Página Inicial Data de criação : 07/12/04 / Última actualização : 08/08/27 21:21 / 158 Artigos publicados
 

Prisão de Ferro Negro (Photognose) Inserido Monday 28 July 2008 23:52

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Prisão de Ferro Negro

Geometric beach     

 Segundo o escritor de ficção científica Philip K. Dick o mundo que experimentamos é um holograma, uma hipérbole de informação que nós cada vez mais temos dificuldade em processar. A desordem do código primordial significa que tantos nós como o mundo que conhecemos estamos “tapados”, separados da vasta matriz de dados cósmicos. Estamos encarcerados na prisão de ferro negro, imagem metafórica para os moinhos satânicos da ilusão, tirania politica e controlo social opressivo que mantêm o nosso espírito algemado. Mais que um motivo meramente paranóico esta prisão pode ser vista como expressão mística do “aparelho disciplinar” do poder, analisado por Michel Foucault, o qual demonstrou que as prisões, instituições mentais, escolas e estabelecimentos militares organizam o espaço e o tempo segundo um controle racional semelhante. Assim sendo cabe aos artistas e a nós como fotógrafos tentar romper com essa organização mental, criando arte, bem como uma fotografia alternativa e arrojada que nos leve para lá das “grades mentais” e nos proporcione uma percepção estética livre do espartilho da “pseudo realidade”. A fotografia permite-nos reorganizar o espaço e o tempo. È difícil e não acontece em todas fotos (bem pelo contrario), mas a única solução é tentar, porque a alternativa é produzir clichés uns atrás dos outros. OPV    

 

Link permanente

Cyborg, eu? (Photognose) Inserido Wednesday 23 July 2008 22:39

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Cyborg, eu?

Cyborg

Não será legitimo pensar, que, tal como existe já uma “second life” no ciberespaço, a nossa vida dita “real” não passará de uma “first life” no espaço dito tridimensional? Na “realidade” podemos não passar de uns simples avatares de alguns jogadores alienígenas! Parece estranho? Nem por isso; pensem numa qualquer multidão, seja na praia, num estádio ou numa discoteca. Não é um pouco bizarro que tantos indivíduos sem nada em comum enquanto indivíduos, assumam um comportamento com tal grau de mimetismo, que parece estarmos a observar um formigueiro? Tal como no formigueiro, na multidão, a identidade individual esbate-se e os indivíduos parecem preambular ao acaso, numa actividade febril e aparentemente inútil. Na realidade, para os biliões de seres humanos existentes neste planeta, existem apenas meia dúzia de estímulos ou “ordens” que os comandam e isso é perfeitamente visível no caso das multidões. Comida, dormida (ou abrigo) e sexo, são as três necessidades básicas que põem a andar o “jogo” da vida. Tudo o resto gira á volta disto. Tal e qual como na tecnologia digital, em que a alternância entre zeros e uns pode dar origem a biliões de imagens ou sons, na tecnologia da vida biológica as três necessidades básicas deram origem ao aparecimento de tribos, nações, religiões e multinacionais. Por muito que qualquer ser humano pense, divague ou invente, tem sempre de cumprir as regras do jogo (vida) se quiser viver (jogar). Ou seja, alimentar-se, abrigar-se e procriar. Há umas pequenas distracções tal como a arte, o desporto ou a religião, mas não passam disso mesmo, diversões para o “boneco” não rebentar. Para seres tão “inteligentes” como os humanos, isto parece um bocado limitado, embora os basbaques fiquem fascinados com o actual grau de desenvolvimento da civilização humana. Os arranha-céus, os carros, os submarinos, os aviões, os satélites, o papel higiénico, Uauuu somos o máximo. Pois bem meus amigos, não somos o máximo, algo ou alguém é o máximo a brincar connosco, mas nós não passamos de simples bonecos (avatares?) neste estranho jogo. Querem a prova? Experimentem fazer uma foto fantástica que se torne imediatamente uma obra de arte. Isto vale também para a pintura, literatura ou para a música Não conseguem? Com tanto equipamento fabuloso, informação, livros e dicas como fotografar como um verdadeiro artista porque será que não conseguem? Simples, o vosso avatar não está equipado para isso, e por muito que se esforcem o vosso “software” não chega lá. Mas não se preocupem, já não falta muito para, que, quando o vosso cérebro começar a trabalhar mal, poderem a qualquer momento adaptar uma tecnologia neurológica avançada, de forma a eliminar quaisquer vestígios de falha. Não se admirem é que a vossa personalidade e pensamentos sejam padronizados (se é que não o são já), e numa perspectiva apocalíptica, não fiquem vestígios do vosso corpo original sendo que as vossas experiências, agora sim, a todos níveis, migrarão para fora do vosso corpo real. Nada que não aconteça já com as operações plásticas, a competição entre indivíduos e a educação pós moderna desenvolvidas sob o jugo do consumismo massificado. Se isto tudo, realmente o preocupar, carregue no OF. OPV

