Big computer
È bastante estranho que a religião (qualquer uma) desresponsabilize os seus crentes em relação a este mundo, mas é ainda mais estranho que o materialismo contemporâneo faça exactamente o mesmo. Construímos casas como se vivêssemos para sempre, e comemos como se fossemos morrer amanhã. Embora o mundo seja muito grande e esteja carregado de mistérios, há algumas coisas que são realmente intrigantes.
Porque reproduzimos continuamente a mesma “realidade”?
Porque continuamos a ter os mesmos (hoje em dia cada vez menos) relacionamentos?
Porque nos mantemos no mesmo (actualmente isto já não é bem assim) trabalho ou emprego repetidamente?
No numero infinito de possibilidades que nos cerca, porque é que optamos sempre (ou quase sempre) pelas mesmas soluções?
Tudo isto é possível, porque, estamos bem treinados (domesticados) na nossa rotina, tão condicionados á forma como os “outros” gerem as nossas vidas, que até pensamos que temos controle sobre ela e somos senhores do nosso destino. Entre formar um aluno no ensino superior, e treinar um cão pastor alemão, há algumas diferenças, mas no fim os resultados são os mesmos. Cá fora, na vida real, o “Sr. doutor” também ladra, dá a pata, rebola, dá ao rabo, e ataca quando o dono (patrão) manda. Se não, tal como o cão, é abandonado (desempregado) ou abatido aos efectivos. Também como o cão, 90% dos estudantes do ensino superior, quer é segurança (dono). Ou seja, quer um emprego que lhe garanta as regalias a que tem direito (acha ele) por ter esturricado os miolos a estudar (ou a tomar shots). Porquê? Porque essa história de iniciativa privada, ou simplesmente arriscar naquilo em que se acredita (se é que se acredita em alguma coisa) é muito arriscada, e fica reservada para os outros 10%. Parece cruel esta análise? Pois é, mas a vida também não é fácil para os pastores alemães. Chegamos á altura da pergunta sacramental; e o que tem tudo isto a ver com a Fotografia? Já sabem a resposta, tudo. Tudo, porque o fotógrafo que se limita a fazer aquilo que lhe ensinaram, e tem pavor de quebrar as regras, é como o cão amestrado. Mesmo que tenha tirado um curso superior de fotografia (seja lá isso o que for), se limitar a sua liberdade criativa em favor da segurança académica, pode fazer umas habilidades, e até ladrar alto, mas nunca criará uma linguagem própria. No ensino, em qualquer ensino, somos condicionados a acreditar que o mundo externo é mais real do que o interno. Pois bem, não acreditem, ou pelo menos duvidem. O que acontece “dentro” de nós é que vai criar o que acontece lá “fora”. Alguém tem de pensar na cadeira antes de a construir, e certamente também, antes de se sentar nela. Tudo, mas mesmo tudo o que nos rodeia e que o homem criou, foi pensado antes de ser executado. Quando não foi assim, deu para o torto. Por tudo isto, pense a sua Fotografia como sendo sua e não daqueles que a vão ver (se é que alguém a vai ver). Se pensar o contrario, dá para o torto.
PS: - Se estivesse bem treinado, (mas chumbei no teste do rebolar) deveria pedir desculpa aos estudantes que me lêem, mas penso que não é necessário, primeiro; porque isto é pura ficção cínica (não cientifica), segundo; realmente, se algum o faz, quer-me parecer que pertence aos tais 10%. OPV
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