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Lembrar o futuro? (Photognose) Inserido Tuesday 19 August 2008 20:26

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Lembrar o futuro?

Brain machine

Um dos maiores (ou o maior) mistérios que espantam a humanidade é a direcção do Tempo. Na prática, as leis fundamentais da física quântica não fazem distinção entre passado e futuro. Isto cria um quebra-cabeças. Porque é que, nós somos capazes de nos lembrar do passado, e não temos acesso á memória futura? Porque é que pensamos que as nossas acções no presente afectam o futuro, mas não o passado, se isso contraria as leis da física quântica? Ou não será bem assim, e na realidade a nossa mente já sabe tudo o que nos vai acontecer do princípio ao fim, mas para proteger a nossa sanidade mental, cria uma espécie de amnésia? Somos ser completos a meio das nossas vidas, ou só ficaremos realmente completos quando dermos o último suspiro? Enquanto está vivo o indivíduo é uma obra inacabada? Pela lógica das coisas, uma sinfonia só acaba na última nota, e não a meio de um andamento, por muito glorioso que ele seja. Por isso se pensa que é um homem (ou mulher) feito, desengane-se, por muito adulto que seja. Parte da “verdade” é que o mundo tem infinitas formas de realidade em potencial. Quando escolhemos, ou somos obrigados a escolher uma, todas as outras convergem apenas para esta. Mas a “verdade real” e assustadora é que; nós não podemos mudar nada, pois não temos papel activo na Realidade. Ela já lá está, feita de átomos e partículas sub atómicas, que formam objectos, que se movem de acordo com leis próprias. A sensação de que; se escolho determinada experiência, estou a criar a minha própria realidade, é um truque sofisticado (ou barato), que, o cérebro usa para evitar que enlouqueçamos. Toda a gente já sentiu isso, mas não consciencializou o facto. Como? Da seguinte maneira; lembram-se daquela sensação estranha, quando vêem um álbum de fotografias antigas, ou mesmo recentes, e não se reconhecem, ou no mínimo, acham que aquelas pessoas nas fotos não tem nada a ver convosco? Pois é! Não tem mesmo. A realidade de cada um não está á superfície da pele, e como observador o individuo muita das vezes não consegue identificar-se com o Eu que está dentro da “roupa” biológica. Reconhece algo, mas não sabe muito bem o quê, como quando olha para o espelho e se pergunta, mas que raio és tu? Uma das respostas possíveis é a seguinte; imaginem que no fim da vossa vida conseguiam juntar todas as fotos (por ordem cronológica) que tiraram, num imenso placard. Descobriam então, que a vossa vida não passou de um imenso rally paper, onde corriam de uma foto para a outra apenas para premir o botão porque a foto já lá está. O espaço de tempo entre elas, assim como o autor, não significam nada, o importante é a foto em si, e não o jogo que leva o sujeito a tirar essas mesmas fotos. È o mesmo efeito, do filme de toda uma vida, que passa num segundo perante os olhos do moribundo. Qual vida? Não passa de um disco riscado, ou então de uns fotogramas (agora DVD) a correr muito depressa. O indivíduo está no lugar do Raio Laser que lê o disco, e não no disco. Acha que tem uma boa (ou má) vida? Terá que esperar até morrer, para ver as patranhas que engoliu, e perceber a ilusão em que viveu. Não se lembra como, onde e quando vai morrer? Não se preocupe, não é o único, até lá, mesmo que não sirva para nada, documente a sua vida. Fotografe! OPV             

 

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A Fotografia já era! (Sobre Fotografia) Inserido Sunday 17 August 2008 19:50

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, A Fotografia já era!

