Life framed
Segundo um velho mestre de Zazen, em toda a obra de arte, toda a criação, o artista deve dar-se por inteiro, sem se ocupar em atingir a gloria, a beleza, a riqueza e sem se sacrificar a modas. Deve exprimir-se no seu melhor, sem compromisso. Então a obra poderá ser bela. Mas nos dias de hoje quem pode alcançar este estado? Melhor ainda, quem tenta sequer alcançar este estado? Todos querem a recompensa imediata, o prazer e a fama para já, aqui e agora. Esta ânsia de reconhecimento pelo outro complica de sobremaneira a visão do mundo, e esta complicação reflecte-se no “produto” final. Quando trabalhamos a pensar nos outros vemos quase sempre o trabalho tornar-se rebuscado e datado, por vezes cheio de clichés. Impotentes vemos o nosso trabalho afastar-se da “verdade” da arte. Isto porque a verdade reside na simplicidade. Pratiquem a Fotografia perfeitamente concentrados nela, e no seu resultado final, mas com um perfeito desinteresse em relação á apreciação de que ela possa ser alvo (claro que as boas criticas acariciam o ego, mas esqueçam o ego). Se estão a varrer a casa concentrem-se nessa simples tarefa e no prazer de a ver limpa, e não naquilo que a visita ou a sogra vão dizer. Quero com isto dizer que o grande prazer da Fotografia está na sua prática e não naquilo que o sucesso “dela” nos possa trazer. Mantenha a mente aberta e lembre-se desta máxima “Mantenham as mãos abertas; toda a areia do deserto passará através delas. Fechem as mãos; obtereis alguns grãos de areia”. Boas fotos. OPV





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