Página Inicial Data de criação : 07/12/04 Última actualização : 09/01/08 22:01 / 198 Artigos publicados
 

Espelho magico  (Photognose) Inserido Monday 11 August 2008 21:44

Magic mirror

Devemos questionar o que é real ou não, incluindo nós próprios? Bom, para começar, sabemos que somos bombardeados com quantidades enormes de informação que é processada pelos nossos órgãos sensoriais, e a cada segundo grandes doses dessa mesma informação vai sendo descartada. Finalmente a consciência fica com aquilo que serve melhor a pessoa. O que muita gente não sabe é que; o cérebro processa cerca de 500 biliões de bits de informação por segundo, mas (felizmente) só temos conhecimento de aproximadamente 3.000 bits. E estes 3.000 são sobre o que está á nossa volta, o nosso corpo e o tempo. Uma boa analogia é que vivemos num universo em que só vemos a ponta do iceberg. O que quer isto dizer? È que a “realidade” está a acontecer a todo o momento no cérebro, mas nós não a entendemos ou absorvemos na totalidade. O olho é como a lente, mas realmente o que está vendo é a parte de trás do cérebro. O córtex visual. É exactamente como a sua câmara digital, é a lente que capta a acção mas é o sensor que o transforma em imagem. Por outro lado, nós criamos a realidade, mas também criamos as máquinas que produzem “realidade” que afectam a nossa existência constantemente. Se estamos ou não vivendo num enorme mundo virtual, é uma pergunta sem uma resposta concreta. No entanto é bem possível que tudo isto seja uma grande ilusão da qual não conseguimos escapar para a verdadeira realidade. A verdade é que o cérebro não distingue o que está a acontecer “lá fora” do que acontece “cá dentro”. Provavelmente não existe um “lá fora” independente do que acontece na sua mente. Algumas das melhores fotografias que já fiz, realizei-as sem máquina. Calma, embora pareça, ainda não estou louco. Eu explico; já estiveram naquela situação em que nos deparáramos com uma determinada cena, e pensamos; porra, isto dava uma óptima foto, é pena não ter a maquina comigo? Nessas ocasiões, mesmo sem maquina eu faço a foto. Como? Enquadro a imagem atribuo-lhe cor, (ou não) e gravo-a na memória. Até hoje lembro-me de todas as “fotos importantes” que fiz assim. Verdade seja dita que não são muitas, mas aquelas que me impressionaram, eu não as esqueço. O mesmo se passa com todos os que me lêem, mas a maior parte não tem consciência do processo. As imagens que ficam na memória das pessoas, se não passarem por este “processo fotográfico” consciente, quedam-se numa espécie de banho-maria, onde se confundem com o resto do caldo visual onde marina o nosso cérebro. Quem é que disse que todas as fotos tem de passar para o papel ou para o ecrã do computador? Seja como for, a fotografia é omnipresente naquilo que nos rodeia, só nos resta concretiza-la, esteja ela “fora” ou “dentro”. OPV       

 

 

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Geração Rabbit  (Photognose) Inserido Saturday 09 August 2008 21:20

They exist!

Estamos a viver tempos em que o conhecimento e a energia mental estão a circular freneticamente. Há umas décadas atrás os conhecimentos esotéricos eram adquiridos em escolas iniciáticas e os livros não eram fáceis de encontrar. Quem tivesse sede de conhecimento e quisesse informação, tinha de a procurar e estudar. Assim, normalmente o “aluno” tinha fibra, disciplina e dava valor àquilo que aprendia. Nos dias de hoje a informação, (deturpada) é impingida á juventude (e não só) inserida num contexto leviano, quer seja em jogos de computador, sites de ocultismo, lojas místicas ou astrólogas de estúdios de televisão. Há milhares de livros de auto ajuda e de magia, para não falar dos cultos satânicos de adolescentes que coleccionam nomes de “demónios”, mas cujo objectivo maior é impressionar as coleguinhas da escola. O sucesso planetário de Harry Potter não é por acaso. No entanto não deixa de ter um aviso; brincar coma “magia” é divertido mas pode ter consequências.     