Window of Time    

Não a Fotografia como Arte claro, mas os dias da fotografia impressa em papel já passaram há historia. Isto pode parecer um bocado radical, mas já é uma realidade nos dias de hoje. A chamada “fine art” deixará de ser impressa no melhor papel e passará para os ecrãs de plasma ou similares. O lado mais visível deste novo status é a moldura digital. Nos tempos que se avizinham o trabalho do fotógrafo poderá interagir com várias tecnologias e ser visto no ambiente que os seus consumidores preferirem. Se for caso disso, o fotógrafo poderá inclusive permitir, que o seu trabalho tenha a configuração que mais agrada àquele que o adquiriu. A fotografia on-line já circula em diferentes formas há alguns anos, e algumas ideias e experiências interessantes surgiram, neste ambiente que se criou entre o fotógrafo e o consumidor, ou observador de fotografia. O observador transforma-se num artista? Porque não? A arte fotográfica é cada vez mais digitalizada, e existe uma plataforma virtual que está para alem da fotografia. Na vez de um suporte em papel de 10x15 (por exemplo), a foto passa a ser uma tela virtual que atravessa vários continentes. È expectável que surja um mercado que explore esta nova realidade. Com tudo isto, não é possível que a fotografia enquanto peça de arte, perca o seu valor? A cópia numerada e emoldurada, de uma determinada foto não verá, o seu preço baixar abruptamente? Os fotógrafos não ficarão ainda mais “pobres” do que já estão? Tudo isso é possível, mas é um facto que a revolução já chegou, e quanto mais depressa tivermos consciência desse facto melhor. Pode-se argumentar contra tudo isto que, a Arte da Fotografia tem um determinado apelo físico, que passa pela exigente escolha do papel e do seu tamanho, bem como da moldura, e termina, numa aproximação física e emocional, da imagem com o seu proprietário. Bom, é como hoje em dia, alguns hão-de preferir continuar a imprimir em papel, assim como há quem prefira trabalhar em filme. Seja como for, estas duas opções tornar-se-ão num nicho de mercado, na melhor das hipóteses. Para terminar; pessoalmente, tenho centenas de fotos on-line, em diversos sites, e neste mesmo Blogue. Tirando algumas pequenas cópias em 10x15, que fiz para testar uma impressora, não tenho uma única foto em papel digna desse nome. E sabem que mais? Não vejo mal nenhum nisso, nem lhe sinto a falta. Seja como for, o importante é que, quem se interesse por fotografia, saiba quais são as tendências desta arte, e com que linhas é que se cose. O resto é acessório, se trabalha em filme ou digital, se fotografa para um determinado nicho ou para um mercado mais vasto, é da conta de cada um. Se possível, faça é aquilo de que gosta, de preferência a Arte da Fotografia. OPV          

 

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Zoolimpic Games (Dikas do Dick) Inserido Saturday 16 August 2008 21:17

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Zoolimpic Games

To tall

Como ofereci á minha mulher mais um livro, Enzo de Garth Stein, supostamente escrito por um cão, resolvi criar uma rubrica neste Blogue que desse voz ao meu cão, de seu nome Dick. Tal como Enzo o cão, herói do livro, ele é especialista em televisão. Independentemente da sua antipatia (percebe-se bem por quê) pelos chineses, esta é a uma das suas muitas cogitações sobre os jogos olímpicos. Não me perguntem como é que o meu cão fala, isto é ficção, se quiserem alguma explicação perguntem ao Paul Auster que tambem escreveu o excelente Timbuktu.

Eis o resumo da sua análise; - para começar mudava-lhe o nome para Zoolimpic Games.

Zoolimpic porquê? Por duas razões; primeiro Zoo de Zoológico e segundo Zoo de Zoom. Na abordagem zoológica constata-se facilmente o quanto a humanidade está indelevelmente marcada pelo seu lado animal. Senão vejamos; passar perto de quatro anos a correr, saltar, levantar pesos ou contar azulejos no fundo da piscina enquanto se nada, é uma especialização num determinado movimento mecânico (de tanto mecanizado). Fazer acrobacias, piruetas, correr, jogar a qualquer coisa, “especializar-se” numa determinada “especialidade” é tarefa nossa, os cães. Não é muito criativo treinar ou amestrar o “macaco” que há em vós, sem desprimor para o macaco. È especializar a mente “formiguinha” que espreita nos vossos cérebros, e como já dizia o filosofo; “a especialização é para os insectos”.  

Tentar ser um décimo de segundo mais rápido. Tentar não fazer espuma quando se entra na água depois de um salto de dez metros. Tentar acerta num prato ou numa bola. Procurar obsessivamente apurar um determinado movimento ou gesto, não é muito saudável, e mentalmente pode ser demolidor, se na “hora da verdade” esse treino falha, ou não é tão eficiente quanto o do adversário, mesmo que este seja um simples cronometro. Se não falhar tem direito ao osso (medalha).  

Como dizia, passar quatro anos nisto, para num dia, numa hora, num segundo ou num golpe de sorte, tornar-se um “falhado” ou “herói” do Olimpo não é propriamente lisonjeiro para vocês enquanto espécie. Tanto assim é, que, parece que os velhos Deuses do Olimpo não admitem mais idiotas que pensam que são heróis. Alguns dos últimos heróis, e heroínas (salvo seja) admitidos, foram expulsos pelos seguranças quando se descobriu que tinham usado um aditivo clandestino no combustível da nave (corpinho) que os transportou aos céus. Nos meninos e meninas do leste foi uma razia. Para não falar que o Olimpo estava a ficar cheio de marcas, Nike, Adidas etc. e respectivos agentes que queriam colocar o próprio Zeus num anúncio da Coca-cola. O mesmo Zeus fartou-se da confusão e decretou; raios… que esta raça é capaz de tudo para dar nas vistas. Mandem entrar o Sócrates com o circo de pulgas e ponham-me estes idiotas na rua. Coisas que acontecem nas melhores famílias.

