Cyborg
Não será legitimo
pensar, que, tal como existe já uma “second
life” no ciberespaço, a nossa vida dita
“real” não passará de uma “first
life” no espaço dito tridimensional? Na
“realidade” podemos não passar de uns simples
avatares de alguns jogadores alienígenas! Parece estranho?
Nem por isso; pensem numa qualquer multidão, seja na praia,
num estádio ou numa discoteca. Não é um pouco
bizarro que tantos indivíduos sem nada em comum enquanto
indivíduos, assumam um comportamento com tal grau de
mimetismo, que parece estarmos a observar um formigueiro? Tal como
no formigueiro, na multidão, a identidade individual
esbate-se e os indivíduos parecem preambular ao acaso, numa
actividade febril e aparentemente inútil. Na realidade, para
os biliões de seres humanos existentes neste planeta,
existem apenas meia dúzia de estímulos ou
“ordens” que os comandam e isso é perfeitamente
visível no caso das multidões. Comida, dormida (ou
abrigo) e sexo, são as três necessidades
básicas que põem a andar o “jogo” da
vida. Tudo o resto gira á volta disto. Tal e qual como na
tecnologia digital, em que a alternância entre zeros e uns
pode dar origem a biliões de imagens ou sons, na tecnologia
da vida biológica as três necessidades básicas
deram origem ao aparecimento de tribos, nações,
religiões e multinacionais. Por muito que qualquer ser
humano pense, divague ou invente, tem sempre de cumprir as regras
do jogo (vida) se quiser viver (jogar). Ou seja, alimentar-se,
abrigar-se e procriar. Há umas pequenas
distracções tal como a arte, o desporto ou a
religião, mas não passam disso mesmo,
diversões para o “boneco” não rebentar.
Para seres tão “inteligentes” como os humanos,
isto parece um bocado limitado, embora os basbaques fiquem
fascinados com o actual grau de desenvolvimento da
civilização humana. Os arranha-céus, os
carros, os submarinos, os aviões, os satélites, o
papel higiénico, Uauuu somos o máximo. Pois bem meus
amigos, não somos o máximo, algo ou alguém
é o máximo a brincar connosco, mas nós
não passamos de simples bonecos (avatares?) neste estranho
jogo. Querem a prova? Experimentem fazer uma foto fantástica
que se torne imediatamente uma obra de arte. Isto vale
também para a pintura, literatura ou para a música
Não conseguem? Com tanto equipamento fabuloso,
informação, livros e dicas como fotografar como um
verdadeiro artista porque será que não conseguem?
Simples, o vosso avatar não está equipado para isso,
e por muito que se esforcem o vosso “software”
não chega lá. Mas não se preocupem, já
não falta muito para, que, quando o vosso cérebro
começar a trabalhar mal, poderem a qualquer momento adaptar
uma tecnologia neurológica avançada, de forma a
eliminar quaisquer vestígios de falha. Não se admirem
é que a vossa personalidade e pensamentos sejam padronizados
(se é que não o são já), e numa
perspectiva apocalíptica, não fiquem vestígios
do vosso corpo original sendo que as vossas experiências,
agora sim, a todos níveis, migrarão para fora do
vosso corpo real. Nada que não aconteça já com
as operações plásticas, a
competição entre indivíduos e a
educação pós moderna desenvolvidas sob o jugo
do consumismo massificado. Se isto tudo, realmente o preocupar,
carregue no OF. OPV
Comentários