Todavia há uma corrente ocultista que afirma o seguinte; “ os jovens que compõe a geração actual, são nada mais, nada menos do que espíritos transgressores, que não se redimiram em centenas de encarnações, procurando sempre o poder aqui na Terra através de magia, do saber, da força. São o lixo da Terra encarnado”. Não é nada meiga, esta corrente. Mas não ficamos por aqui; os Maias já previam tudo isto nas suas profecias e há um guru que afirma o seguinte;” Em contrapartida, existe uma nova leva de humanos, alguns já com 12 a 15 anos, que não parecem ser deste mundo ou espíritos da Terra. São facilmente reconhecidos por terem os olhos... digamos... diferentes. As pupilas são grandes, com olhar curioso e inocente, em tudo parecido como os olhos de um coelho. Vivem perscrutando o ambiente em busca de saber de tudo o que se passa e, ao mesmo tempo, transmitem uma segurança, austeridade e experiência de uma alma que já viveu milénios. Como é que isto é possível? Inocência e experiência não costumam caminhar juntas na evolução humana... o meu palpite é de que não sejam humanos. Já tive a oportunidade de encontrar duas meninas assim, e confesso que me deixaram nervoso”. Pudera, qualquer um fica nervoso só de ler isto. Mas afinal toda esta conversa para quê, e o que tem tudo isto a ver com a Fotografia? Tem tudo, porque numa analogia com a “magia” a tecnologia digital dá a possibilidade a todos de fazerem “magia”, neste caso fotográfica. Tudo parece fácil e fluido, desabrocham fotógrafos como cogumelos mágicos, o Photoshop substitui a bola de cristal, e a varinha magica tem pelo menos 8 milhões de pixels. Mas os resultados? São os mesmos que obtêm o aprendiz de feiticeiro, alguns efeitos espectaculares, mas consistência conceptual, niqueles. A lição é clara, tanto na “magia” como na Fotografia, não chega querer, é preciso saber. Se o “guru” tiver razão acerca desta nova geração, então teremos aí uma fornada de autênticos “mestres”. A ver vamos, mas entretanto não embarquem em “histórias”, estudem, pratiquem fotografia e sobretudo eduquem o olhar, mesmo que tenham olhos de coelho. OPV  

 

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Fotógrafos para levar a sério (cont.)  (Sobre Fotografia) Inserido Friday 08 August 2008 22:05

Fountain

Estes outros cinco fotógrafos são por demais conhecidos para me alongar muito sobre as suas biografias. Propositadamente deixei de fora um fotógrafo que acho muito interessante em termos estéticos e conceptuais, mas cujo engajamento político macula bastante a elegância intelectual da sua fotografia. Quero com isto dizer que a fotografia é usada por ele como uma ferramenta militantemente politica e não como uma arte em que a estética não tem de estar ao serviço de nada. È um grande fotógrafo e pode ser que daqui a vinte anos eu consiga retirar esse cunho politico á sua fotografia. Refiro-me claro a Sebastião Salgado.   

Alfred Stieglitz na estética das suas imagens, realçou a sua própria percepção, completamente independente de qualquer tradição observadora. Sobretudo era um fotógrafo que desejava transmitir o que via, a chamada “fotografia ideia”.  

August Sander os retratos de Sander constituem um contributo importante para o reconhecimento da fotografia como arte. Hoje em dia a sua abordagem sistemática é vista como um primeiro exemplo de arte conceptual, que também influenciou o desenvolvimento das artes criativas. È considerado o fotógrafo alemão mais conhecido.  

David Seymour captou o terror da guerra civil e as suas imagens de bombardeamentos aéreos sobre Barcelona valeram-lhe reconhecimento mundial como fotojornalista

Josef Koudelka as suas primeiras fotos são do seu circulo familiar e para as realizar usou uma câmera reflex 6x6 de lente dupla. Contudo o seu projecto mais famoso foi sobre o estilo de vida dos ciganos na Roménia.

