Há uns anos atrás apareceu um fotógrafo meu conhecido, que por motivos financeiros queria vender uma Leica F, também conhecida como Leica III. Uma peça fantástica, fabricada entre 1933 e 1939 com um visor alternativo para usar com grande angular ou teleobjectiva. Vendia a máquina e respectivos acessórios por um preço que não ultrapassava o de uma reflex digital dos nossos dias. Claro que não resisti e fiquei com a máquina. Havia, ainda, um bónus extra. Segundo ele, a maquina tinha pertencido a um arqueólogo alemão, que além da fotografia era muito dado ao estudo do ocultismo e do espiritismo. Parece que o tal alemão, tinha modificado o visor extra, para a máquina conseguir fotografar espíritos e fantasmas. Confesso que me ri quando ele me disse isto. Conhecia este fotógrafo há longos anos, e não o tinha como zombeteiro. Ele fez um ar muito sério, e garantiu a pés juntos que era verdade, que ele próprio tinha tirado umas fotos com a grande angular e o visor montados, e que tinha apanhado um grande susto quando revelou as fotos. Ainda discutimos um bocado, comigo a argumentar que isso era fisicamente impossível, mas ele não desarmava. Pensas que estás a fotografar uma pessoa e aparece-te uma imagem de alguém morto há centenas de anos, garantia ele. Mais, acrescentou, fotografas uma praça ou uma rua vazia e aparece-te alguém lá plantado. Bom, argumentos trocados aparte, lá acabei por comprar a maquina e a respectiva história espírita. Guardei a maquina muito bem guardadinha e esqueci-me desta historia. Até há uns meses atrás. Não sei porquê, resolvi pegar na Leica e fazer um rolo de fotografias. Como não me canso de afirmar neste Blogue, o mundo tal e qual como o percebemos, é uma ilusão. Há um padrão rítmico no tempo que nos ultrapassa, já que a maneira como cérebro processa informação através de impulsos eléctricos, não é suficientemente poderosa para o percebemos. Felizmente, acrescento eu. Senão, era a maior das alucinações, e nós não estamos mentalmente preparados para isso. È muito provável que a rua vazia que atravessamos esteja pejada, não de fantasmas, mas de informação quântica. A mecânica quântica é uma teoria estranha, que diz entre outras coisas, que um electrão ou qualquer outro actor do mundo sub-atómico, pode existir numa multiplicidade de estados simultaneamente. Quando é bombardeado por um raio de luz, o electrão pode escolher um determinado "estado". Será possível que, o disparo da Leica do alemão esotérico crie um evento quântico? Será esta Leica é capaz de utilizar os impulsos vibratórios quânticos, e explorar espaço e tempo múltiplos? Francamente não sei, mas publico aqui uma das fotos que tirei com a "Time Machine". Não me perguntem que personagens são estas, mesmo que lhes dê algum nome, não faço a mínima ideia de quem são, ou aonde estão. Na realidade, o mesmo se passa connosco. Para alguém que esteja vivo em 2208, nós e os nossos contemporâneos, não passamos de poeira perdida no tempo. Ou será que, quando nos sentimos observados, e não vemos ninguem, afinal é algum fotógrafo do futuro, que se dedica a fotografar "fantasmas"? Pelo sim pelo não, sorriam sempre. OPV
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