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O espécime humano costuma ter um orgulho desmedido na sua capacidade pensante. Tem a ideia errada que essa qualidade é unicamente sua. Pois bem, o pensamento é algo que não pertence ao homem propriamente dito. Isto porque, para ser transferível para fora da pessoa que o produz, ele tem que obedecer ás leis gerais do pensamento, que são independentes do contexto e da produção humana. Os processos mentais em questão podem (e devem) serem entendidos, como um raciocínio derivado do cálculo. Cálculo, no sentido mais matemático do termo, mas com apoio e funcionamento biológico. Uma das definições de inteligência pode ser a capacidade de desenvolver a comunicação a um certo nível de complexidade. Mas quando a comunicação está nas mãos “erradas” e é filtrada, pode tornar-se asséptica. Assim o raciocínio que essa mesma comunicação produz, está viciado logo á partida. Querem um exemplo? Como todos sabem, está a decorrer uma guerra no Iraque. Há uns milhares de baixas do lado americano. Por acaso alguém viu algumas fotos de soldados americanos mortos? Os caixões pelo menos? Se elas existem, os editores de jornais e revistas não as publicam. O Homo comunicante em que nos tornamos é um ser que vive numa sociedade aparentemente sem segredo; um ser totalmente voltado para o social, que só existe através da troca e da informação, numa sociedade simuladamente transparente. No entanto, aqueles que estão atentos verificam que o conceito de “cristalino” se torna cada vez mais baço. Qualquer um que comunique num nível mais básico, e menos complexo, é hoje em dia, digno de ver a sua existência reconhecida enquanto ser social. Não está mau, desde que saiba que de certa maneira, não é mais um “ser humano”, mas sim um “ser social” com toda a polifonia esquizofrénica que isso acarreta. Entre o soldado morto que não aparece, e o socialite que já está morto, mas que ainda aparece, há mais semelhanças do que aquilo que se pensa. Em ambos os casos, a “vida” não assenta mais no caldo biológico mas sim na sopa da “comunicação”. Essa comunicação contamina a “realidade” que construímos. Por exemplo; nunca a palavra Glamour foi tanto e tão estupidamente usada por gente que de charme e magnetismo pessoal só lhe conhecem o cheiro, normalmente adulterado por perfumes baratos. Já agora; Glamour deriva de Glamer, termo escocês para feitiçaria, usado no século XVIII. Mais apropriado para determinado tipo de bruxas que por aí proliferam. Na maior parte das vezes, em que o “ser humano” pensa que tem ideias brilhantes e pensamentos originais, o que está na “realidade” a acontecer é mais uma reciclagem e sublimação dos arquétipos. Alguém está a pensar por ele, mas como é evidente não há forma de lhe poder provar tal coisa. Ora quando estamos conscientes dessas predeterminações visuais, ou outras, mais hipóteses temos de lhes escapar. Mas, para ter essa consciência, é preciso colocar tudo em causa, fazer um trabalho de sapa, analisar, comparar, experimentar, provar, guardar ou deitar fora. Este é um processo que demora muito tempo, ou então é instantâneo, para aqueles que tem a “sorte” de nascerem génios. A “realidade” é quase sempre uma espécie de teia, que é a mesma e universal, independentemente do sítio onde nos encontramos. Sou “eu” que tenho de fazer a diferença, no caso da Arte Fotográfica, são os livros que li, os filmes que vi ou as musicas que ouvi que são transformados em fotografia. A fotografia é antes de tudo, uma expressão visual dos nossos pensamentos e de quem somos numa determinada altura. Ora, se não temos pensamento originais e realmente nossos, como é que podemos construir ou cria uma Fotografia a que possamos chamar realmente “nossa”? OPV
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