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Espelho Louco  (Fotofilosofia) Inserido Tuesday 02 September 2008 23:33

Fly

Um espelho duplica e amplia o ambiente que reflecte. Podemos especular se também não duplicará ou afectará a energia mental que circula entre o original e o reflexo. Por aquilo que podemos ver através da comunicação social, sejam revistas, jornais ou televisão, acabamos por concluir que os espelhos devem andar todos loucos.          È incrível, o número cada vez maior, de pessoas que se deixam iludir, e misturam o mundo produzido pelo espelho, e a “realidade” onde estão inseridas. Essa “realidade” é cada vez mais abstracta, está alicerçada em números e signos, sejam de contas bancárias ou de cartões de crédito. Os signos ou símbolos estão nas imagens e produtos de marca que é obrigatório usar. Os exemplos são imensos, temos o apresentador de televisão anafado, que usa calças e camisas (ridículas), uns números abaixo, e que há muito devia ter deitado fora. Há o chefe de estado que é obrigado a usar tacões porque casou com quem não devia (ou devia), e não está á altura do sarilho que arranjou. Há aqueles governantes, cujo único traje que deviam usar, era, o fato-macaco, mas que usam Armani. Existem as velhas coquetes com nomes ridículos, que como o Eusébio vivem das glórias passadas e ditam palpites sobre o bom gosto actual. Existem os casos completamente perdidos e hilariantes, de esquizofrenia total, como é o caso dum mutante de pavão, que passa de gigolo a marchand de arte, de marchand a entertainer, e de entertainer a diva da canção. O simples facto de ninguém vestir esta personagem com um colete-de-forças, e o enfiar num manicómio, revela que aqueles que o rodeiam e dele se aproveitam estão tão doidos como ele. A fotografia, ou imagem fotográfica é muito cruel para estas pessoas. Devido ao efeito “espelho louco”, estes indivíduos insistem em ver uma coisa que não está lá. Mas o mais trágico, são todos os outros (e não são poucos) que “compram” essas imagens estragadas. È muito triste ser-se “fotógrafozinho”, e para sobreviver, ter que fotografar este autentico circo de horrores. Seja nacional ou internacional. Lá fora, basta recordar o Michel Jackson. Antes fotografar gorilas para a Nacional Geographic (infinitamente mais bonitos). O tamanho do ego destas criaturas (não são os gorilas) não pára de me surpreender. È espantosa a desfaçatez com que exibem a sua mediocridade. Sejam chefes de estado, cantores pop, ou aspirantes a actores e actrizes. Todos eles são completamente enganados por essa nova espécie de “especialistas” que são os consultores de imagem. Lembram-se daquela velha máxima; quem com ferro mata, com ferro morre? A versão moderna é; quem vive pela imagem, morre pela imagem. Onde pára o pudor por estes dias? Ninguém tem vergonha nem modéstia? Um indivíduo pode considerar-se fotógrafo só por andar a subir ás árvores para fotografar estas e outras aves raras? A fome, e a necessidade de um tecto, justificam tudo? Quer-me parecer que o caos aparente da civilização actual, tem um forte impacto, e implica o caos real do carácter individual. Assim, se algum dia lhe passar pela cabeça, ganhar a vida a fotografar esta bizarra fauna humana, reconsidere e ofereça-se par a National Geographic. Animal por animal, mais vale trabalhar com os originais. Estes podem morder-lhe o corpo, mas pelo o menos, não lhe roem a alma. OPV

  

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Todos os comentários feitos ao artigo :
Espelho Louco

  • lunatik

    Wed 03 Sep 2008 00:44

    Viva
    por acaso até tenho em boa conta os fotógrafos da National Geographic, acima de tudo esses aliam o gosto de fotografar com uma vida despreocupada, ao ar livre, haverá maior sensação de liberdade, eu escrevi sensação, pois como qualquer assalariado devem de ter as suas ordens para cumprir.
    Os outros, esses são uma espécie de meretrizes, vendem-se por pouco.
    Cumps.