Magic mirror
Devemos questionar o que é real ou não, incluindo nós próprios? Bom, para começar, sabemos que somos bombardeados com quantidades enormes de informação que é processada pelos nossos órgãos sensoriais, e a cada segundo grandes doses dessa mesma informação vai sendo descartada. Finalmente a consciência fica com aquilo que serve melhor a pessoa. O que muita gente não sabe é que; o cérebro processa cerca de 500 biliões de bits de informação por segundo, mas (felizmente) só temos conhecimento de aproximadamente 3.000 bits. E estes 3.000 são sobre o que está á nossa volta, o nosso corpo e o tempo. Uma boa analogia é que vivemos num universo em que só vemos a ponta do iceberg. O que quer isto dizer? È que a “realidade” está a acontecer a todo o momento no cérebro, mas nós não a entendemos ou absorvemos na totalidade. O olho é como a lente, mas realmente o que está vendo é a parte de trás do cérebro. O córtex visual. É exactamente como a sua câmara digital, é a lente que capta a acção mas é o sensor que o transforma em imagem. Por outro lado, nós criamos a realidade, mas também criamos as máquinas que produzem “realidade” que afectam a nossa existência constantemente. Se estamos ou não vivendo num enorme mundo virtual, é uma pergunta sem uma resposta concreta. No entanto é bem possível que tudo isto seja uma grande ilusão da qual não conseguimos escapar para a verdadeira realidade. A verdade é que o cérebro não distingue o que está a acontecer “lá fora” do que acontece “cá dentro”. Provavelmente não existe um “lá fora” independente do que acontece na sua mente. Algumas das melhores fotografias que já fiz, realizei-as sem máquina. Calma, embora pareça, ainda não estou louco. Eu explico; já estiveram naquela situação em que nos deparáramos com uma determinada cena, e pensamos; porra, isto dava uma óptima foto, é pena não ter a maquina comigo? Nessas ocasiões, mesmo sem maquina eu faço a foto. Como? Enquadro a imagem atribuo-lhe cor, (ou não) e gravo-a na memória. Até hoje lembro-me de todas as “fotos importantes” que fiz assim. Verdade seja dita que não são muitas, mas aquelas que me impressionaram, eu não as esqueço. O mesmo se passa com todos os que me lêem, mas a maior parte não tem consciência do processo. As imagens que ficam na memória das pessoas, se não passarem por este “processo fotográfico” consciente, quedam-se numa espécie de banho-maria, onde se confundem com o resto do caldo visual onde marina o nosso cérebro. Quem é que disse que todas as fotos tem de passar para o papel ou para o ecrã do computador? Seja como for, a fotografia é omnipresente naquilo que nos rodeia, só nos resta concretiza-la, esteja ela “fora” ou “dentro”. OPV
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