Three persons and a jet plane
A fotografia como representação da realidade versus a fotografia como Arte. A foto que se limita a representar o “real”, mesmo sendo tecnicamente perfeita e emocionalmente apelativa não deixa de ser uma representação espartilhada pela exterioridade espacial e temporal. A foto começa e acaba ali, sempre que a revemos ela é a mesma de sempre, independentemente do nosso estado de espírito. Isto é o que caracteriza os milhões de fotos comuns a circular por este mundo fora, na Net, nas galerias nos livros etc. A foto como Arte inscreve-se noutro domínio, a exterioridade não é necessariamente espacial e só por vezes se torna temporal. Há aparentemente como que uma espécie de ausência de lei que envolve o acto de olhar. A foto verdadeiramente artística evoca inevitavelmente algo mais do que aquilo que ali está representado, tem uma segunda e por vezes terceira leituras. Como as manchas abstractas de tinta que o psiquiatra mostra ao doente, a foto presta-se a todo o tipo de interpretações. Pode dizer-se que a foto é cúbica, porque envolve um triplo; a foto em si, a nossa percepção individual e o inconsciente colectivo. Na prática vemos milhares de fotos tecnicamente perfeitas mas aborrecidas que reflectem um olhar comum e superficial. Mais uma paisagem, mais um retracto artístico outro contraluz etc. Rapidamente as esquecemos. As que tem alguma coisa de especial (cada vez são menos) nem sempre são perfeitas tecnicamente, e por vezes rompem com as regras, mas parece que vêem directamente do mundo dos sonhos (ou pesadelos) e raramente as esquecemos. OPV
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