Man Ray pode ser considerado um dos pioneiros mais importantes da fotografia contemporânea. Com as suas fotografias abriu novos caminhos no sector experimental. As suas fotografias foram mais valorizadas do que as suas pinturas ou esculturas.   

Para acabar esta história de fotógrafos a sério e a “brincar”, falta falar desse verdadeiro “artista” que dá pelo nome de Spencer Tunick, que anda pelo mundo a fotografar pessoas nuas. Ele próprio admite que é mais importante a ideia do projecto do que a qualidade da fotografia em si mesma. Este “artista” é um A-F. A maior parte das suas fotos são desinteressantes, beneficiando simplesmente do efeito “espectacular” da quantidade dos corpos nus. Pelos vistos o que conta é o projecto, mas Kristo já fez isto antes. OPV  

 

 

 

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Fotógrafos para levar a sério  (Sobre Fotografia) Inserido Thursday 07 August 2008 22:36

Auto machine

Há pelo o menos uma dezena de fotógrafos que qualquer amante da Fotografia deve levar muito a sério. Como é evidente esta lista varia de pessoa para pessoa, e pode mesmo variar na mesma pessoa, mas em tempos diferentes. Hoje em dia posso apreciar um tipo de fotografia a que “não ligava nenhuma” há vinte anos atrás. Se quem lê estas linhas não gostar desta lista e tiver outra alternativa, óptimo, desde que saiba quais são as suas próprias referencias, sabe também quem e o que deve evitar. Seja como for aqui vai metade da lista. Antes de serem Fotógrafos eram seres humanos inteligentes, astutos, atentos àquilo que os rodeava e interessava.   

Cartier Brenson uma lenda ainda em vida e praticamente unânime na comunidade fotográfica. Raramente um fotógrafo foi tantas vezes citado como exemplar de uma das grandes capacidades da fotografia: captar um momento. Entre muitas outras teve esta frase histórica “Na verdade, não estou nada interessado na fotografia em si. A única coisa que quero é captar uma fracção de segundo da realidade”. A sua fotografia mais publicada foi “Domingo nas margens do Marne”. Cartier Brenson realçou repetidamente que não era possível apreender a tirar fotografias. Era um observador astuto, um homem de visão que sabia o que queria e o que interessava.

Herbert List entrou para a história da fotografia como mestre da “fotografia metafísica”. Colocou objectos em contextos estranhos e não familiares e encenou encontros entre fragmentos arrancados á realidade. Tentou captar “a magia da aparência na imagem”.    

Philippe Halsman é um dos fotógrafos de retratos mais original e inventivo do século passado. Publicou uma famosa série intitulada Imagens de Saltos com fotografias de personalidades conhecidas a dar saltos em frente da câmara. Uma das mais famosas é com Salvador Dali, seu amigo.

Robert Capa as suas fotos da guerra civil de Espanha atraíram a atenção para o seu nome. O seu lema “ Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto” teve como consequência a sua própria morte. Tinha um talento único para transmitir numa só fotografia, de forma penetrante os sentimentos e sofrimento das pessoas nas guerras ou rebeliões.

Werner Bischof trabalhou com fotografia de moda e de objectos rigorosamente dispostos. Por volta de 1949 passou para o fotojornalismo mantendo a sensibilidade pela perfeição técnica, pela criatividade com luz e por uma composição formal das imagens. Ficou conhecido pelo ensaio Fome na Índia feito em 1951. Uma das fotos mais conhecidas de Bischof é Rapaz tocando flauta perto de Cuzco, tirada alguns dias antes da sua morte nos Andes.

