Geometric beach
Segundo o escritor de ficção científica Philip K. Dick o mundo que experimentamos é um holograma, uma hipérbole de informação que nós cada vez mais temos dificuldade em processar. A desordem do código primordial significa que tantos nós como o mundo que conhecemos estamos “tapados”, separados da vasta matriz de dados cósmicos. Estamos encarcerados na prisão de ferro negro, imagem metafórica para os moinhos satânicos da ilusão, tirania politica e controlo social opressivo que mantêm o nosso espírito algemado. Mais que um motivo meramente paranóico esta prisão pode ser vista como expressão mística do “aparelho disciplinar” do poder, analisado por Michel Foucault, o qual demonstrou que as prisões, instituições mentais, escolas e estabelecimentos militares organizam o espaço e o tempo segundo um controle racional semelhante. Assim sendo cabe aos artistas e a nós como fotógrafos tentar romper com essa organização mental, criando arte, bem como uma fotografia alternativa e arrojada que nos leve para lá das “grades mentais” e nos proporcione uma percepção estética livre do espartilho da “pseudo realidade”. A fotografia permite-nos reorganizar o espaço e o tempo. È difícil e não acontece em todas fotos (bem pelo contrario), mas a única solução é tentar, porque a alternativa é produzir clichés uns atrás dos outros. OPV
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