Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 09/01/05 21:18 / 197 Artigos publicados
 

Will Smith na Casa Branca  (Causas) Inserido Sunday 09 November 2008 02:59

World

Will Smith na Casa Branca, ora aí está um título que pode fazer a imaginação disparar. No entanto, antes de desenvolver esta peça de ficção deixem-me esclarecer alguns pontos. Primeiro, considero a eleição de Barack Obama, como um marco na história contemporânea. Segundo, Obama tem um poder oratório e um carisma absolutamente arrasadores. Terceiro, transborda de simpatia, confiança e força de vontade. Por último, parece ser lúcido, inteligente, e ainda por cima tem bom aspecto. Ou seja é “perfeito”, ou pelo menos parece. O que me bem logo á cabeça é que, é bom demais para ser verdade. Entendamo-nos, a um nível estritamente pessoal, gostava que Obama tivesse todo o sucesso do mundo, porque isso em princípio, seria óptimo para este mesmo mundo. Todavia, colocando a simpatia de lado, o céptico e estudioso da mente humana, que há em mim, pensa  duma maneira completamente diferente. Eu explico porquê. Primeiro, porque praticamente toda a “mitologia” americana foi fabricada por Hollywood, nome que remete para uma indústria verdadeiramente “mágica”, mais poderosa que qualquer bomba de neutrões que os USA possam ter ou vir a fabricar. Hollywood e os seus filmes moldaram a cultura ocidental do último século. A cultura oriental e islâmica também não lhe ficaram imunes. E qual é o “produto” que Hollywood vende melhor? O Herói! Precisamente, de preferência o “herói” americano. O Cowboy, o Rambo, o Super-Homem, o Homem Aranha, Batman e muitos outros. No entanto não deixa de vender os anti-heróis, ou os heróis caídos em combate (ou desgraça). Os James Dean, Elvis Presley, Jimmy Hendrix,  Marlon Brando, John Kennedy e mais alguns. Então o que é um “herói”? O herói é um arquétipo, e C.G. Jung explica isso muito bem. O arquétipo é a tendência estrutural invisível do símbolo. Tem origem numa constante repetição de uma mesma experiencia, durante varias gerações. O Herói, a Morte, o Sábio, a Mãe o Pai e mais alguns, são arquétipos. Existem no inconsciente colectivo praticamente desde sempre. Segundo, não fui eu que inventei a psicologia analítica, mas Obama o “nosso herói” do momento, encaixa que nem uma luva neste conceito. È uma personificação das forças psíquicas correspondentes a algumas qualidades, e a um tipo de carácter fundamental da “alma americana”. Encarna um factor psíquico de natureza irracional, um furacão que varre para longe a zona turbulenta onde reina a angústia e a insegurança. Os factores económicos e políticos não são suficientes para explicar este fenómeno espantoso que ocorreu nos USA. Na qualidade de pensador, profundamente desapegado e desconfiado, (como já repararam) do favorecimento que se dá ao materialismo contemporâneo, não posso deixar de “ver” Obama como mais um herói “sacrificado” no altar do “deus” materialista que governa o mundo actual. È o “enviado”, alguém, que vem para salvar os americanos (e o resto do mundo), da pobreza, da desigualdade e da miséria. Ou para lhes garantir o padrão de vida a que estavam  habituados. Como se o ser humano viesse a este mundo, exclusivamente para jogar basketball, andar de SUV, viver em mansões e usar cartões de crédito. Aqui entra em cena a sincronicidade, ou a premonição de que os acontecimentos se dispõem de tal modo, que o sonho maior de um inconsciente colectivo, se transforma no terror individual, o medo que cada um de nós tem, de ver o sonho destruído. O exemplo paradigmático é o caso de John Kennedy. Espero sinceramente estar enganado e que não aconteça nenhuma desgraça a Obama, ou pior do que isso, que não desiluda aqueles que tantas esperanças depositaram nele. Se assim for, fica provado, que tal como os gregos criaram o Olimpo (ou será o contrario?), os americanos foram capazes de criar o Hollympo, onde o Brad Aquiles Pitt convive com o Barack Ulisses Obama. Depois não digam que já não há heróis. OPV

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Todos os comentários feitos ao artigo :
Will Smith na Casa Branca

  • lunatik

    Mon 10 Nov 2008 23:28

    Viva
    também espero sinceramente que não lhe aconteça nenhuma desgraça, e que consiga por em marcha todas as suas ideias para melhorar o mundo, pelo menos vontade parece ter. Desejo-lhe as maiores felicidades.
    Cumps.

  • abetarda

    Mon 10 Nov 2008 10:19

    O problema passa um pouco por aí. A fasquia está tão alta que, tudo o que não forem milagres, saberá a desilusão. O homem terá os seus méritos mas ninguém espere milagres. Se as coisas melhorarem um bocado já é muito bom.
    A forma como os americanos (e não só) o vêem, só por si, é um sinal de que o "mundo" estava completamente sem esperança. Por isso ele é elevado à condição de herói.
    Desejo-lhe a melhor sorte do mundo. Bem precisamos.