No próximo artigo falo dos outros cinco. Embora possa deixar alguns e importantes Fotógrafos de fora, uma selecção tem sempre este risco. No entanto são estes que nesta altura me parecem os mais interessantes para serem estudados, OPV    

 

 

 

 

 

 

 

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O Anti – Fotógrafo  (Fotofilosofia) Inserido Wednesday 06 August 2008 22:44

Black dog      

È urgente criar uma filosofia fotográfica, para que o homem possa voltar a comandar o acto de fotografarO papel do Fotógrafo é eternizar momentos ou espaços em imagens, estas no entanto, precisam de ter algum significado que exija uma interpretação do espectador para a sua compreensão. A fotografia que se “limita” a retratar a “realidade” não se deve enquadrar na definição de arte fotográfica. Certos tipos de fotografia como a publicidade e notícias, raramente possuem o “pathos” fotográfico que as possam incluir na Arte Fotográfica. È evidente que há imagens publicitarias que se tornam ícones como no caso das fotos da Benetton ou algumas imagens de guerra. Mas são excepções e não a regra. Hoje em dia qualquer um pode produzir imagens, mas não são todos que criam Fotografia. Há mesmo uma “raça” de fotógrafos ditos “profissionais” que são na realidade o paradigma do “Anti-Fotógrafo”. Não é bem uma analogia com o Anti-Cristo mas é quase.     

Num exercício irónico de fundamentalismo artístico pode-se definir o Anti – Fotógrafo das seguintes maneiras.

O indivíduo com uma máquina (costureirinha) profissional, normalmente Mark qualquer coisa, e uma mega teleobjectiva sentado atrás de uma baliza é um A-F.

O indivíduo que circula pelo casamento ou baptizado com uma mega maquina e com um flash ainda maior é um A-F.

O paparazzi que se esconde num sótão ou num caixote do lixo, com uma super teleobjectiva á espera de uma qualquer “celebridade” é um A-F.    

O individuo que fotografa estrelas ou atletas e que depois os mistura com a natureza usando o Photoshop é um A-F.  

O indivíduo que num estúdio leva quase ao infinito a plástica dos modelos é um A-F.

O indivíduo que se espreme juntamente com mais umas dezenas ou centenas de outros, contra uma passerelle ou passadeira vermelha é um A-F.

O indivíduo que faz centenas ou milhares de quilómetros para fazer ou tentar fazer aquilo que Ansel Adams já fez é um A-F.  

Haverá mais alguns, mas por agora chega. Podem argumentar; mas por vezes surgem fotos interessantes feitas por estes indivíduos. Pois, por vezes surgem, mas também o relógio que está parado acerta nas horas duas vezes por dia. No entanto, não é por isso que vamos andar com um no pulso.  O que quero dizer com isto tudo? Bom, graças a estes A-Fs, o Fotógrafo tornou-se numa peça pouco significativa no mundo da fotografia cada vez mais regido pela indústria fotográfica. Ao apresentar constantemente imagens que não tem significado, ou não fazem pensar, esta indústria alienou a população consumidora que já não questiona o seu valor, ou sequer presta atenção.   Ser Fotógrafo, significa participar no universo fotográfico. Alem de viver e agir em função do acto de fotografar (coisa que alguns A-Fs fazem), o Fotógrafo tem de reinterpretar o Universo, ser um alquimista da realidade, produzindo uma imagem (arquetípica), que se aloje na mente daquele que observa, tornando essa imagem num paradigma que acompanhará o observador para a cova. Parece difícil ou impossível? Claro que é difícil, mas não é impossível. Não é por acaso que todos aqueles que se envolvem com a Fotografia têm apenas “meia dúzia ” de imagens arquetípicas na cabeça, e quase sempre dos mesmos “mestres”. Tudo isto pode parecer muito radical mas não é. Se estudarem a história da fotografia verão que apesar de haver milhões de fotógrafos no mundo, foram apenas aquela “meia dúzia” que realmente fizeram Historia. Porquê? Porque foram os únicos que conseguiram criar imagens arquetípicas ou paradigmáticas. Bom, também não eram A-Fs. OPV    

 

 

 

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