Coffee smell
Em
1868 Thomas H. Huxley diz o seguinte; o tabuleiro de xadrez
é o mundo; as peças são os fenómenos do
Universo; as regras do jogo são o que chamamos Leis da
Natureza. O jogador no outro lado está oculto de
nós. Já abordei este tema que acho fascinante e
incontornável. E se tudo o que vemos for apenas uma
simulação de computador? O filme Matrix aborda esta
ideia com a ajuda de espectaculares efeitos visuais criados
precisamente por computadores. Estes efeitos parecem incrivelmente
reais. Mas
o que me intriga mesmo é que existem abordagens
cientificamente sérias que sugerem que todo o Universo,
incluindo nós mesmos, seja essencialmente o trabalho de um
grande computador. Voltemos á metáfora do xadrez de
Huxley. Esqueça as peças e fique apenas com o
tabuleiro. “Cada casa do tabuleiro é uma
célula, e cada uma destas células pode ser branca ou
preta. Agora, a cor destas células não depende mais
do padrão monótono e fixo do xadrez, mas pode mudar
de acordo com regras simples implementadas dentro de cada uma
delas. Estas regras são executadas em todas as
células simultaneamente, toda vez que um relógio
bate. O tabuleiro transforma-se assim num autómato
celular”. “Cada célula deste autómato pode, por
exemplo, ter o seguinte conjunto de regras: se houver três
células imediatamente vizinhas brancas, ela deve ficar ou
continuar branca. Se houver duas células vizinhas brancas,
sua cor não deve mudar. Se houver menos de duas ou mais de
três vizinhas brancas, deve ficar ou continuar preta. E isso
é tudo. Se leu essas regras, deve ter percebido que elas
são muito simples. Mas a partir delas, executadas em cada
célula deste autómato, uma ordem incrível de
complexidade pode surgir”. O
mundo pode parecer contínuo, analógico em muitos
aspectos: basta olhar para o arco-íris que parece variar
suas cores continuamente. Mas apenas parece. No mundo do
infinitamente pequeno, regido pelas leis da física
quântica, o infinitamente pequeno pode simplesmente
não existir. Até mesmo o tempo e o espaço
podem não ser contínuos: existirá uma
quantidade mínima de tempo e espaço passível
de ser medida, e possivelmente, de acontecer no nosso Universo. E
um Universo em que tempo e espaço ocorrem aos impulsos
é justamente o universo dos autómatos
celulares. O
padrão de pigmentação em conchas, nas asas da
borboleta, nas árvores e muitos outros sítios pode
ser reproduzido por autómatos celulares com regras
definidas. Isto evidencia processos de computação que
já ocorrem na natureza. Caso o Universo seja um computador
funcionando em algum lugar, nós podemos estar igualmente
certos de que onde quer seja, não é neste Universo: o
lugar onde o nosso Universo estará é o
Outro.
Podemos saber pouco sobre o Outro. Uma vez que
contém algo que é responsável por nosso
Universo, e como nosso Universo pode criar computadores universais,
então o Outro é certamente capaz de produzir
computadores universais. Além disso, se as leis
físicas que conhecemos são resultado de regras em um
autómato celular, podem existir muitas outras regras, muitos
outros universos. E todos eles podem estar contidos no
Outro, que por sua vez pode ter leis físicas
imponderáveis a nós. Estudar nosso Universo
não diz muito mais do que isso sobre o Outro. Por
tudo isto e muito mais, é provável que todas as fotos
que já tirou e que vai tirar, já estejam feitas,
algures, num espaço-tempo incompreensível para si
neste preciso momento. Resumindo, se o ser humano enquanto
fotógrafo está programado para “fazer” ao
longo da sua vida 66.606 fotos, pode ter a certeza que não
vai fazer nem mais nem menos uma. O mais alarmante é que, se
isto acontece em relação ao número de fotos,
é muitíssimo provável que também
aconteça em relação aos temas dessas mesmas
fotos. Enfim, o fotógrafo não passa de mais uma
máquina que segura e espreita por outra máquina.
OPV
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