Agora a sério, (talvez não estivesse a brincar) o paradigma do homem enquanto espécime, está no homem universal. No homem renascentista, personificado por Leonardo da Vinci. Está no investigador e criador, artista e filósofo. Não está no seu ajudante, que vai á loja da esquina buscar pigmentos para as tintas. Mesmo, quando o ajudante é bronzeado e muito rápido, tipo, vai num pé e vem no outro.   

Zoom de lente porquê? Porque desde a cerimónia de abertura, estes jogos são mais do que nunca um magnífico trabalho (manipulação) de imagem. Não foi por acaso que a cerimónia de abertura foi concebida por um cineasta. O facto do fogo de artifício ser manipulado, e a pequena cantora ser substituída por uma questão de imagem, só confirma a ditadura do visualmente correcto. A maior parte das imagens são na realidade impossíveis. Nenhum de vocês, pode nadar por baixo dos atletas e ter aquela magnifica panorâmica de os ver a nadar no tecto da piscina. Nenhum humano, salta com eles da prancha de dez metros e penetra juntamente com eles na água, tal e qual como a realização (magnificamente) nos mostra. Também, nenhum câmara man consegue correr ao lado do sprinter nos cem ou duzentos metros. As câmaras voadoras, corredoras e subaquáticas, transmitem-nos uma experiência que na realidade é impossível de recriar. No entanto, aceitamos isto como normal e nem sequer nos questionamos sobre aquilo que estamos a ver. Mas a verdade é que, as imagens que nos chegam dos jogos são tão virtuais como as de um jogo de computador ou de uma sonda espacial. Tal como vemos imagens de Marte e não estamos lá, nem nunca estaremos. Pelo menos 99.9% da raça humana nunca colocará os pés em Marte. È muito provável que um cão chegue lá primeiro! Lembras-te da Laica?

Realmente este cachorro vê demasiada televisão, mas não posso deixar de concordar com ele. Também não posso deixar de concordar com o único comentário inteligente feito neste jogos. Precisamente por um português, depois de ter sido eliminado no lançamento do peso; “isto não são horas para arremessar o peso, são horas para estar na caminha”. Ora aí está, alem de ser perfeitamente inútil, andar a atirar pesos de um lado para o outro, é perfeitamente desumano acordar um homem de madrugada para fazer uma coisa destas. Concordo… e quando introduzirem esta modalidade nos jogos, “estar na caminha”, convoquem-me que garanto o ouro. Prometo! Se me derem uma bolsa para os quatro anos de treino intensivo, então é que não falho. Prometo outra vez! OPV

 

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Machine man (Sobre Fotografia) Inserido Wednesday 13 August 2008 22:27

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Machine man

Machiavelli lips   

Hoje em dia com o avanço da tecnologia digital, e facilidade de manipulação, a câmera digital parece trabalhar em função do homem. No entanto devido á sua complexidade, parece que cada vez mais que o homem funciona em função do aparelho. A máquina trabalha para o fotógrafo se este trabalhar para a máquina. Neste estranho bailado quem dominará? Será o aparelho que dominará o homem, ou o homem que dominará a máquina fotográfica. Tornar-se fotógrafo profissional, é dar o primeiro passo para o primeiro caso. Ficar obcecado, e dependente da qualidade do equipamento é uma das características do “bom profissional”. Nesta fase “machine man” o fotografo envolve-se mais com o equipamento do que com a arte da fotografia. È quase como que, o escultor preocupar-se mais com o cinzel, do que com aquilo que vai extrair da pedra. Ou o pintor com o pincel. O valor da arte transfere-se da obra para a ferramenta. Talvez por isso e salvo algumas excepções (tipo national geographic) a fotografia dita comercial vai ficando progressivamente pior e mais barata. Também vale a pena citar o caso “obsceno” das fotografias dos filhos de Brad Pit, em que simples e banais fotografias de duas crianças, atingem praticamente o preço de uma obra de Picasso. Simplesmente por questões de mercado. A sociedade de consumo é isto mesmo.