 

 

Link permanente

Paranóico, Eu? (Photognose) Inserido Tuesday 22 July 2008 21:30

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Paranóico, Eu?

No hope    

Um texto sânscrito descreve que a época de Kali, ou da destruição, poderá ser identificada quando “a sociedade atingir um nível em que a propriedade conceda categoria, a riqueza for a única fonte de virtude, a paixão constituir o único laço de união ente marido e mulher, a falsidade for a matriz do sucesso na vida, o sexo o único meio de prazer, e quando os ornamentos exteriores se confundirem com a religião interior". Parece familiar ou não? Onde é que eu já vi isto? Claro, todos os dias no telejornal. Esta dicotomia entre o bem e o mal que nos sufoca vai acabar com a nossa pouca sanidade mental. A educação que nos é dada, as metas que nos são propostas, correspondem sempre ao interesse de outros, e muito raramente ao nosso próprio interesse. Já o famoso ministro da propaganda nazi, sabia perfeitamente como manobrar as massas, passou á prática, a teoria de que, o comportamento de uma colectividade alienada é sempre caracterizado pelo nível intelectual mais baixo. Nesta era da super informação, em que somos todos super informados (riso)  está na altura de perguntarmos a nós mesmos quando foi a ultima vez em que conscientemente, tomamos uma decisão séria, livre da influência de alguma coisa. Somos capazes de ficar surpreendidos quando descobrirmos que nunca tomamos uma decisão na vida, a vida é que decidiu por nós. Parece pouco plausível mas é verdade, se analisarmos bem a nossa vida, descobrimos que parecemos uma rolha no oceano ao sabor da corrente. Mas eu decidi isto ou aquilo, argumentam alguns, pura ilusão, as nossas “decisões” adequam-se sempre (e é mesmo sempre) àquilo que já foi decido para nós (e não por nós). Então quem é que decide tudo? Bom, alguns chamam-lhe deus, outros, destino, matrix, grande arquitecto, até pode ser o Bill Gates. Para mim pouco importa, com tanta inteligência artificial, já percebi que deixamos de ser robots e passamos a cyborgs. OPV   

Link permanente

Alien(ado) eu? (Fotofilosofia) Inserido Tuesday 22 July 2008 00:09

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Alien(ado) eu?

