Da Vinci spy
Na sociedade de consumo em que actualmente vivemos, o dinheiro torna-se na droga que nos mantêm agarrados á ideia da existência materialista. Podemos comparar o consumismo ao vício da heroína, ambos tem estranhas semelhanças; o junkie precisa de doses cada vez maiores e mais frequentes, o consumidor compulsivo precisa igualmente de receber doses regulares de dinheiro, de preferência cada vez maiores. Se não tiver droga, o viciado transforma-se num farrapo de ansiedade. Se não tiver dinheiro o cidadão do mundo capitalista passa por um trauma de carência em tudo semelhante. Se a droga falta, o viciado comporta-se de forma desesperada, podendo roubar e mesmo matar. Se o dinheiro falta ao cidadão do mundo do consumo, ele também poderá roubar ou até matar. Mas não se pode viver sem dinheiro argumentam os mais “pragmáticos” do surrealismo capitalista. Não sabemos se isso é totalmente verdade, sabemos sim que estamos condicionados neurologicamente para aprender que dinheiro equivale a segurança e que falta de dinheiro equivale a insegurança. Mas será isto verdade for do universo de “Jogo do Monopólio” que criamos e em que vivemos? Aparentemente os drogados também não conseguem viver sem a heroína, mas ao menos esses sabem que estão agarrados e que são drogados. O consumidor muitas vezes não sabe que está agarrado, e quando sabe, não encara isso como uma dependência. Pois bem, vamos lá consumir á vontade, mas depois não nos vamos queixar da ressaca. E a Fotografia o que faz no meio desta historia toda? O mesmo papel do que a droga e do que o dinheiro? Sim e não, cabe-lhe a si decidir. Sim, porque pode funcionar como um vício, e tornar o fotógrafo dependente do acto de fotografar, levando-o também a ver na Fotografia um meio para a sua sobrevivência tentando usá-la para ganhar dinheiro. Não, porque felizmente hoje em dia a Fotografia enquanto arte é praticada por milhões de pessoas de forma lúdica e hedonística, são criadas largos milhões de fotos todos os anos, “felizmente” sem viabilidade comercial. Paradoxalmente é preciso dinheiro (cada vez menos) para fazer Fotografia e quantas mais fotos existem menos dinheiro elas produzem. Claro que há uma minoria de fotógrafos que conseguem viver das fotos que criam, mas acreditem que é mesmo uma minoria. Então somos todos viciados em qualquer coisa? Sem dúvida, e isso em si mesmo não tem mal nenhum, desde que não esqueçamos o exemplo dos “drogados”, ou seja, não nos darmos ao luxo de ignorar as marcas que temos nos braços, e a violência da ressaca. De resto pegue na sua máquina fotográfica e “meta para a veia á vontade”, se for digital pode praticamente apanhar uma overdose todos os dias sem ficar arruinado com isso. OPV





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