Goalkeeper
Se eu tivesse a sabedoria suficiente para compreender a suprema Arte da Fotografia evitaria os atalhos obscuros que podem desviar-me do meu caminho. O trajecto para a Arte pode ser mais longo, mas é directo, todavia, a maioria de nós prefere os atalhos. Quando metemos por esses atalhos, muitas das vezes, perdemos a saúde para ganhar dinheiro e depois perdemos o dinheiro para recuperar a saúde. Quando estamos nos atalhos e fotografamos, pensamos ansiosamente no futuro daquela foto, e esquecemos o prazer que ela nos dá no momento presente. Quando estamos no caminho certo, tudo é claro e parece que se desenrola de moto próprio. A fotografia quase que se faz a si mesma, e o tempo parece parar. Há variadíssimos níveis de fotógrafos e de fotografia. Mas a fotografia é só uma. Impõe-se por si mesma, pela sua estética e concepção. Nem todas as imagens são Fotografia, como nem todos os “homens” são seres humanos. Há muito “boneco” por aí. Verifiquei isso mesmo, numa pequena peça televisiva sobre a colecção fotográfica do BES. A ideia luminosa de colocar um par de chuteiras num bocado de relva, fotografá-las e imprimir em tamanho XXL pode parecer muito artística, mas não é. A foto é simplesmente má, como a maior parte das que compõe a exposição. Que a senhora responsável pela exposição diga que a foto mais cara custa quinhentos mil euros, só revela que um banco deve ficar-se pela contagem do dinheirinho e mais nada. Quando pretende gastá-lo em arte, só dá merda. Não vi a exposição na íntegra, e não posso afirmar que não haja algumas fotos de qualidade. Mas posso afirmar é que; não há neste mundo, nem no outro, uma foto que valha meio milhão de euros. Se me falarem dos negativos originais de Cartier Brenson ou do Ansel Adams, ainda penso duas vezes. Agora “artistices” não! Já chega o Berardo. Esta gente que de talento nada percebe, e que compra pretensa “arte”, como os russos novos-ricos compram os seus novos “ferros” de golfe, todos do mesmo número, deixa-me siderado. È quase como a febre dos escritores. Gosto de escrever, mas acontece que, quando leio um bom livro, (e já li muitos), perco a pretensão de escrever algo que ultrapasse o carácter praticamente anónimo deste Blogue. No entanto, entro numa livraria, e fico banzado com a imensidão de títulos e autores. Hoje em dia, qualquer idiota, que consiga alinhar as letrinhas de uma maneira racional, é um escritor. Seja futebolista, ou mulher da bola, pivot de televisão, ou cartomante em part-time, polícia reformado ou vigarista no activo, é um autêntico forrobodó. Onde pára a modéstia? Todos estes “escritores”, deveriam ser obrigados, em regime de trabalhos forçados, a plantar o dobro das árvores, que foram abatidas, só para publicar a merda que escreveram. A escrita banalizou-se, e a fotografia também. È “fácil” escrever e é “fácil” fotografar. Daí, a escrever ou captar, algo a “sério” vai uma distância abismal. Fica uma sugestão ao BES, “garanto” que consigo fazer uma foto igual (ou parecida) a essa do meio milhão, por metade do preço, e ofereço a outra metade a uma associação de solidariedade á vossa escolha, de preferência, uma de invisuais. Com tantos ceguinhos nesse banco, não vão ter dificuldades em descobrir uma. OPV

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