Mushroom
Um livro que se me afigura “interessante” é “Do travel writers go to hell?” de Thomas B. Kohnstamm. Resumidamente, a historia denuncia a industria dos guias de viagens. O autor assume, que inventou a maior parte daquilo que escreveu sobre o nordeste brasileiro, porque o dinheiro que lhe pagavam não chegava para os gastos. Escrever sobre hotéis, restaurantes e sistemas de transportes é uma tarefa enorme. Nem o tempo nem o dinheiro de que dispunha lhe permitiam cobrir tudo aquilo que a editora queria publicar. Passou por uma série de aventuras, chegou a ser preso pela polícia brasileira, e no fim escreveu um livro “engraçado”. Porque é que esta história me interessa? Porque é mais uma achega para aquilo que venho afirmando; A REALIDADE È UMA FICÇÃO. As viagens de sonho, na “realidade” não passam disso mesmo, sonhos (ficção), muitas vezes transformados em pesadelos.
O homem inventa uma série de dados e de factos, fornece-os a uma editora, esta publica-os, e já está, “oficialmente” passa a ser verdade. “Verdade” religiosamente seguida, por essa nova espécie, nascida no século passado, o homoturist. Esta ideia modernaça da indústria do turismo (conceito arrepiante) que pega num cidadão, e o põem a esperar horas a fio por transportes que não aparecem. A conviver em resorts, com aqueles, de quem ele tenta fugir o resto do ano. A visitar locais “especiais” em manada. A degustar comida que não lembra ao diabo e a frequentar praias que de sonho só tem os postais. Esta ideia como dizia, é do mais alienante que é possível. Na verdade, o logro de Thomas acaba por não ter nada de mal, porque no fundo, os “turistas” merecem mesmo, é uma valente diarreia. Sim, porque para alguém, enfiado numa casa de banho pública brasileira, não há por do sol em Jericoacoara que levante o moral e aconchegue a alma. Já sei que, de uma maneira ou de outra, acabamos todos por ser “turistas”, mas pode ser-se “turista” sem ter a ideia parva, que aquela viagem vai mudar a nossa vida, ou vai fazer de nós seres diferentes e melhores. Coitados de nós se embarcarmos nessa, e coitados daqueles que, impressionados por um documentário ou aventura alheia, procuram longe, o teatro dos seus sonhos. Ainda não perceberam, que o mais importante, é mesmo a viagem interior. Aí, só cada um sabe a distancia que percorre (ou se não sai do mesmo sitio). Por vezes, não há nada melhor, que um alegre convívio com os amigos, em qualquer sítio do mundo, ou no quintal lá de casa, desde que se possa comer uns pipis, e beber umas cervejas. OPV
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