Brain machine
Um dos maiores (ou o maior) mistérios que espantam a humanidade é a direcção do Tempo. Na prática, as leis fundamentais da física quântica não fazem distinção entre passado e futuro. Isto cria um quebra-cabeças. Porque é que, nós somos capazes de nos lembrar do passado, e não temos acesso á memória futura? Porque é que pensamos que as nossas acções no presente afectam o futuro, mas não o passado, se isso contraria as leis da física quântica? Ou não será bem assim, e na realidade a nossa mente já sabe tudo o que nos vai acontecer do princípio ao fim, mas para proteger a nossa sanidade mental, cria uma espécie de amnésia? Somos ser completos a meio das nossas vidas, ou só ficaremos realmente completos quando dermos o último suspiro? Enquanto está vivo o indivíduo é uma obra inacabada? Pela lógica das coisas, uma sinfonia só acaba na última nota, e não a meio de um andamento, por muito glorioso que ele seja. Por isso se pensa que é um homem (ou mulher) feito, desengane-se, por muito adulto que seja. Parte da “verdade” é que o mundo tem infinitas formas de realidade em potencial. Quando escolhemos, ou somos obrigados a escolher uma, todas as outras convergem apenas para esta. Mas a “verdade real” e assustadora é que; nós não podemos mudar nada, pois não temos papel activo na Realidade. Ela já lá está, feita de átomos e partículas sub atómicas, que formam objectos, que se movem de acordo com leis próprias. A sensação de que; se escolho determinada experiência, estou a criar a minha própria realidade, é um truque sofisticado (ou barato), que, o cérebro usa para evitar que enlouqueçamos. Toda a gente já sentiu isso, mas não consciencializou o facto. Como? Da seguinte maneira; lembram-se daquela sensação estranha, quando vêem um álbum de fotografias antigas, ou mesmo recentes, e não se reconhecem, ou no mínimo, acham que aquelas pessoas nas fotos não tem nada a ver convosco? Pois é! Não tem mesmo. A realidade de cada um não está á superfície da pele, e como observador o individuo muita das vezes não consegue identificar-se com o Eu que está dentro da “roupa” biológica. Reconhece algo, mas não sabe muito bem o quê, como quando olha para o espelho e se pergunta, mas que raio és tu? Uma das respostas possíveis é a seguinte; imaginem que no fim da vossa vida conseguiam juntar todas as fotos (por ordem cronológica) que tiraram, num imenso placard. Descobriam então, que a vossa vida não passou de um imenso rally paper, onde corriam de uma foto para a outra apenas para premir o botão porque a foto já lá está. O espaço de tempo entre elas, assim como o autor, não significam nada, o importante é a foto em si, e não o jogo que leva o sujeito a tirar essas mesmas fotos. È o mesmo efeito, do filme de toda uma vida, que passa num segundo perante os olhos do moribundo. Qual vida? Não passa de um disco riscado, ou então de uns fotogramas (agora DVD) a correr muito depressa. O indivíduo está no lugar do Raio Laser que lê o disco, e não no disco. Acha que tem uma boa (ou má) vida? Terá que esperar até morrer, para ver as patranhas que engoliu, e perceber a ilusão em que viveu. Não se lembra como, onde e quando vai morrer? Não se preocupe, não é o único, até lá, mesmo que não sirva para nada, documente a sua vida. Fotografe! OPV
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