“O animal selvagem e cruel não é aquele que está atrás das grades. É o que está na frente delas.” (Axel Munthe)
ESTA fantástica musica dos Arcade Fire, ainda consegue ser mais fantástica na versão do Peter Gabriel. Ouvi esta versão pela primeira vez, num episódio do Dr. House, em que ele pratica Balcony, ou seja a “arte” de saltar de varandas para piscinas, e que já causou algumas tragédias no Sul de Espanha. Como sempre, House, um génio á solta, tem dificuldades em lidar com as suas limitações corporais (perna aleijada) e sociais. Como já disse, a música é belíssima, e a letra encaixa perfeitamente naquele episódio…”O meu corpo é uma jaula que me impede de dançar com quem eu amo, mas a minha mente é a chave…” A ideia não é escrever sobre o Dr. House, ou mesmo sobre a música de Peter Gabriel, outro génio á solta, a ideia é pegar no conceito de que o corpo humano é uma jaula, onde temos a mente aprisionada. Mesmo que consigamos viajar nas asas da imaginação, para muito longe do nosso corpo, a verdade é que continuamos prisioneiros dele, e só a morte nos liberta desse cativeiro. Se tivermos isto presente como metáfora durante a nossa vida, provavelmente não sofreremos tanto, em situações dramáticas. Sejam elas realmente dramáticas, ou só aparentemente trágicas, coma a crise económica e social em que mergulhamos.
SEGUNDO parece, a crise aguça o engenho, o que me faz lembrar uma das histórias do velho Chico, que vivia sempre em crise, saindo-se regularmente com ideias geniais, que a realidade, ou a vida prática se encarregavam de sabotar. Como era uma esponja, tinha algumas ideias mirabolantes que giravam á volta do seu liquido preferido, o vinho. Uma delas, era fazer um excelente vinho, misturando as matérias-primas, e os produtos num laboratório, em vez de plantar vinhas, e esperar que as uvas crescem-se, tendo que passar por todo o processo. Para isso bastava comprar algumas garrafas de bons vinhos, analisá-los e reproduzi-los. Como é óbvio, não levou isto para diante, e mesmo que leva-se, não era a mistura dos produtos químicos, mesmo com uma precisão incrível, que conseguiria enganar o palato humano. Pois esta história faz-me lembrar o que se passa com os políticos, os partidos políticos, e a governança no geral. Para esta “casta” basta-lhes decompor os ingredientes que compõe um homem sério e honesto, com carácter e coragem, para os plantar avulso numa personagem qualquer, abanar e voilá, aqui temos o homem (ou mulher) superior que pode governar um país, qualquer país. A nossa desgraça tem sido essa, querer fazer vinho sem uvas, ou omeletas sem ovos, como diz o povo. Querer acelerar o processo, a todo o custo. Depois admiramo-nos com os disparates do Cavaco, do Sócrates, do Coelho, do Sarkozy, da Merkel, e outros espécimes enxertados.
ESTES cromos, julgam-se todo-poderosos, tem a arrogância de pensar que tem soluções miraculosas e que podem alterar o curso das coisas por decreto. Estes idiotas, mais os idiotas que os seguem, não conseguem perceber que nem mesmo o universo é todo-poderoso. O Universo é ele próprio dependente das leis da física que ele mesmo criou, e leis estabelecidas pelos diferentes níveis de organização da matéria: leis de biologia, das civilizações, das religiões, das empresas, etc. Por isso mesmo, um crápula será sempre um crápula, por mais títulos académicos que tenha, ou cargos importantes que ocupe. Como nos últimos anos o planeta tem sido governado por gente desgraçada, que mais poderemos esperar do futuro senão uma desgraça? Dizem os metafísicos que os seres vivos são como sensores ligados á memória cósmica do Universo, que alimentam com emoções, pensamentos, sensações, ideias e uma infinidade de vibrações. Aquilo a que chamamos de “inconsciente colectivo”, isto é, a memoria colectiva e inconsciente de uma sociedade ou civilização. Esferas dentro de esferas. Os fenómenos das memórias do passado, correspondem a arquétipos e ideias, que foram sendo vividas ao longo de gerações. O cérebro está ligado a estas esferas, e a mente de cada ser humano tem a capacidade de aceder a todo o conhecimento acumulado na memória do Universo. Infelizmente, parece que neste últimos tempos só temos acumulado trampa.
ESTE será um dos motivos, pelo qual, um numero cada vez maior de seres humanos de sente preso numa jaula. Instintivamente, ou intuitivamente, sentem ou pressentem, o que aí vem. Em termos místicos podemos entender a nossa esfera pessoal como uma espécie de memória bypass (não localizada no cérebro) e atemporal. Assim como a memória do universo é a verdadeira fonte de inspiração vivida por grandes artistas, pensadores e cientistas, também é inspiradora de tiranos ambiciosos, e tiranetes sem escrúpulos. Infelizmente, a memória colectiva tem sido muito mal alimentada, com a ganância, e o consumo, a fazerem o papel de fast-food. Até podemos “comer” o que os nossos governantes, parceiros, ou patrões nos querem impingir, mas bem lá no fundo, sabemos que alguma coisa está errada, muito errada. O que nos espera não é nada agradável. A crise global tende a transformar-se em crise pessoal, com todas as consequências que daí advêm. Aqui, na Pshychophotolandia, não temos receitas milagrosas, nem sugerimos solução nenhuma, ou melhor, o que lhe sugerimos é que, não coma a ração que lhe dão. Não acredite em tudo o que ouve, vê ou lê. Lembre-se que a representação que temos da realidade não é a própria realidade. Como o mapa de uma cidade não é a própria cidade. Leve em conta que a “realidade” é sempre mais complexa e mais rica do que o sugerido pelo mapa. Pense pela sua própria cabeça, não tome decisões com base no que dizem os “outros”, principalmente se os outros forem políticos, economistas, publicitários ou jornalistas. Recorde-se do tema da música, e fique com esta ideia; aquele cuja mente não produz qualquer pensamento independente e não contem nada para além do que nela é descarregada, é alguém virtualmente sem valor. Funcionalmente, é um contentor, uma caixa, um objecto. Uma jaula! Boas fotos. OPV
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