Walk alone
A fotografia que praticamos faz-nos felizes? Claro que isso depende da expectativa de cada pessoa, mas o que realmente conta é a realidade em que cada um está imerso. Se considerarmos que a “realidade” é uma constante, a expectativa tem de ser (um numero) maior do que a realidade para criar optimismo. Por outro lado o pessimista pode aproximar-se do zero, mas sem nunca o alcançar. Nunca chega a perder completamente a esperança.
Um fotógrafo talentoso pode fazer fotos interessantes, ou até fantásticas, e não se sentir satisfeito, (feliz é uma palavra demasiado forte) com isso. Em contrapartida, um fotógrafo “medíocre”, uma vez por outra, consegue fazer uma boa foto, e sente-se um bem-aventurado. Existe alguma receita para tirar o máximo prazer da arte de fotografar? Bom, receita não sei se existe, mas há quem tenha tentado criar uma fórmula matemática para a felicidade. Terá aplicação na fotografia? Talvez. È tudo uma questão de imaginação. A fórmula é RDE. Uma formula que um economista (mais um) inventou. RDE ou seja, a Realidade a Dividir pelas Expectativas. Segundo esta fórmula há duas maneiras de ser feliz: melhorar a nossa realidade, ou baixar as nossas expectativas. Claro que se não tivermos expectativas nenhumas, não podemos dividir alguma coisa por zero.
Se na “realidade”, a nossa técnica e criatividade é um tanto ou quanto limitada, é conveniente não ter expectativas muito elevadas, quanto ao sucesso do nosso trabalho. Por outro lado, se tecnicamente e criativamente formos excelentes (confirmado pelos pares), também não! Exactamente. Mesmo, que o meu “amigo” ou “amiga”, saiba com toda a “certeza” que é um(a) excelente fotógrafo, faça um favor a si mesmo, nada de expectativas. Porquê? Porque há uma grande diferença entre algo que nos faz felizes e algo que não nos faz infelizes. Normalmente tentamos convencer-nos a nós próprios de que são ambas a mesma coisa. Mas não são! Só por si, o acto de fotografar deveria ser suficiente para nos deixar “felizes”. O reconhecimento (ou não) da nossa arte, não deveria tornar-nos “felizes” ou “infelizes”. Por cada pessoa que acha o reconhecimento e a “glória” reconfortante, existe outra que acha sufocante. Por vezes, a mesma pessoa que deseja a “gloria”, depois de a obter, pagava, para nunca a ter conhecido. Neste caso o coeficiente de conforto torna-se num número negativo e afasta-a da “felicidade”. A “fama” ou a falta dela, é algo que devíamos saber “engolir”, quer seja muito saboroso, ou simplesmente intragável. È como o miúdo, que come a sopa toda, e fica á espera da festinha na cabeça. Já encheste a barriga palerma, não abuses da sorte, e parte para a sobremesa. OPV
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