Attitude

Faltará muito para sermos tele -transportados pelos telemóveis ao jeito de Matrix? O que se passa com as crianças e jovens de hoje é já um prelúdio do que poderá estar para vir. Esta nova geração de seres humanos começa as suas vidas experimentando um outro conceito de espaço, de tempo e de realidade. A sua prática de vida quotidiana experimenta uma virtualidade que no passado só as imagens reflectidas nos espelhos nos davam. Da mesma maneira que a arte moderna colocou em crise o conceito de arte, os nossos contemporâneos descobrem que os conceitos de espaço e tempo entre outros, já não servem para um mundo que tende para o virtual. O mundo como os ecrãs está a ficar “Flat”, e a capacidade de análise e pensamento das novas gerações (claro que há excepções) tem a profundidade equivalente á espessura de uma folha de papel. O que se ajusta perfeitamente ao conceito de Flat. O que ninguém diz é que estamos a criar maníacos depressivos aos milhões. O comportamento das personagens de jogos ou filmes é enxertado no quotidiano sem se dar por isso. A palermice do festivalzinho de verão e a ideia de que a vida é um “forró”, especialmente para as ditas “celebridades” que saltitam de festa em festa, bem como o endeusamento da nova casta de “heróis”, os futebolistas, e as suas aventuras milionárias, enquanto um terço do país passa fome, leva-me a pensar, se, na verdade, alguns milhões de idiotas não viverão já dentro de um programa de computador? Para eles o mundo como existe hoje é um sonho (para outros é um pesadelo). A prova plausível de que a vida actual dos idiotas não é real, está na arte. E porquê? Porque por exemplo; nunca houve tantas máquinas fotográficas (e fáceis de usar) no mundo. Nem por isso aumentou exponencialmente o número de fotógrafos talentosos e fotografias realmente geniais. Nunca foi tão fácil fazer e editar musica. O que acontece? Anda tudo a plagiar o que foi feito nos anos sessenta, setenta, oitenta e até noventa. Nunca foi tão fácil escrever, com os novos programas de texto, correctores e dicionários. Resultado? Novos génios literários? Não! Anda tudo a tentar escrever romances históricos (ou pior), tentando encontrar uma nova fórmula tipo Da Vinci (pobre, por sinal). Há pior? Há sim! Se transpusermos este conceito para a área das relações pessoais, então, é o desastre total. O indivíduo nunca foi tão solitário como hoje, mesmo que pertença a alguma das muitas tribos urbanas que por aí proliferam. Tem milhões de leis para o “proteger” e biliões de informações para o “educar”. Resultado? Um ser híbrido, operado por forças manipuladoras que reage aos estímulos hedonísticos como o cão ao osso. Exagerado, eu? Deixem-me apenas fazer um “Upgrade” do meu cérebro que já vos mostro quem é que escreve como deve ser. O que tenho actualmente está um bocado lento, e só dá para dizer disparates. Ironias á parte, pense bem no que anda a fazer da sua vida, ou o que a sua vida anda a fazer de si. Se tiver duvidas, use e pratique a Arte da Fotografia que é um bom barómetro para medir as pressões a que está sujeito. OPV  

 

Link permanente

Um pouco de Zen  Inserido Saturday 19 July 2008 21:18

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Um pouco de Zen

Life framed   

Segundo um velho mestre de Zazen, em toda a obra de arte, toda a criação, o artista deve dar-se por inteiro, sem se ocupar em atingir a gloria, a beleza, a riqueza e sem se sacrificar a modas. Deve exprimir-se no seu melhor, sem compromisso. Então a obra poderá ser bela. Mas nos dias de hoje quem pode alcançar este estado? Melhor ainda, quem tenta sequer alcançar este estado? Todos querem a recompensa imediata, o prazer e a fama para já, aqui e agora. Esta ânsia de reconhecimento pelo outro complica de sobremaneira a visão do mundo, e esta complicação reflecte-se no “produto” final. Quando trabalhamos a pensar nos outros vemos quase sempre o trabalho tornar-se rebuscado e datado, por vezes cheio de clichés. Impotentes vemos o nosso trabalho afastar-se da “verdade” da arte. Isto porque a verdade reside na simplicidade. Pratiquem a Fotografia perfeitamente concentrados nela, e no seu resultado final, mas com um perfeito desinteresse em relação á apreciação de que ela possa ser alvo (claro que as boas criticas acariciam o ego, mas esqueçam o ego). Se estão a varrer a casa concentrem-se nessa simples tarefa e no prazer de a ver limpa, e não naquilo que a visita ou a sogra vão dizer. Quero com isto dizer que o grande prazer da Fotografia está na sua prática e não naquilo que o sucesso “dela” nos possa trazer. Mantenha a mente aberta e lembre-se desta máxima “Mantenham as mãos abertas; toda a areia do deserto passará através delas. Fechem as mãos; obtereis alguns grãos de areia”. Boas fotos. OPV

Link permanente