Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 09/01/05 21:18 / 197 Artigos publicados
 

Crazy Love  (Causas) Inserido Tuesday 30 September 2008 20:17

Hook

O escritor atormentado, César Pavese, escreveu um dia; “Ninguém se mata pelo amor de uma mulher”. Pois não, os homens matam-se porque um amor, não importa qual, nos revela a nós mesmos na nossa nudez, no nosso infortúnio, no nosso estado indefeso, na nossa insignificância. O homem, idealisticamente apaixonado, amava as mulheres que o desprezavam. E desprezava as mulheres que o amavam. Penava com as fortes e aborrecia-se com as fracas. O homem actual é um pragmático, ama o dinheiro e o poder, ou melhor, o poder que o dinheiro lhe dá. E aborrece-se com as chatices que os afectos lhe trazem. No entanto, esta crise económica que se abate sobre o mundo, vai obrigá-lo a descobrir que trocar o ser pelo ter, não o vai livrar de sarilhos. Pelo contrário, é que ficar sem alguém que se ama, é uma boa desculpa para se enfiar um tiro na própria cabeça. Ficar sem a casinha, o popó e o cartão de crédito, não é desculpa para coisa nenhuma. È mimo! Somos com toda a certeza, a geração com maior longevidade, e mais mimada da história da humanidade. Fazemos e temos coisas que há duzentos anos atrás não passavam de “ficção científica”. Realizamos feitos e obras incríveis, todavia, o que fazemos mesmo bem; é rebentar com o assombroso planeta em que vivemos. Seguimos o mesmo padrão do “idiota” apaixonado, “amamos” os líderes, os ricos e poderosos que nos desprezam e desprezámos aquela que nos alimenta e alberga, que nos ama, a Terra. Estupidamente, pensamos que podemos sugá-la até ao tutano, e depois, zás, trocamo-la pela amante. Acordem, a amante não vive neste sistema solar. E nós, idiotas, por este andar, também não. Onde entra a fotografia nesta historia? È o objecto do desprezo. Por mais fotos que vejamos, de ecossistemas ou populações que se degradam e desaparecem, mais embrutecidos ficamos, mais nos convencemos que nada podemos fazer. Se a fotografia a este nível se tornou ruído de fundo. Enfim, iníqua. O que poderemos esperar da fotografia enquanto Arte? Se é que devemos esperar alguma coisa da Arte. Grandes emoções ou grandes comissões? OPV       

 

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Todos os comentários feitos ao artigo :
Crazy Love

  • lunatik

    Tue 30 Sep 2008 23:48

    Viva
    da Arte não espero nada, as maiores obras de Arte estão por aí ao virar da esquina, é só preciso saber olhar para elas.
    Cumps.

  • António Castro

    Tue 30 Sep 2008 21:24

    O homem actual é de facto pragmático, frio, egoísta. Mais uma vez gostei da abordagem do texto e dos aspectos que aborda, como a forma como tratamos o Planeta, o poder, a arte, o ter...
    Abraço.