Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 08/11/28 20:28 / 191 Artigos publicados
 

Deus ex machine  (Photognose) Inserido Wednesday 30 July 2008 22:07

Lips

Está fascinado com o seu computador? Siderado com as capacidades da sua nova maquina fotográfica digital? Completamente embevecido com as habilidades do seu telemóvel? Sim? Então pense bem. Todas estas maravilhas estão ao seu serviço, ou é você que está ao serviço delas? Para alguns pensadores contemporâneos a tecnologia têm a sua própria agenda e esta é cada vez mais alienígena. Se pensa que as tecnologias são suas escravas ou simplesmente uma extensão de si próprio, é melhor clarificar as suas ideias. A aliança e o pacto criativo que faz com os seus gadgets podem vir a ser um novo mito do Dr. Fausto. Isto porque o perigo é que o pacto tome forma de subserviência; em lugar de dominar a tecnologia, seremos dominados por ela. Transformada em novo “deus” a tecnologia e o seu imaginário espiritualizado permitiriam construir um “self” divinizado, sem limites, múltiplo e aparentemente perfeito. Mas não há espaço no universo para dois deuses com tal poder, nós e a tecnologia. Se a tecnologia se fundir com o “self”, isto dará origem a um único “deus” híbrido. Terá então cabimento a teoria de que os seres humanos não são mais do que um “útero” para a máquina. A finalidade da raça humana é servir de hospedeiro ao “deus-machina”. O cinema já se encarregou de explorar esta teoria em filmes como Matrix e Terminator, mas aquilo que hoje parece ficção só nos deve alertar para a velha máxima de que “a realidade ultrapassa sempre a ficção”. O consumismo e o imaginário cultural actual fazem das tecnologias e do virtual, uma religião de salvação para aqueles que estão encerrados na prisão material da identidade. O chip no carro, o chip no cão, o chip no cartão Multibanco, o chip no BI, as transacções electrónicas, as câmeras de vigilância, a Net e toda a virtualidade do mundo actual, fazem com que o “deus-machina” monstro vá crescendo desmesuradamente. Quando acordarmos já será tarde. Teremos deixado “pegadas virtuais” por todo o lado. Por tudo isto, na próxima vez que espreitar pelo visor da sua máquina fotográfica e estiver prestes a seleccionar velocidade ou abertura, pense se realmente está a usar a máquina ou se é esta que o está a usar a si. Seja como for, a foto será sempre da responsabilidade dela (ou será sua?). OPV    

 

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Todos os comentários feitos ao artigo :
Deus ex machine

  • R U

    Thu 07 Aug 2008 18:26

    Vou reflectir sobre isto: "A finalidade da raça humana é servir de hospedeiro ao “deus-machina”."

  • lunatik

    Tue 05 Aug 2008 18:25

    Viva
    eu gosto de pensar sempre que sou eu que uso as máquinas, e sou completamente anti-chips, ou qualquer tecnologia que nos retire o direito á liberdade e á individualidade.
    Cumps.