Matriarchal work II
Com a nossa incapacidade para absorver toda a avalanche de informação que nos submerge, vemos estarrecidos que á medida que se difundem as patologias, difundem-se também os fármacos. A poderosa industria farmacêutica todos os anos bate recordes. O número de anti depressivos disparou ao mesmo tempo que cresce a ansiedade, o desespero, o sofrimento, o terror de ser, de ter que enfrentar a vida constantemente, a vontade de desaparecer, cresce também o desejo de matar e de morrer. E a Fotografia o que tem a ver com tudo isto? Bom, tudo e nada, tudo porque pode funcionar como uma válvula de escape, já que se for entendida como uma disciplina conceptual, pode proporcionar ao sujeito, o acesso a um universo em que ele é o criador e não a criatura. Nada porque se for interpretada como uma mera profissão reinterpretando a realidade, ou alavanca social, não contribui em nada para a elevação da capacidade criativa do sujeito, antes pelo contrário, obriga-o a mergulhar ainda mais no labirinto visual desorientando-o e alienando-o. A mensagem que lhe é passada é a de que se ele quer sobreviver, tem que ser competitivo, tem de estar conectado com tudo e com todos, tem de receber e elaborar continuamente uma enorme e crescente massa de dados. Mas nos tempos actuais do neo-capitalismo surge o paradoxo, “a mãe come as crias”. Enquanto o capital precisou de extrair energia física daqueles que explorava, a enfermidade mental podia ser relativamente ignorada. Pouco importava o sofrimento psíquico enquanto o indivíduo pudesse pregar um prego ou manejar um torno. Mas hoje as multinacionais precisam é de energias mentais, energias psíquicas, e são precisamente essas que estamos a destruir. A crise económica alimenta e alimenta-se de uma crise de motivações, da difusão da tristeza, da depressão, da desmotivação e do pânico. Para si que agora lê estas linhas espero que a arte e a prática da Fotografia o façam “feliz”. Mas lembre-se de que; a infelicidade, para alguns, funciona como um incentivo ao consumo, já que comprar é uma suspensão temporária da angústia, um antídoto para o sentimento de perda. No entanto, quando o sofrimento se torna um factor de desmotivação de compra surge o pânico entre os “patrões”. Aparece então o paradoxo consumista, não convêm que a humanidade seja feliz porque assim não se deixa enganar pela produtividade, pela disciplina do trabalho ou pelos centros comerciais. Mas também não interessa que seja totalmente miserável. Interessa então que apareçam milagrosas técnicas ou químicos que moderem a infelicidade e tornem suportável o insuportável, que contenham a explosão assassina ou suicida. Se está a sentir-se perdido no labirinto de informação visual (e não só) encare a arte e a prática da Fotografia como o “Fio de Ariane”, que, se não o ajuda a sair deste labirinto de pesadelo, pelo menos ajuda-o a não se sentir totalmente só e perdido. OPV
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