Por outro lado, aqueles “fotógrafos” que não se submetem á tirania do profissionalismo, tem hipótese de ter qualidade acrescida na produção de arte. Isso desde que lembrem destas três conclusões. 1ª- O valor não está nem na fotografia nem no negativo, nem no resultado. Está no acto de fotografar. O valor deste acto, não é transmissível e não pode ser medido em dinheiro. 2ª- O fotógrafo deve estar engajado na produção desse valor eterno que advêm do acto de fotografar e não no aspecto mercantilista da fotografia. 3º- O fotógrafo está e não está interessado na sua “obra”. Ele, fotógrafo, não pretende mudar o mundo com a sua fotografia, mas pretende mudar os outros, dando-lhes informação (com a sua fotografia) a respeito do mundo.              

Ao contrario do que muitos teóricos e profs. de fotografia defendem, não é tornando-se fotógrafo profissional que se resolvem os grandes dilemas da fotografia. Se querem que a fotografia evolua e descubra novos caminhos, deixem isso para os amadores. Os profissionais têm mais que fazer. Por exemplo, pagar o equipamento. OPV   

 

 

 

 

 

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Paradoxo Rex (Photognose) Inserido Tuesday 12 August 2008 22:08

Blogue de kaskais : Psychophoto by Kaskais, Paradoxo Rex

Big computer   

È bastante estranho que a religião (qualquer uma) desresponsabilize os seus crentes em relação a este mundo, mas é ainda mais estranho que o materialismo contemporâneo faça exactamente o mesmo. Construímos casas como se vivêssemos para sempre, e comemos como se fossemos morrer amanhã. Embora o mundo seja muito grande e esteja carregado de mistérios, há algumas coisas que são realmente intrigantes.

Porque reproduzimos continuamente a mesma “realidade”?

Porque continuamos a ter os mesmos (hoje em dia cada vez menos) relacionamentos?

Porque nos mantemos no mesmo (actualmente isto já não é bem assim) trabalho ou emprego repetidamente?    

No numero infinito de possibilidades que nos cerca, porque é que optamos sempre (ou quase sempre) pelas mesmas soluções?

Tudo isto é possível, porque, estamos bem treinados (domesticados) na nossa rotina, tão condicionados á forma como os “outros” gerem as nossas vidas, que até pensamos que temos controle sobre ela e somos senhores do nosso destino. Entre formar um aluno no ensino superior, e treinar um cão pastor alemão, há algumas diferenças, mas no fim os resultados são os mesmos. Cá fora, na vida real, o “Sr. doutor” também ladra, dá a pata, rebola, dá ao rabo, e ataca quando o dono (patrão) manda. Se não, tal como o cão, é abandonado (desempregado) ou abatido aos efectivos. Também como o cão, 90% dos estudantes do ensino superior, quer é segurança (dono). Ou seja, quer um emprego que lhe garanta as regalias a que tem direito (acha ele) por ter esturricado os miolos a estudar (ou a tomar shots). Porquê? Porque essa história de iniciativa privada, ou simplesmente arriscar naquilo em que se acredita (se é que se acredita em alguma coisa) é muito arriscada, e fica reservada para os outros 10%. Parece cruel esta análise? Pois é, mas a vida também não é fácil para os pastores alemães. Chegamos á altura da pergunta sacramental; e o que tem tudo isto a ver com a Fotografia? Já sabem a resposta, tudo. Tudo, porque o fotógrafo que se limita a fazer aquilo que lhe ensinaram, e tem pavor de quebrar as regras, é como o cão amestrado. Mesmo que tenha tirado um curso superior de fotografia (seja lá isso o que for), se limitar a sua liberdade criativa em favor da segurança académica, pode fazer umas habilidades, e até ladrar alto, mas nunca criará uma linguagem própria. No ensino, em qualquer ensino, somos condicionados a acreditar que o mundo externo é mais real do que o interno. Pois bem, não acreditem, ou pelo menos duvidem. O que acontece “dentro” de nós é que vai criar o que acontece lá “fora”. Alguém tem de pensar na cadeira antes de a construir, e certamente também, antes de se sentar nela. Tudo, mas mesmo tudo o que nos rodeia e que o homem criou, foi pensado antes de ser executado. Quando não foi assim, deu para o torto. Por tudo isto, pense a sua Fotografia como sendo sua e não daqueles que a vão ver (se é que alguém a vai ver). Se pensar o contrario, dá para o torto.

PS: - Se estivesse bem treinado, (mas chumbei no teste do rebolar) deveria pedir desculpa aos estudantes que me lêem, mas penso que não é necessário, primeiro; porque isto é pura ficção cínica (não cientifica), segundo; realmente, se algum o faz, quer-me parecer que pertence aos tais 10%. OPV           

 

 

 

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