem viver das fotos que criam, mas acreditem que é mesmo uma minoria. Então somos todos viciados em qualquer coisa? Sem dúvida, e isso em si mesmo não tem mal nenhum, desde que não esqueçamos o exemplo dos “drogados”, ou seja, não nos darmos ao luxo de ignorar as marcas que temos nos braços, e a violência da ressaca. De resto pegue na sua máquina fotográfica e “meta para a veia á vontade”, se for digital pode praticamente apanhar uma overdose todos os dias sem ficar arruinado com isso. OPV                  

 

 

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O “Fio de Ariane” (Photognose) Inserido Friday 11 July 2008 21:02

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Matriarchal work II

 

Com a nossa incapacidade para absorver toda a avalanche de informação que nos submerge, vemos estarrecidos que á medida que se difundem as patologias, difundem-se também os fármacos. A poderosa industria farmacêutica todos os anos bate recordes. O número de anti depressivos disparou ao mesmo tempo que cresce a ansiedade, o desespero, o sofrimento, o terror de ser, de ter que enfrentar a vida constantemente, a vontade de desaparecer, cresce também o desejo de matar e de morrer. E a Fotografia o que tem a ver com tudo isto? Bom, tudo e nada, tudo porque pode funcionar como uma válvula de escape, já que se for entendida como uma disciplina conceptual, pode proporcionar ao sujeito, o acesso a um universo em que ele é o criador e não a criatura. Nada porque se for interpretada como uma mera profissão reinterpretando a realidade, ou alavanca social, não contribui em nada para a elevação da capacidade criativa do sujeito, antes pelo contrário, obriga-o a mergulhar ainda mais no labirinto visual desorientando-o e alienando-o. A mensagem que lhe é passada é a de que se ele quer sobreviver, tem que ser competitivo, tem de estar conectado com tudo e com todos, tem de receber e elaborar continuamente uma enorme e crescente massa de dados. Mas nos tempos actuais do neo-capitalismo surge o paradoxo, “a mãe come as crias”. Enquanto o capital precisou de extrair energia física daqueles que explorava, a enfermidade mental podia ser relativamente ignorada. Pouco importava o sofrimento psíquico enquanto o indivíduo pudesse pregar um prego ou manejar um torno. Mas hoje as multinacionais precisam é de energias mentais, energias psíquicas, e são precisamente essas que estamos a destruir. A crise económica alimenta e alimenta-se de uma crise de motivações, da difusão da tristeza, da depressão, da desmotivação e do pânico. Para si que agora lê estas linhas espero que a arte e a prática da Fotografia o façam “feliz”. Mas lembre-se de que; a infelicidade, para alguns, funciona como um incentivo ao consumo, já que comprar é uma suspensão temporária da angústia, um antídoto para o sentimento de perda. No entanto, quando o sofrimento se torna um factor de desmotivação de compra surge o pânico entre os “patrões”. Aparece então o paradoxo consumista, não convêm que a humanidade seja feliz porque assim não se deixa enganar pela produtividade, pela disciplina do trabalho ou pelos centros comerciais. Mas também não interessa que seja totalmente miserável. Interessa então que apareçam milagrosas técnicas ou químicos que moderem a infelicidade e tornem suportável o insuportável, que contenham a explosão assassina ou suicida. Se está a sentir-se perdido no labirinto de informação visual (e não só) encare a arte e a prática da Fotografia como o “Fio de Ariane”, que, se não o ajuda a sair deste labirinto de pesadelo, pelo menos ajuda-o a não se sentir totalmente só e perdido. OPV  

 

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